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Mulheres solteiras e a Reprodução Assistida

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Embora a grande maioria das mulheres que procuram os tratamentos de infertilidade sejam casadas, nos últimos anos, vem aumentando o número de mulheres solteiras que desejam ter filhos. Nestes casos, a única maneira de ficarem grávidas, será por meio do banco de esperma. Muitas ainda tentam procurar a ajuda de um amigo solidário que se proponha a doar seu sêmen para uma inseminação, com o compromisso de que ela, a futura mãe, jamais exigirá dele as obrigações e o reconhecimento de um progenitor. Entretanto esta busca, na maioria das vezes, tem um final frustrante. A maior parte dos candidatos, mesmo com vontade de colaborar, desistem desta parceria ao tomar conhecimento que a lei é soberana e dará a esta criança os direitos legais que determinam as obrigações deste pai, independente de qualquer contrato.
São muitas as razões pelas quais uma mulher sem um companheiro procura uma “produção independente”, mas a principal delas é a idade que já está avançando combinada com a falta de um futuro pai ideal que não surgiu no decorrer da vida. Um pai que preencha as qualidades necessárias para criar seu filho. A maioria delas são mulheres independentes financeiramente que já conquistaram seu espaço profissional e adquiriram os bens materiais que desejaram, mas se sentem incompletas pela impossibilidade imediata, ou próxima, de formar sua própria família.
Se já é possível imaginar a frustração e o sentimento de isolamento de uma mulher casada, em relação às outras, quando ela não consegue engravidar, pode-se compreender a maior intensidade deste sentimento e o quanto deve ser pior esta sensação quando ela for solteira, uma vez que na maioria das vezes não tem com quem compartilhar este anseio, com quem decidir ou chorar. Ter a proteção de um parceiro ajuda a suportar melhor o desgaste da frustração.
Para as mulheres solteiras que desejam ter filhos o apoio familiar é fundamental e a maioria delas conta com ele. Entretanto, algumas delas não contam com esta cumplicidade, pois, nestes casos, estas pessoas próximas acreditam que ser mãe solteira é errado, e nem sempre por motivos religiosos ou preconceituosos, mas por acreditarem que criar um filho sozinha é uma tarefa árdua e até desnecessária. Argumentam que um filho deve ter pai e mãe. Mas no fim, o que acontece, na maioria das vezes, é que a presença de um bebê acaba unindo a família em volta deste pequeno ser que irá receber manifestações de amor e de carinho.
Estas situações são interessantes e lembram algumas que já vivenciei em minha vida profissional: adolescentes descuidadas que engravidaram precocemente e de início foram repudiadas pelos pais que negaram a compreensão e o diálogo com suas filhas durante a gestação. A mãe questionava inicialmente este descontrole e irresponsabilidade de sua filha, mas depois a protegia enquanto a sua emoção de futura vovó aumentava com o passar dos meses da gravidez. Com o nascimento, o pai, antes considerado durão, também amolecia, se derretia e passava a ser o protetor número um desta mãe e do seu neto. As grávidas solteiras sem este apoio inicial da família, passam por este mesmo duro processo, mas com o passar do tempo o sentimento familiar prevalecerá.
A decisão de ser “mãe solteira” exige muita coragem e determinação, pois além das dificuldades evidentes de ter um papel duplo na família (pai e mãe) enfrentarão os preconceitos naturais desta atitude com os comentários e as reações espontâneas de pessoas, muitas vezes inadequados, como por exemplo, se a gestação foi intencionada ou não, quem é o pai, o que aconteceu com ele, entre outros questionamentos.
É sempre bom lembrar àquelas jovens que calculam para o futuro que se não encontrarem o seu “par desejado” até determinada idade, terão seus filhos desta forma independente, que o congelamento de óvulos antes dos 35 anos é uma alternativa que poderá de alguma forma, proteger a sua fertilidade até que a sua “cara metade” apareça. Não importa em que idade: 38, 40, 42, 43… 45…. 48…, a fertilidade estará preservada e o tempo de ser mãe poderá ser decidido sob o domínio do equilíbrio, sem pressões psicológicas.
*Arnaldo Schizzi Cambiaghi é diretor do Centro de Reprodução Humana do Instituto Paulista de Ginecologia, Obstetrícia e Medicina da Reprodução (IPGO). Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, pós-graduado pela AAGL, Ilinos, EUA em Advance Laparoscopic Surgety e Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, e da European Society of Human Reproductive Medicine. No texto o especialista comenta sobre a procura de mulheres solteiras aos tratamentos de reprodução assitida.
As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da IT Mídia ou quaisquer outros envolvidos nesta publicação.

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