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Hospitalar: AMB e APM discutem futuro do profissional de medicina

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Em palestra realizada na Feira + Forum Hospitalar, a Associação Paulista de Medicina (APM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) debateram sobre ?O exercício da medicina no século XXI?. Para o presidente da AMB, José Luiz Gomes do Amaral, ainda há uma grande distância entre as possibilidades oferecidas pela medicina e o atendimento. ?É um problema de financiamento do SUS (Sistema Único de Saúde). Ainda há muitas pessoas marginalizadas no setor público.?
Na área privada, o maior desafio é a padronização dos procedimentos e a remuneração. A solução parece estar próxima: a Câmara dos Deputados aprovou recentemente a Classificação Hierarquizada de Procedimentos (CBHPM), que agora tramita no Senado. ?O setor percebeu que este é o sistema mais coerente. Ainda há a cultura de outras tabelas, mas esta engloba centenas de novos procedimentos e está sendo aceita progressivamente. Agora falta a operadora adequar seu orçamento à nova tabela de procedimentos?, conta o presidente da APM, Jorge Machado Curi.
O presidente da AMB também alertou os participantes para o sucateamento da profissão. ?Por mais espelunca que seja a faculdade, se percebe um enorme afluxo de candidatos. As faculdades têm apenas visão comercial. Que escrúpulo tem um empresário que decide abrir mais uma escola de medicina em São Paulo??.
Para Amaral, é preciso limitar o número de faculdades e de formandos. ?Hoje o país conta com cerca de 310 mil médicos. Se não tivéssemos mais nenhum no país, seria necessário formar oito mil por ano para manter o número. Nós formamos o dobro?.
Curi relaciona a má formação à ausência de profissionais no interior. ?As faculdades não estão formando especialistas em clínica geral. Por isso é difícil interiorizar os profissionais. Outros obstáculos são a falta de um plano de carreiras que estimule os médicos que atuam no interior e a alocação de recursos para prover uma retaguarda adequada. Isso só se resolve com uma política de Estado, que não seja modificada a cada governo?.
Sobre a regulamentação da Emenda Constitucional 29, Amaral revela que, apesar de Saúde ser um tema da maior importância na época de eleições, os recursos se perdem ao longo do Governo. ?O Adib Jatene já tentou destinar a CPMF apenas para o SUS e o Eduardo Jorge queria garantir a responsabilidade do governo com a Saúde. Precisamos definir o que é atividade de saúde. Hoje, os investimentos estão em qualquer lugar: desde o estímulo aos bons hábitos até boa alimentação, tudo recebe verba da Saúde?.
Curi acredita que só haverá mudanças no cenário se a classe tiver engajamento político. ?O médico precisa se dar conta de sua importância como formador de opinião. Infelizmente, nossa formação é individualista, mas os problemas não serão resolvidos sem envolvimento social?, conclui.

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