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Instituto Butantan e Unicamp estudam vacina dupla contra tuberculose e hepatite B

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Um grupo de dez pesquisadores da Unicamp está testando uma vacina combinada contra hepatite B e tuberculose (BCG), desenvolvida pelo Instituto Butantan. Serão monitorados 320 recém-nascidos no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) e na Maternidade de Campinas, todos de mães que apresentaram gestação normal (nove meses) e com sorologias negativas para sífilis, HIV e hepatite B. A metade dos bebês receberá a vacina combinada, e outros 160, as vacinas convencionais, informa a assessoria de imprensa da Unicamp. Em dose única, esta vacina combinada é aplicada ainda na maternidade. Um carimbo na carteira de vacinação informa aos postos de saúde que os bebês não devem receber as duas doses subseqüentes contra hepatite B, pois a própria equipe da Unicamp se encarregará de aplicá-las durante as visitas domiciliares, dentro dos prazos estipulados ? no primeiro e sexto meses de vida. Haverá uma última visita no sétimo mês, em que se coletará sangue para análise dos títulos de anticorpos.
A meta, até dezembro, é comparar os dados colhidos no acompanhamento dos dois grupos de bebês. O finananciamento é da Fapesp principalmente para a parte logística, custeando técnicos em enfermagem e materiais como seringas e reagentes, além de transporte.
O professor Isaias Raw, diretor da Divisão de Desenvolvimento Tecnológico e Produção do Instituto Butantan, informa que outras vacinas combinadas poderão ser disponibilizadas em curto prazo. A vacina quadrivalente (tríplice mais antimeningite) poderá se tornar pêntupla em 2005, associada com a hepatite B. A própria vacina combinada da BCG com hepatite B, em avaliação na Unicamp, já está recebendo a toxina da coqueluche (pertussis) e passará por pesquisas de campo ainda em 2004.
Neste mês o Instituto Butantan completou 103 anos como centro de referência nacional e internacional em pesquisa, desenvolvimento e produção de vacinas e soros. Fabrica, para o Ministério da Saúde, 75% das vacinas e 80% dos soros utilizados em hospitais públicos do País. É também um espaço de lazer para turistas de todo o mundo, atraídos pelo renome da instituição e pela variedade de espécies de cobras em exposição.
Entre as vacinas, fabrica a tríplice (difteria, coqueluche e tétano), a dupla (difteria e tétano), a BCG (tuberculose), para hepatite B e raiva. A vacina para influenza (gripe), por enquanto, é importada da França, mas envasada no Butantan. A partir de 2006, o instituto irá produzi-la.
Entre os soros, processa os antitetânico, antidiftérico, antibotulínico (botulismo), anti-rábico (raiva) e os antipeçonhentos, contra venenos de cobra, de aranhas, de escorpiões e de taturana. Fabrica também o soro antitimocitário, para problemas de rejeição em pessoas que tiveram transplante de órgãos.
No ano passado o Instituto Butantan registrou a produção de 111,127 milhões de doses e 460 mil ampolas, respectivamente. Em vacinas, foi a maior produção da história do Butantan, mas em soro o recorde foi alcançado em 1992, quando saíram dos laboratórios 566 mil ampolas.

Influenza made in Brazil
Os governos estadual e federal irão investir R$ 50 milhões na fábrica da Fundação Butantan para produzir no Brasil a vacina contra o vírus influenza, da gripe. O Ministério da Saúde vai desembolsar R$ 34 milhões para compra de equipamentos e a Secretaria de Estado da Saúde R$ 16 milhões para reforma do prédio, no complexo de produção do Instituto. A tecnologia empregada será a do laboratório francês Aventis Pasteur, o mesmo que fornece hoje a vacina para envase no Butantan. A licitação está em andamento e a previsão é produzir 20 milhões de doses anuais, a partir de 2006. Os lotes estarão disponíveis para aplicação em abril do ano seguinte, início da campanha nacional de vacinação gratuita para maiores de 60 anos, informa a Agência Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.
Atualmente, a vacina é recebida da França acondicionada em contêineres com 100 litros de solução concentrada, que irá se transformar em 200 mil doses. No início, as ampolas são lavadas e esterilizadas a mais de 300°C. Depois recebem o produto, são lacradas, inspecionadas por funcionários que verificam se há partículas em suspensão, analisadas em laboratório e embaladas em caixas com 20 ampolas cada, equivalente a 200 doses. As embalagens são enviadas ao Ministério da Saúde.
O diretor da Fundação Butantan, Isaias Raw, informa que a entidade irá produzir, também em 2006, uma série de hemoderivados, substâncias obtidas do plasma sangüíneo humano. A fábrica, empreendimento do governo do Estado, irá absorver cerca de R$ 100 milhões. ?Será a planta mais moderna do mundo, superando uma que existe na Austrália?, assegura Raw.
A fábrica irá processar 250 mil litros de plasma por ano. Esse componente do sangue geralmente é descartado nos laboratórios, enquanto a hemácia (glóbulos vermelhos) é a mais ?nobre?, usada na transfusão. Raw conta que o Brasil gasta US$ 200 milhões por ano na compra de hemoderivados, por falta de tecnologia e produção locais: ?O que queremos corrigir com a futura fábrica.?

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