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Instituições iniciam estudo com células-tronco para tratamento de cardiopatias

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Durante solenidade no Instituto Nacional de Cardiologia de Laranjeiras (INCL), no Rio de Janeiro, o Ministro da Saúde, Humberto Costa, anunciou o início do maior estudo com células-tronco adultas para tratamento de doenças do coração já realizado no mundo ? chamado Estudo Multicêntrico Randomizado de Terapia Celular em Cardiopatias. A pesquisa envolverá grupos de portadores de quatro diferentes doenças: infarto agudo do miocárdio, doença isquêmica crônica do coração, cardiomiopatia dilatada e cardiopatia chagásica e será patrocinada pelo Ministério da Saúde. O projeto que o Brasil desenvolve é único no mundo, pela quantidade de casos avaliados e comparados (1,2 mil pacientes participarão do estudo) e pelo número de instituições envolvidas (em torno de 40 em todo o território nacional). O objetivo do trabalho é comprovar os resultados já obtidos em pesquisas isoladas e verificar a viabilidade da substituição dos tratamentos cardíacos tradicionais (inclusive o transplante de coração) pela terapia com células-tronco.
Os protocolos, já aprovados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), devem ser concluídos em até três anos. O custo total do projeto está estimado em R$ 13 milhões (custeados pelo Ministério da Saúde). Os 1,2 mil pacientes avaliados serão divididos em grupos, com 300 cada, de acordo com o tipo de doença. Em cada um dos grupos, a metade receberá o tratamento tradicional e a outra parcela será submetida à terapia celular. Neste caso, cada paciente receberá células-tronco de sua própria medula óssea. A outra metade receberá o tratamento tradicional, com os melhores recursos farmacológicos ou cirúrgicos disponíveis.
Comprovada sua eficácia, a terapia celular pode proporcionar significativa economia de recursos financeiros para o SUS. Considerando consultas, internações, cirurgias e transplantes cardíacos, o sistema gastou, em 2003, cerca de R$ 500 milhões.
No Brasil, 4 milhões de pessoas sofrem de insuficiência cardíaca grave. Se ficar comprovado que as células-tronco podem melhorar as condições desses pacientes na mesma proporção que os estudos preliminares têm indicado, estima-se que 200 mil vidas poderão ser salvas em três anos e reduzido o custo do tratamento em, aproximadamente, R$ 37 milhões por mês.
O Estudo Multicêntrico Randomizado de Terapia Celular em Cardiopatias será dirigido por uma comissão coordenadora formada de pesquisadores participantes do estudo e terá um centro coordenador ? o Instituto Nacional de Cardiologia de Laranjeiras (INCL); uma comissão coordenadora; quatro centros-âncora ? o INCL, o Instituto do Coração/ USP (SP), o Instituto de Ciências Biomédicas/ UFRJ em colaboração com o Hospital Pró-cardíaco (RJ) e o Hospital Santa Isabel em colaboração com o Centro de Pesquisa Gonçalo Muniz, da FIOCRUZ (BA); e centros colaboradores vinculados aos centros-âncora. Cada centro-âncora será responsável pela condução do estudo em pacientes de uma doença cardíaca.
Ainda em 2005, o Ministério da Saúde, em parceria com o Fundo Setorial de Biotecnologia (CT-Biotec) do Ministério da Ciência e Tecnologia apoiará novos estudos com células-tronco retiradas de cordão umbilical e também de pacientes adultos, para serem usadas no tratamento de lesões de medula espinhal; diabetes; doenças neurodegenerativas (como mal de Alzheimer e esclerose lateral amiotrófica); regeneração de tecido ósseo, dentes e pele; doenças auto-imunes (como lúpus); doenças genéticas, entre outros.
Esse projeto, que vai envolver recursos da ordem de R$ 5 milhões ( R$ 2,5 milhões do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde e R$ 2,5 milhões do CT-Biotec do Ministério da Ciência e Tecnologia) avaliará, nessa primeira fase, os resultados em fase pré-clínica. Ou seja, não envolverá seres humanos, mas fará análises em animais e testes de laboratório. Se os resultados forem positivos, a iniciativa poderá prosseguir em 2006.
Além de anunciar o início do estudo, o ministro Humberto Costa inaugura hoje em Laranjeiras o Laboratório Multidisciplinar de Terapia Celular. Primeiro do tipo no país, o laboratório será essencial para o Estudo Multicêntrico Randomizado de Terapia Celular em Cardiopatias. Para a construção e equipamento do laboratório, foram aplicados recursos federais da ordem de R$ 530 mil.
O ministro inaugurou também as novas instalações do Centro Cirúrgico do INCL, que foi ampliado e recebeu modernos equipamentos. O número de salas cirúrgicas passou de dois para quatro (três para adultos e uma para crianças). As duas unidades resultam de um investimento federal de R$ 2,7 milhões. Com a reforma, a quantidade de cirurgias no Instituto pode chegar a 1,6 mil, neste ano. No ano passado, foram cerca de 1,2 mil.
As instalações inauguradas contam ainda com salas de conforto para os profissionais, para as famílias e para as crianças, permitindo a prestação de um atendimento mais humanizado. Para a ampliação e equipamento do centro, foram aplicados recursos federais de R$ 2,2 milhões.

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