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Mudança de paradigma conceitual

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Com os riscos da crise financeira mundial, todos os setores da economia deverão passar velozmente pelo processo de redefinição paradigmática e, em especial no setor saúde, especificamente na saúde suplementar onde os conceitos e as práticas deverão ser rapidamente revistos, reinventados e re-implantados para permitir a sustentabilidade do negócio.

 

O modelo assistencial nesse setor ainda é altamente centrado na recuperação, com processos fortemente intervencionistas e alicerçados no sistema de pagamento fee-for-service, sendo focado no tratamento de doenças, supostamente controlado por auditorias, mas de pouquíssimo, ou quase nenhum, alcance de promoção da saúde.

Com o novo cenário da crise externa que atinge diretamente o setor, forçosa e rapidamente o modelo assistencial e gerencial no setor tem que mudar.

Estatísticas de grandes números no setor de saúde suplementar têm mostrado que 1% da população assistida por planos de saúde consome 20% dos recursos financeiros, enquanto no segundo grupo com 10 % da população usuária de planos de saúde, consome 55% dos recursos financeiros, e 89% da população desses planos consomem 25% dos recursos, de onde se depreende que 11% da população de um plano consomem 75% de seus recursos, e isso implica que o setor privado de saúde suplementar tem muito ainda por aprender com o sistema público de saúde.

 









PLANOS DE SAUDE

EXEMPLIFICANDO (hipotético)

GRUPOS

% S/pop.

% gastos

vidas

gastos

média

Possíveis estratégias

1

1%

20%

500

R$ 16.000.000,00

R$ 32.000,00

I

2

10%

55%

5.000

R$ 44.000.000,00

R$ 8.800,00

II

subtotal

11%

75%

5.500

R$ 60.000.000,00

R$ 10.909,09

III

3

89%

25%

44.500

R$ 20.000.000,00

R$ 449,44

IV

total

111%

175%

50.000

R$ 80.000.000,00

R$ 1.600,00

V

Estratégias para mudar o paradigma

Para promover essa mudança de foco e se manterem salutares e sustentáveis, as operadoras de planos de saúde deverão programar fortes e especiais estratégias por grupo de clientes de suas respectivas carteiras, sendo recomendável as seguintes:

Grupo I – Programas de assistência e gerenciamento de crônicos; desenvolvimento de cuidadores, medicina focada na epidemiologia com atuação muito próxima, assistência domiciliar e controle e monitoramento da evolução dos programas. Protocolos clínicos, medicina baseada em evidência. Relacionamento direto e constante com esse grupo.

Grupo II – Programas de gerenciamento de riscos, compartilhamento, educação em saúde, monitoramento da evolução dos riscos, medicina baseada em evidências,  relacionamento, conselho de clientes, campanhas e outras.

Grupo III – Foco central das estratégias com gerenciamento de riscos e de prevenção de doenças, gerenciamento de crônicos integrados com programas de combate a vícios, gestão compartilhada de prontuário pessoal do paciente, integração de prontuários de internação e de ambulatório, gestão estratégica e compartilhada da saúde do paciente. Educação em Saúde, palestra, envolvimento da família e cuidadores.

Grupo IV – Educação em Saúde, palestras, lazer, estimulo às práticas de esportes e lazer, fitnes, musculação integrada com saúde, caminhadas, eventos de saúde. Estratégia principal, criação do clube de saúde.

Grupo V – Estratégias globais. Sem dúvida, o foco das operadoras para mudança do paradigma será aquele com que se estabeleça saúde de forma integral, envolvendo esporte e lazer e nesse sentido deverão ser pensadas as prática com musculação, caminhadas, jogos e outros, todos monitorados pela área de medicina preventiva e promoção da saúde.

Entende-se que a formação de clubes de saúde como recurso próprio ou como credenciado pelas operadoras deverá ser uma estratégia a ser estudada e implementada. Com isso, espera-se que as operadoras, especialmente de cooperativas medicas, desenvolvam essas praticas, e implantem ginásios e verdadeiros clubes de saúde, com centro de convivência, salas de lazer, danças, jogos de salão, jogos em geral, natação, além de espaços para cybercafé, revistas, jornais, internet, farmácia privativa nesses locais, salas de coletas de exames, centros de estudos, salas de múltiplos usos, tudo para o bem estar físico, mental e social de seus clientes.

Esses novos ambientes de convivência, de saúde, de esporte e lazer é a maneira de fazer acontecer à promoção da saúde e certamente serão vantagens competitivas e atrativas para fidelização e retenção de clientes, podendo incluir em seus ambientes, altamente agradáveis, outros serviços da própria operadora ou de serviços em parceria (cinema, lojas de dietéticos, restaurantes, agencias de viagens e outros).

As empresas, provedores de tecnologia de sistemas de gestão, deverão acompanhar essa evolução preparando-se para gestão compartilhada do prontuário pessoal do paciente, entre a operadora e o paciente, integração de prontuários de internação, ambulatório e de consultórios; gestão de riscos, gestão de programas de saúde e especialmente gestão estratégica desse novo modelo assistencial e modelo gerencial, incluindo o BSC na gestão estratégica integrados entre as operadoras e de seus recursos próprios.

Que esse futuro seja mais do que presente no cenário da saúde suplementar em nosso país.

 

*Coordenador do Curso de MBA de Gestão de serviços de saúde da Fundação Unimed

As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da IT Mídia ou quaisquer outros envolvidos nesta publicação.

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