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Não confunda governo com país

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Texto originalmente produzido por:

Carlos Alberto Miranda é Mestre em Administração de Empresas e possui MBA em Finanças pelo IBMEC RJ. Foi sócio da Ernst&Young e responsável pelo Premio Empreendedor do Ano durante 5 anos. Atualmente é CEO da gestora de Venture Capital BR Opportunities, é do Comitê de Empreendedorismo e Capital Semente da ABVCAP e Voluntário da Endeavor.

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Recentemente estive no fórum de empreendedores nos EUA que culmina com a premiação do Empreendedor do Ano daquele país e esta semana estou no Silicon Valley para palestrar no Global Technology Symposium.
Fora os casos de sucesso, que realmente são inspiradores, algumas coisas tem me chamado bastante a atenção nesses encontros de empreendedores. Uma grande parte dos que lá estavam sendo homenageados e premiados, ou aqui fazendo “pitch” para investimentos, não nasceram nos EUA, sendo que vários deles aqui estão há menos de quinze anos.
Apesar de governo, crise econômica, guerra, entre outros problemas, não vejo em momento algum qualquer uma das pessoas presentes, lamentando-se e atribuindo culpa ao governo de todas as dificuldades que passam, ao contrário. Normalmente organizam sessões onde membros do governo são chamados para ouvirem os empreendedores que endereçam claramente aquelas barreiras de crescimento, que são de responsabilidade do governo.
Esses são os poucos momentos que de ouve falar a palavra governo, ou qualquer menção a esta entidade criada para ser a gestora do país. Por outro lado, a palavra País, Nação, Pátria, é sempre repetida por vários dos convidados, homenageados e premiados.
Na maioria dessas menções, ressalta-se o grandiosidade do país, o seu povo empreendedor, como o empreendedorismo transforma as pessoas e a sociedade, e o orgulho que tem de pertencer àquela nação.
É inevitável estabelecer uma comparação com diversos encontros que já participei, parecidos com esse no Brasil, e me lembrar do quanto já ouvi empreendedores bem sucedidos, quase que em uníssono lamentando-se todo o tempo das ações ou falta de ações do governo.
Entendo perfeitamente a indignação com várias injustiças e falcatruas que temos visto ao longo de nossas vidas, e parece que cada dia vem mais, mas creio que está na hora de aprendermos e deixarmos de lado a sensação de que somos a pior nação do mundo, por conta desses gafanhotos da corrupção, vestidos de policiais rodoviários até executivos acima de qualquer suspeita.
Ainda nesses encontros que mencionei aqui nos EUA, a grande maioria das pessoas, ressalta o mar de oportunidades que o Brasil apresenta e o quanto estão impressionados com o nosso país.
Creio que chegou a hora de vestirmos, de fato, o verde e amarelo e fazermos um pacto identificar e enaltecer as nossas qualidades. Olhar o nosso país como um país realmente cheio de oportunidades que, assim como nos EUA, tem empreendedores que saíram do zero e construíram grandes organizações apenas com ética e trabalho. Aliás, empreendedores que chegaram lá, mesmo o Brasil não tendo um mercado de capitais e uma indústria de Private Equity e Venture Capital tão sofisticadas como a Americana.
Empreendedores que conseguiram financiar o seu crescimento, tomando riscos sozinhos, e que a sua vitória exemplifica não só o empreendedorismo mas o quanto a nossa Nação tem para oferecer para quem trabalhar direito.
Encontramos pessoas como Zica da Beleza Natural, Eloi Ávila da Flytour, Edson Bueno da Amil, Waldemar Verdi do grupo Rodobens, Marcelo Alecrin da Ale combustíveis, Nizan Guanaes do Grupo ABC e tantos outros que tem histórias que valem mais que qualquer MBA nas mais conceituadas escolas de negócios.
Nosso país é excepcional. Afinal, qual o problema de ser ufanista? Tudo bem, temos trauma do ufanismo do período da ditadura e do populismo que tem enganado e capturado votos de tantos miseráveis, mas temos que saber separar as coisas, temos que saber falar bem de nosso país e mostrar para o mundo o que temos de melhor e buscar, como cidadãos mais ainda.
Vamos fazer um pacto. Vamos reconhecer a grandiosidade e as qualidades do nosso país mas em contrapartida façamos também um pacto com a verdade a transparência e a honestidade.
Antes de resmungar vamos fazer o nosso dever de casa e trabalhar cada um de nós pelos programas: Mentira Zero, Corrupção Zero e sonegação Zero. Será que conseguimos e estamos dispostos a isso? Zero quer dizer Zero.
Qual seria o resultado se conseguíssemos míseros 20% de nossa população economicamente ativa aderindo a esse pacto? Vale pensar: não existe corrupção sem corruptor nem mentira sem o mentiroso.
E já que estamos falando de EUA, creio que o Presidente John F. Kenedy, resumiu de forma brilhante um dos segredos que fizeram os EUA prosperar e que, tenho certeza, será um fator chave na recuperação de sua economia: “Não pergunte o que o país pode fazer por você mas sim o que você pode fazer pelo país”.

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