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Medicina Preventiva é foco crucial dos Planos de Saúde

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Desde a década de 60, quando o ingresso dos Planos de Saúde no mercado revolucionou o panorama do atendimento à saúde da população brasileira, o País experimentou mudanças significativas. Nos últimos anos, com o acirramento da concorrência entre as operadoras, o conceito de Medicina Preventiva ganhou status de alternativa eficaz para a melhoria dos serviços prestados pelas operadoras e, ao mesmo tempo, redução de custos das empresas.
No passado, os pacientes geralmente ingressavam no sistema no auge de sua capacidade produtiva. Hoje, grande maioria dos beneficiários já se encontra acima dos 50 anos de idade. Tempos atrás, os exames laboratoriais – ainda incipientes – não acarretavam custos tão significativos para os planos quanto atualmente. Por sua vez, a chegada de grande contingente das classes C e D para o segmento dos Planos de Saúde, fez com que a guerra de preços neste mercado se tornasse ainda mais acentuada.
Medicina Preventiva deixou de ser uma diferenciação para se tornar uma prerrogativa dos Planos de Saúde no sentido de manter saudáveis por mais tempo os beneficiários e evitar as complicações dos pacientes que já apresentam doenças, especialmente as crônicas. Segundo pesquisa divulgada em novembro de 2008 pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), o número de planos que oferecem um programa de prevenção de doenças e promoção à saúde aumentou consideravelmente entre 2004 e 2005. Segundo o órgão, das 1.842 empresas de planos existentes hoje no mercado, 1.351 responderam a um requerimento de informações enviado pela agência.
Destas, 47% desenvolvem programas de prevenção e promoção, atingindo 80% dos usuários de planos de saúde. A implementação destes programas é muito mais eficiente nos Planos de Saúde que oferecem preferencialmente a seus associados serviços próprios de atendimento, inclusive rede hospitalar e centros médicos.
A Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo) relaciona 42 tipos diferentes de programas de medicina preventiva no País. O próximo desafio é incluir cada vez mais os pacientes saudáveis uma vez que a expectativa de vida da população brasileira hoje é de 72,8 anos e tende a aumentar ao longo das próximas décadas. Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 9% da população têm hoje 60 anos e a expectativa é de 20% em 2025.
Num cenário de expectativas cautelosas para os próximos anos, em virtude da crise internacional que a todos afeta, a redução de custos das operadoras e a melhoria dos serviços prestados será uma equação cada vez mais difícil.
A falta de informação faz com que os pacientes recorram aos especialistas menos indicados para seus casos e percorram uma verdadeira via crucis até a obtenção do diagnóstico. Os índices de normalidade nos exames de laboratório são altíssimos, atestando que boa parte é prescrita sem critério. O paciente sofre na carne, o convênio padece no bolso. Não é de admirar, portanto, que alguns planos tenham mudado de mãos ou simplesmente desaparecido.
O velho conceito do “médico de família”, em que um bom diagnóstico por meio de exames clínicos – e laboratoriais, quando necessários – e de uma conversa franca entre o profissional e o paciente resgata sua atualidade nos programas de Medicina Preventiva dos Planos de Saúde.
Também há muito a se fazer pelos pacientes crônicos, a fim de evitar suas constantes internações – desde a constituição de grupos de ajuda para doentes de determinadas patologias até a disponibilização de suporte médico para o tratamento na convalescença ou na fase estacionária de uma doença, incluindo a internação domiciliar.
Ao buscarem estreitar os laços com seus clientes, os Planos de Saúde se dão conta de que o paciente necessita, mais do que tudo, de orientação e atenção dos profissionais. É esta, aliás, a nobre função da Medicina.
 
*Luiz Roberto Silveira Pinto é médico, fundador e presidente da Samcil – Hospitais e Planos de Saúde, pioneira do setor, e é ex-presidente do Sindicato de Hospitais do Estado de São Paulo e co-fundador da Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo)
 
 
 
 
 

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