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Logística da gripe suína

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O mundo enfrenta uma grande propagação de contágio de gripe originalmente chamada de suína. Desde que o paciente zero foi contaminado, começou uma reação em cadeia, atingindo esferas e ondas sistêmicas de propagação. Outros pacientes que tiveram contato acabaram transmitindo o vírus em suas próprias esferas de comunicação pessoal, ondas de transporte (aviões, taxis, etc.), redes sociais, entretenimentos, agrupamentos diversos.
Significa que a logística de propagação do vírus atingiu poder com poucas limitações físicas e geográficas. Por outro lado, a logística de resposta e tratamento de saúde, em cuidado e prevenção, mostrou-se, ao menos inicialmente, ineficientes em todo o mundo. No Brasil, há previsão para vacinas a partir de setembro, cerca de seis meses após o diagnóstico e centenas de mortes.
Viu-se ainda que o País não dispõe de fármacos (Tamiflu) em quantidade suficiente disponível à população. A logística de distribuição baseia-se no poder de política pública para entrega do medicamento, ao invés de permitir ao cidadão o livre acesso a ele. Não se trata, nesse momento, de avaliar os critérios da decisão, mas constatar o fato da insuficiência de oferta.
Sob o aspecto jurídico, devem-se articular mecanismos de regulação e controle das garantias individuais de acesso à saúde, de forma ampla, para profilaxia e tratamento. Problema como ameaça de quebras de patentes de remédios e aumentos de preços de produtos de saúde específicos acaloram debates sobre cartéis e propriedade intelectual.
Em relação ao aspecto administrativo e contábil, a situação também merece considerações. O que se chama de ociosidade em uma indústria dita comum, significa estado de prontidão em uma indústria de defesa. Porém, o tratamento contábil e a demonstração de resultados se mostram de forma pouco diferenciada. Ora, esse estado de prontidão é absolutamente importante para permitir que em caso de ameaça iminente de perigo, a indústria imediatamente possa alterar o fluxo de produção, gerando oferta suficiente de produtos destinados à proteção da nação.
É o que se nota nesse momento na incompreensão coletiva na demora de suprimento para tratamento dessa pandemia. Essa gripe pegou de surpresa governos e população e a alteração no fluxo de produção e logística dos fármacos prescinde de um tempo não aceito ou compreendido pela maioria da população. Disso decorre a irremediável necessidade de discussão nacional sobre nossa infraestrutura logística em seus aspectos mais amplos e o melhor tratamento contábil e administrativo sobre a questão do estado de prontidão.
*Antonio Carlos Porto Araujo é ambientalista e consultor de sustentabilidade da Trevisan Consultoria.
As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da IT Mídia ou quaisquer outros envolvidos nesta publicação.
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