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Nanotecnologia vai de queimaduras a malária

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Três novos campos de pesquisa, combinados, abrem infinitas possibilidades para a área da saúde. São eles a nanotecnologia, que trabalha com a dimensão de bilionésimos do metro; os fotoprocessos, modulados pela luz; e a engenharia tecidual, que objetiva restabelecer a integridade dos tecidos do corpo. O transplante de pele produzida em laboratório é uma dessas possibilidades, que poderá beneficiar pacientes com queimaduras, doenças cicatriciais ou cutâneas. O tema foi apresentado pelo pesquisador Antonio Claudio Tedesco no Seminário Internacional de Nanotecnologia, Sociedade e Meio Ambiente, organizado pela Fiocruz, de 10 a 12 de novembro, no Rio de Janeiro. Tedesco é coordenador do recém-inaugurado Centro de Nanotecnologia e Engenharia Tecidual da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP/USP).
A pele pode ser produzida a partir de células do próprio paciente ou de um banco de células. Transplantada para o paciente, essa pele deve ser tratada com medicamentos nanoestruturados que, ativados por laser, diminuiriam a rejeição, acelerariam a cicatrização e facilitariam a reconstituição do tecido. Os testes realizados com animais mostraram, de fato, uma aceleração do processo de reconstrução da pele. “Hoje os estudos são centrados em modelos animais e no entendimento do processo de biomodulação”, conta Tedesco. “No futuro, com a possibilidade de produção deste autólogo de pele, pode-se, por cooperação, iniciar estudos em pacientes e evoluir para tratamento de várias patologias cutâneas”.
Medicamentos nanoestruturados ativados por laser também têm sido testados pela equipe de Tedesco para o tratamento de câncer de pele. Esse trabalho integra uma rede de instituições: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade de Brasília (UnB), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e Centro de Excelência do Tratamento de Câncer de Belém, além do Centro de Nanotecnologia e Engenharia Tecidual. Os resultados têm se mostrado bastante satisfatórios – no tratamento de câncer de pele do tipo não melanoma, dentre os mais de 600 pacientes já atendidos, o índice de cura chega a 98% na primeira aplicação do medicamento e a 100% na segunda.
Além disso, o grupo de Tedesco estuda outros tipos de medicamentos nanoestruturados, que não usam ativação pela luz. A nanoestrutura à qual o medicamento é associado tem a finalidade de transportá-lo até um determinado alvo dentro do organismo. Graças a esse transporte seletivo, um medicamento com nanotecnologia, em geral, requer doses menores e provoca menos efeitos colaterais, se comparado a um medicamento convencional. Outra vantagem da nanoestrutura é permitir que o medicamento seja liberado continuamente e mantenha níveis constantes no organismo, enquanto a concentração de um medicamento convencional oscila bastante. A expectativa é que essas nanoestruturas, também chamadas nanocarreadores, possam ser aplicadas no tratamento não só de câncer de pele, mas também de doenças degenerativas do sistema nervoso central, como o mal de Parkinson.
Segundo Tedesco, a nanotecnologia pode, ainda, ajudar no controle da dengue e da malária. Nesse caso, o trabalho, em parceria com o Inpa, envolve o desenvolvimento de bioinseticidas. “Estamos utilizando a nanotecnologia para garantir uma ação mais prolongada do bioinseticida e, com isso, cobrir o horário de pico da propagação das larvas dos mosquitos”, explica o pesquisador. “Esses ensaios de campo já estão em andamento”.
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