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“Hospitalista enxerga entraves no fluxo de atendimento hospitalar”

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O médico hospitalista é um profissional que têm os pacientes internados como seu principal foco. Esse tipo de modelo de trabalho vem crescendo muito nos EUA, e também apresenta um crescimento de demanda no Brasil, ainda que em menor escala. Em entrevista, o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Hospitalar, Fernando Starosta, esclarece as principais funções deste profissional e apresenta as melhorias que este pode trazer para o cuidado do paciente e para o hospital.

*Leia coluna de Guilherme Barcellos, especial sobre Medicina Hospitalar (Hospitalista)

Como é a rotina de um hospitalista? Quais são suas principais funções?
Fernando Starosta: O hospitalista é o médico que tem como foco principal os pacientes internados. A sua rotina é ir ao hospital todos os dias, trabalhando entre 6 e 12 horas, onde ele cuida destes pacientes, na maioria das vezes pacientes clínicos (patologias não cirúrgicas) de várias áreas como cardiológica, pulmonar, renal, gastrointestinal e assim por diante. Quando os pacientes adultos que têm essas doenças precisam ser internados, eles o serão aos cuidados do médico hospitalista que tem a capacidade de cuidar desses pacientes com múltiplas equipes. A ideia principal é que este médico compareça todos os dias, cuidando dos mesmos pacientes, dando continuidade no cuidado para que a recuperação aconteça da forma mais eficiente e adequada possível, para que o paciente possa se recuperar e ir para casa.

Através dessas atividades, o hospitalista começa a aprender como ele pode contribuir para que o hospital tenha um melhor funcionamento. Ele tem conhecimento de onde estão os entraves de fluxo de atendimento do hospital e como ele pode ajudar. Aquele que na emergência já se observa a necessidade de internar, ele pode trabalhar em parceria com a equipe médica da emergência para antecipar a ida desse paciente para o leito da enfermaria. A mesma coisa se aplica à UTI, ele vira um parceiro administrativo da gestão do hospital, porque quando o fluxo de funcionamento do hospital tranca isto prejudica o paciente, então ele consegue ter essa atuação técnica de uma forma um pouco mais ampliada, não simplesmente resolvendo o problema do paciente e o hospital tendo que funcionar sozinho, ele ajuda o hospital a funcionar melhor. Por isso esse tipo de atuação médica cresceu exponencialmente nos EUA, desde o final da década de 90 até hoje, onde atualmente devem haver mais de 40 mil médicos que trabalham dessa forma, que se tornou a maior especialidade médica no país.

Como é a adoção desse modelo no Brasil?
Fernando Starosta: No Brasil existem muitas semelhanças no formato do atendimento hospitalar com os EUA, mas ainda é incipiente a prática médica desta forma. Existem vários projetos pilotos em vários locais do Brasil que começaram nos últimos anos, mas ainda vêm caminhando de forma lenta e com muitas barreiras que impedem que essa modalidade de atuação cresça da maneira que cresceu nos EUA. Porém, no Rio Grande do Sul vários hospitais começaram a adotar esse modelo e o médico que tem essa melhor formação com a residência médica de clínica médica é o pré requisito mais adequado para a partir daí aprender as outras habilidades e conhecimentos que são importantes para o hospitalista. Há uma demanda bem aquecida por médicos com formação em clínica médica que possam trabalhar dessa forma no Rio Grande do Sul, porque os hospitais que foram pioneiros têm bons indicadores tanto para pacientes atendidos pelo SUS (que foi onde o movimento começou no RS) quanto em alguns pilotos em hospitais privados.

Quais são as vantagens de adotar o modelo hospitalista em termos financeiros?
Fernando Starosta: A maior vantagem, a que mais motivou a primeira onda de expansão dessa forma de atuação do médico hospitalista nos EUA foi o fato de que com essa forma de trabalho, os hospitais com o mesmo número de leitos e o mesmo número de pessoas trabalhando nesses leitos conseguissem atender um número expressivamente maior de pessoas, com a mesma qualidade ou qualidade superior.

Existe uma relação entre o número de hospitalistas e o porte do hospital?
Fernando Starosta: São múltiplas variáveis. Quando discutimos com hospitais sobre esse modelo de trabalho, sempre ressaltamos que cada caso deve ser analisado individualmente, pois depende do tipo de paciente, do tipo de procedimento pelo qual ele foi submetido, do tratamento que ele recebe, por isso, deve-se conhecer a instituição, saber seus indicadores, que tipo de paciente ela precisa que o hospitalista trabalhe junto, para assim definir um número.

Como você o futuro desta especialidade?
Fernando Starosta: Tenho convicção de que a procura por estes profissionais está acontecendo e que haverá um aumento na velocidade com que isso vai crescer, pois este modelo de trabalho atende as principais premissas que os hospitais e pacientes estão procurando. Ter um médico disponível que tenha a atenção e o tempo dedicado a cuidar dessas pessoas, que têm doenças de grande complexidade e várias comorbidades ao mesmo tempo, e que está treinado, que faz parte do seu DNA trabalhar em equipe multiprofissional – com enfermeira, com fisioterapeuta, com toda a parte da nutrição que são fundamentais para o tratamento do paciente hospitalizado -, que faz  projetos de melhoria de qualidade assistencial junto com a gestão hospitalar e a administração e que enxerga mais rápido onde estão os problemas.

O hospitalista alinha uma série de circunstâncias fundamentais para o bom funcionamento do cuidado do paciente hospitalizado e atende a todas essas demandas, ou seja, ele tem muitas vantagens em relação ao modelo tradicional, aonde o médico “passa visita” em algum horário cedo da manhã e no final da tarde, e no resto do tempo não está disponível para acompanhar o paciente internado. Os hospitais precisam investir nesse modelo para que, a médio e longo prazo, possam obter os retornos que trazem os médicos hospitalistas ao atendimento hospitalar.

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