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Médicos contra a hanseníase

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De todos os resquícios negativos da divisão do mundo entre capitalismo ultraliberal e economia centralizada de Estado, um dos piores é o descaso contra quem não seja considerado consumidor nem formador de opinião. Felizmente, não é assim que vemos o mundo sob a óptica do cooperativismo.
Afinal, o verbo cooperar é parente de partilhar, compartilhar. Se formos cooperativistas, teremos de ver as pessoas como seres que devem ser respeitados em sua diversidade, e ter, no mínimo, tratamento digno em necessidades fundamentais, como saúde, educação, alimentação, moradia e segurança.
Dos tempos bíblicos até recentemente, as pessoas com hanseníase (no passado, chamada de lepra) sofriam duplamente, devido às consequências da doença, como mutilações, e à inclemente segregação social.
O preconceito e a discriminação ainda existem, embora haja avanços, como usar o termo hanseníase, em homenagem a Gerhard Hansen, descobridor do microorganismo que a causa. A palavra lepra carregava uma carga fortíssima de preconceito contra os doentes.
O fim dos leprosários também contribuiu para reduzir o tratamento cruel aos infectados pelo Bacilo de Hansen. Mas a melhor notícia, mesmo, é que a hanseníase tem cura. E que seus casos vêm diminuindo em países desenvolvidos. Por que tratamos, então, dela? Porque em países como Brasil, Madagascar, Moçambique, Tanzânia e Nepal, a prevalência da doença é altíssima. Nesse grupo de países, causa estranheza a triste liderança no ranking exercida pelo Brasil, uma das maiores economias do mundo. Como há cura, já deveríamos ter avançado muito mais.
Para isso, contudo, precisamos nos unir como categoria médica. É essencial que cada profissional da medicina aprenda tudo sobre hanseníase: sintomas, tratamento, contaminação, tipos etc.
Não cabe somente ao dermatologista, por exemplo, verificar se há manchas na pele com perda de sensibilidade ao frio, ao calor e à dor. Em todas as especialidades, podemos e devemos contribuir para que doentes, que muitas vezes nem desconfiam ter a doença, sejam tratados imediatamente.
Em termos institucionais, para combatê-la, é necessário intensificar a vigilância epidemiológica nas áreas mais endêmicas (localizadas nas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste), e manter ações efetivas naquelas em que a hanseníase se estabilizou.
A erradicação é um desafio ainda maior, diretamente vinculado à mudança do perfil socioeconômico em grande parte do País. Sabemos o quanto isto é difícil. Depende de investimentos em saneamento básico e melhores condições de vida de grande parte de nossa população. Tratar os doentes, contudo, já seria um grande passo, pois, às primeiras doses do medicamento, deixariam de transmitir a hanseníase.
É um apelo que faço aos colegas em todo o país, em nome daqueles que poderiam ter uma qualidade de vida muito melhor. Mas não a têm, porque não tratam uma doença curável.
*Eudes de Freitas Aquino, presidente da Unimed do Brasil
As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da IT Mídia ou quaisquer outros envolvidos nesta publicação.
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