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Mercado farmacêutico explora diferentes estratégias para o reposicionamento de produtos

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A inovação sempre foi o principal pilar de crescimento e competitividade da indústria farmacêutica. Dentre os setores industriais é o que mais investe em pesquisa e desenvolvimento (P&D) de novos produtos, aproximadamente 22% dos dividendos. Por se tratar de um setor altamente regulado, tanto em critérios de precificação quanto técnicos e sanitários, o P&D farmacêutico apresenta peculiaridades que tornam a expansão de portfólios criteriosa, custosa e prolongada, já que um medicamento inédito demanda, em média, 10 anos de testes.
O lançamento de um novo produto farmacêutico, no entanto, nem sempre está atrelado ao descobrimento de uma nova molécula (nova entidade química), mas, por vezes, ao incremento de fármacos já existentes. Frequentemente as farmacêuticas globais fazem uso de estratégias de inovação incremental, também conhecidas como estratégias de reposicionamento, em geral, menos dispendiosas, mas, nem por isso, menos lucrativas. Dentre as opções tecnológicas de reposicionamento destacam-se novas indicações terapêuticas, novas posologias ou vias de administração, novas formas farmacêuticas, combinações de fármacos, dentre outras.
Um exemplo recente é o Vimovo®, aprovado, em agosto passado, pela Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador americano, para comercialização nos Estados Unidos. O produto, desenvolvido pela Pozen Farmacêutica e licenciado para a AstraZeneca, contém a associação de naproxeno (anti-inflamatório) e esomeprazol magnésio (antiulcerativo), com indicação principal para o controle da osteoartrite (OA). O produto poderá ajudar 140 milhões de pessoas no mundo acometidas pela OA, diminuindo o risco de ulceração pelo uso prolongado de anti-inflamatórios não-hormonais (AINHs), os mais prescritos para a patologia.
Outro caso de reposicionamento digno de comentários é o Caduet® da Pfizer, destinado ao tratamento de pacientes com síndrome metabólica, caracterizada por pressão arterial e níveis de colesterol elevados. O produto combina besilato de amlodipino (anti-hipertensivo) e atorvastatina (hipocolesterolemeico), ambos desenvolvidos pela empresa e lideres de prescrição isoladamente (Norvasc® e Liptor® respectivamente). Considerando que o Norvasc® teve sua patente expirada em 2006, e o Liptor® terá em junho de 2011, a Pfizer busca com a associação prolongar o ciclo de vida de seus produtos, amenizando os impactos da concorrência com medicamentos genéricos.
Outras empresas como a Sanofi-Aventis, apostam em novas indicações terapêuticas para medicamentos consagrados, tal como o Aprovel® (irbesartana), um reconhecido anti-hipertensivo. O produto está atualmente em estudo clínico fase III, durante o qual os voluntários serão acompanhados por cinco anos e revelará se a droga é também eficaz na prevenção de eventos cardiovasculares em pacientes com fibrilação atrial persistente.
Assim, enquanto o desenvolvimento de novas moléculas exige altos investimentos e longos períodos de pesquisa, a inovação incremental possibilita resultados interessantes em prazo reduzido e com custos menores, permitindo modificar ou expandir o ciclo de vida de medicamentos já consolidados no mercado e na prática médica. Todavia, cabe ressaltar que o sucesso de lançamento de um novo produto, fruto de inovação, sempre estará atrelado ao planejamento adequado de projetos, a estruturação de redes de competência e a uma gestão comprometida e eficaz de parcerias, contratos, orçamentos e cronogramas.
*Carlos Kiffer é médico infectologista e diretor de Operações da GC2 – Gestão do Conhecimento Científico
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