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Mudanças nas unidades de Saúde devem aumentar número de transplantes

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“Para uma retomada, está bom”. Assim o presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), Walter Duro Garcia, reagiu ao anúncio de que o número de transplantes realizados no Brasil cresceu 10% em 2008. Segundo Garcia, a instituição já esperava bons resultados, que, inclusive, podem ter sido melhores que os divulgados ontem pelo Ministério da Saúde.
“Fazemos um acompanhamento mensal dos transplantes realizados no Brasil e não só esperávamos por isso como acreditamos que, talvez, o percentual de crescimento chegue perto dos 15%”, disse Garcia à Agência Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 19 mil transplantes foram feitos durante o ano passado. Em 2007, o número chegou a 17.428 transplantes.
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Embora comemore os resultados, Garcia alerta que a associação calcula que, nos próximos dez anos, o país precisará multiplicar por três o número de transplantes feitos hoje. “Isso significa que temos que manter um aumento médio anual de 15%. Assim, daqui a dez anos nós chegaremos próximo do que deveríamos estar fazendo hoje”.
Segundo Garcia, para atingir essa meta é preciso que o governo disponibilize – como já vem fazendo, segundo ele próprio – recursos para financiar o sistema público de transplantes. A associação também reivindica a atualização de leis que tratam do tema. “Temos que ter leis e portarias adequadas e que se adaptem [aos avanços e necessidades] rapidamente. Nossa legislação é boa, mas muitas portarias estavam defasadas e a expectativa é de que sejam publicadas em breve”.
Garcia destaca ainda a necessidade de mudanças nas unidades de saúde. “Temos que ter hospitais altamente qualificados, capazes de diagnosticar adequadamente a morte encefálica de um eventual doador e que possam remover os órgãos [a serem doados]. É preciso todo um sistema de transporte”. Por fim, ele falou da importância que a população “aceite, entenda e confie” em todo o processo, autorizando as doações.
Garcia também questiona a metodologia adotada pelo Ministério da Saúde, que soma o total de todos os órgãos transplantados. Isso, segundo ele, acaba “escondendo” maus resultados, como os dos transplantes de pâncrea ou de fígado e rim, que diminuiram, respectivamente, 45% e 21% em comparação a 2007.
“O governo soma transplantes de córnea com os de fígado, de rim, de coração e tudo mais, independente delas serem feitas com [órgãos doados por] doadores vivos, ou falecidos. O que a associação faz é comparar o número de doadores que tiveram morte encefálica com o número de órgãos transplantados”, disse.

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