Referências da Saúde Quem foram os premiados da edição 2016? Confira agora

Medicina avança com telecirurgia e robótica

Publicidade

A aplicação da robótica no campo cirúrgico é viável. Mas ainda se encontra em um estágio experimental, e demanda aperfeiçoamento técnico, além de exigir a discussão de aspectos éticos, morais e legais. Esta foi a principal conclusão apresentada na mesa redonda “Robótica e Telemedicina em Cirurgia”, realizada ontem, último dia do I Congresso Brasileiro de Telemedicina e Telesaúde, em São Paulo. A mesa redonda, organizada por Joaquim Gama-Rodrigues e Bruno Zilberstein, da Faculdade de Medicina da USP, foi coordenada por José Rafael Guerra Pinto Coelho. Foram duas etapas: apresentações sobre Robótica em Cirurgia nas áreas de Urologia Clínica, Cirurgia Cardíaca e Cirurgia Digestiva, e uma videoconferência diretamente dos Estados Unidos, com Willian Scott-Helton, mostrando experiências clínicas em vídeo-cirurgia robótica.
Segundo Ricardo Jordão Duarte, em Urologia Clínica, a telecirurgia compreende a aplicação de recursos multimídia e tecnologia de telecomunicações combinados à tecnica da laparoscopia e à robótica. A telecirurgia pode ser exercida de três maneiras, por teleconferência, telemonitoração ou telemanipulação.
Para Duarte, os principais objetivos da telecirurgia são a sua utilização como recurso pedagógico (possibilidade de educação a distância), permitir que cirurgiões menos especializados realizem operações mais complexas, o aprofundamento das técnicas cirúrgicas e o desenvolvimento dos braços robóticos. A estação de trabalho do profissional pode estar próxima ou distante. Atualmente, existem três tipos de robôs, o AESOP, que opera por comando de voz, e dois modelos mais modernos, denominados Zeus e Da Vinci.
Pelo método da teleconferência, a primeira cirurgia robótica em urologia foi realizada em Londres, em 1989. Também houve uma experiência entre Baltimore (EUA) e Roma (Itália). Em setembro de 2000, o método de telemonitoramento foi utilizado no Hospital das Clínicas, em uma cirurgia feita em videoconferência com a orientação de um professor de Baltimore, EUA. A telemanipulação foi relatada na França, em uma técnica em que o cirurgião local manipula os instrumentos ópticos e o especialista que está distante opera o robô Da Vinci.
Os resultados de cirurgias utilizando robôs foram comparados com as técnicas tradicionais em termos de tempo de duração, recuperação do paciente, necessidade de conversão e outros fatores. A conclusão é que a telecirurgia é viável, mas ainda encontra-se em fase experimental. “Ainda é preciso discutir aspectos éticos, morais e legais, questões como privacidade do paciente, erro médico, licenças para a prática e legislação entre países. Estamos iniciando uma nova era”, afirma Duarte.
Com o desenvolvimento da cirurgia minimamente invasiva, onde se insere a Cirurgia Cardíaca robótica, alguns conceitos tradicionais da medicina foram modificados. Entre eles, o de que se deve ter ampla e adequada exposição do paciente, o uso dos dedos como o uso dos olhos e a apalpação ser tão importante quanto a visão. Assim iniciou Sérgio A. Oliveira sua participação na mesa redonda. O especialista ressaltou que os robôs utilizados em cirurgia são diferentes dos robôs industriais, pré-programados. Os robôs cirúrgicos funcionam como um cirurgião comandado.
Para Oliveira, até o momento, as experiências de telecirurgia em cardiologia mostraram que a grande vantagem desta aplicação é a possibilidade de uma cirurgia totalmente endoscópica. Mas ainda há obstáculos, referentes aos custos, maior tempo de cirurgia, necessidade de longo treinamento e principalmente o fato de não eliminar a circulação extracorpórea.
Em relação à Cirurgia Digestiva, a robótica apresenta restrições do tato, dos movimentos do cirurgião e da visão em 3D. Mas Joaquim Gama-Rodrigues aposta no futuro da videocirurgia, com a potencialização da tecnologia aplicada. Segundo ele, as vantagens da robótica aplicada à videocirurgia são compensatórias, com a possibilidade de eliminação do tremor (natural da mão humana) e a redução da fadiga da equipe. Já que se trata de uma área em que as cirurgias levam horas, o sistema permite a correção e precisão dos movimentos, o aumento da liberdade de movimentos e um maior acesso à microcirurgia.

Publicidade

Notícias como essa no seu e-mail

Faça como mais de 20.000 profissionais do setor de saúde e receba as últimas matérias no seu email.

Deixe uma resposta