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Medial quer crescer com recursos públicos

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A Medial Saúde aposta em uma nova estratégia para preservar sua liquidez. Ao invés de cancelar investimentos para conservar o caixa, ação comum em período de vacas magras, a operadora de planos de saúde investe em parcerias e na obtenção de recursos governamentais para promover sua expansão. “Num mercado como este, a pessoa pode perder seus recursos em caixa em questão de alguns meses”, afirma Emílio Carazzai, principal executivo da empresa. “Você tem de adotar a atitude mental de deixar para trás o crescimento agressivo e mudar para a proteção da liquidez.”

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A Medial, que captou R$ 655,2 milhões em sua oferta pública inicial de ações em 2006, tem R$ 228 milhões em caixa e está custeando parte da construção do Hospital Alvorada Paulista por meio da venda de um terreno à Agra Empreendimentos Imobiliários.

O hospital, segundo da empresa em São Paulo, deve ficar pronto no segundo semestre de 2010, com investimentos de R$ 134 milhões, fruto de um “escambo com retorno em dinheiro”, além de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), afirma Carazzai. “Nós entregamos para a Agra o Hospital Jaraguá, que era da Amesp (empresa comprada pelo grupo em 2007), que será demolido para dar lugar a um empreendimento imobiliário. Em troca eles nos deram o terreno para o Hospital Alvorada e mais R$ 40 milhões”, conta, ressaltando que o repasse de recursos está sendo feito mensalmente.

A empresa também fez um pedido de financiamento de R$ 77 milhões ao BNDES, que, segundo Carazzai, está “tramitando muito bem”. Além de R$ 19 milhões em recursos próprios, a Medial obterá cerca de R$ 38 milhões em crédito de fornecedoras de equipamentos como General Electric Co., Royal Philips Electronics NV e Siemens AG. “Esses fornecedores estão dando entre 36 e 48 meses de prazo para amortizarmos o valor da compra de equipamentos, que é muito expressivo em nosso custo total”, afirma.

Essa mesma engenharia financeira deverá ser feita para a construção de um centro médico junto ao hospital da empresa em Brasília. “Estamos negociando recursos do FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste.” A empresa também tem em projeto mais três hospitais em São Paulo, que deverão ter um custo de cerca de R$ 400 milhões. Os hospitais serão construídos paulatinamente a partir da finalização do Alvorada Paulista. “Já adquirimos os terrenos e estamos finalizando os projetos.”

Carazzai explica que o crédito governamental continua farto, porém, nem todas as empresas se qualificam para obtê-lo. “Estamos, inclusive, usando nossa liquidez para financiar as empresas fornecedoras, que estão tendo dificuldades de crédito”, conta. Trata-se de operações para antecipar recebíveis. “Normalmente, são empresas que costumavam descontar esses recebíveis em banco para transformar em capital de giro, e agora perderam essa facilidade”, afirma.

Para o executivo, o setor de saúde precisa ficar mais atento às movimentações do mercado. “Até então, o setor vinha sendo propulsionado por duas vertentes: o crescimento do emprego formal e o aumento da renda média do brasileiro”, diz. E essas variáveis são as primeiras a sofrer com a crise.

Segundo relatório divulgado pela Itaú Corretora no mês passado, a expansão do cadastro de clientes será “decisiva” para melhorar as margens da Medial, que foram reduzidas com o aumento da sinistralidade (custo de fornecimento de serviços de saúde). A sinistralidade da Medial deverá subir para 72% neste ano, comparativamente a 71% de 2008, disse o analista Luciano Campos, na projeção da corretora.

Na sexta-feira passada, as ações da empresa caíram 1,58% para R$ 5,60, a maior queda desde 5 de março, quando saiu de R$ 6,38 para R$ 5,60.

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