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Incor apresenta pesquisas com células tronco em congressos internacionais

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O Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor-HC/FMUSP) apresenta resultados de pesquisas com transplante de célula tronco para o tratamento da insuficiência cardíaca, em três dos grandes congressos mundiais em cardiologia. O Incor participa com dois estudos na fase de aplicação em humanos no restrito grupo de centros mundiais que pesquisam a utilização dessas células para recuperação do músculo cardíaco. Grande parte desses centros ainda trabalha com pesquisas na fase pré-clínica em animais.
“O interesse pelos estudos é enorme no mundo todo, porque eles se configuram numa linha de fronteira na busca de soluções mais eficazes e menos invasivas para a doença”, ressalta o presidente do Conselho Diretor do Incor, José Antonio Franchini Ramires. Mesmo na primeira fase, as pesquisas do Incor apresentam reultados promissores no tratamento da doença. Um dos estudos trabalha com o transplante autólogo de células tronco aplicadas diretamente na corrente sangüínea ou nas artérias coronárias. Os resultados dessa pesquisa inédita acabam de ser apresentados no Congresso da Sociedade Européia de Cardiologia, na Áustria, no final de agosto.
Além desse estudo, os resultados do transplante de células tronco associado à cirurgia de revascularização serão apresentados no Cardiac BioAssist Association Congress, em outubro, na Europa, e no American Heart Association Congress, em novembro, nos Estados Unidos. O procedimento pode se configurar em uma alternativa para potencializar os resultados do enxerto de pontes (safena e mamária) no coração, cirurgia a que milhares de pessoas são submetidas a cada ano no mundo.
Com a primeira fase dos estudos finalizada, etapa da qual participaram cerca de 20 pacientes, dez para cada projeto, as equipes se preparam para a segunda fase das pesquisas, quando serão ampliados o número de participantes e a abrangência do estudo.
Conforme demonstrado em experiência animal, as células tronco ou progenitoras, como também são conhecidas, têm capacidade de sobreviver ao transplante e originar novas células, tanto de músculo quanto de vasos, na região do coração lesada pelo infarto.
Um dos projetos utiliza duas técnicas simultaneamente: transplante de células tronco e cirurgia de revascularização do miocárdio em regiões do coração acometidas por infarto e que não podem ser tratadas de modo convencional.
As células progenitoras são obtidas da medula óssea do próprio paciente, logo após a indução da anestesia. O material removido é levado para o Laboratório de Genética do Incor, onde é processado para seleção das células tronco. Essas células são as que exibem maior plasticidade para formação de novos tecidos.
Após a realização das pontes, as células tronco são injetadas diretamente na região infartada, onde não seria viável a revascularização. ?Este procedimento visa melhorar os resultados da cirurgia nos pacientes em fase avançada da doença?, explica o cirurgião Sérgio Almeida de Oliveira, diretor da Divisão Cirúrgica do Incor e coordenador da pesquisa.
Na primeira fase do estudo, iniciada em 2002, foi testada a segurança do método. Não houve óbitos nesta série e nem complicações relacionadas com o implante celular. Adicionalmente, diz o cirurgião, “observou-se significativa melhora clínica dos pacientes, com desaparecimento da angina (dor no peito) e recuperação da contratilidade miorcárdica, isto é, da função de bomba do coração”.
“Os resultados nos estimulam para a segunda fase da pesquisa, na qual vamos estudar de forma sistemática os benefícios do procedimento um número maior de pacientes”, diz José Eduardo Krieger, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Incor, que também participa do estudo.
TransplanteO projeto de transplante autólogo utilizado de forma isolada é coordenado pelo dr. Edimar Bocchi, diretor do Laboratório de Insuficiência Cardíaca e Transplante do Incor. ?O princípio é o mesmo do transplante de médula?, explica Bocchi. Por um período de cinco dias, o paciente recebe injeções de uma proteína especial para que as células tronco migrem da médula óssea para o sangue. Em seguida, pacientes com vasos em bom estado são submetidos a filtragem do sangue para que essas células sejam separadas, tratadas, congeladas e posteriormente injetadas por catéter diretamente no coração. No caso de pacientes com vasos deteriorados, a própria circulação do sangue leva as células até o coração.
Os resultados da primeira fase da pesquisa, segundo Bocchi, foram promissores. Dos dez pacientes participantes do estudo, todos em fase terminal de insuficiência cardíaca e refratários a tratamentos convencionais disponíveis, três conseguiram sair da fila do transplante. Dois pacientes tiveram óbito decorrentes de causas alheias ao procedimento. O restante, embora ainda em fila, registrou melhora do quadro geral.
A fase dois da pesquisa deverá ter início em 2004, quando o número de participantes será ampliados para 50 pacientes. ?Caso as próximas fases do estudo confirmem os primeiros resultados, teremos uma técnica promissora para tratar a insuficiência cardíaca?, diz Bocchi.
A insuficiência cardíaca (ICC) é definida como um processo de falência progressiva do músculo cardíaco em bombear o sangue, devido a doenças diversas, entre elas, o infarto do miocárdio, Mal de Chagas, etc. A ICC acomete cerca de 4% da população, em diferentes graus, desde o mais leve, tratado por medicamentos, até a fase terminal, em que somente o transplante pode dar continuidade à vida do doente.

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