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Hospital São Paulo realiza cirurgia fetal inédita

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O Hospital São Paulo – ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – realizou uma cirurgia inédita no Brasil. Uma equipe de obstetras, especialistas em medicina fetal, neurocirurgiões, pediatras, enfermeiros, anestesistas, entre outros profissionais corrigiram uma malformação na coluna de um feto com 28 semanas de gestação, utilizando a técnica de cirurgia fetal a “céu aberto”. O procedimento, diferentemente das cirurgias fetais intrauterinas por via videoendoscópica, é feito por meio de uma abertura no abdômen da gestante de forma a facilitar o caminho de acesso ao bebê. Pouco mais de 200 cirurgias similares foram feitas até então, todas nos Estados Unidos.
A gestante é submetida a anestesia peridural associada à anestesia geral e a uma incisão semelhante à utilizada nas cesarianas, porém cerca de três centímetros mais alta e com aproximadamente 17 centímetros de comprimento. Após a abertura do abdômen, o útero é exteriorizado e o líquido amniótico retirado e armazenado em ambiente adequado para sua conservação. O obstetra faz uma abertura de aproximadamente nove centímentros no útero em posição determinada somente no momento da cirurgia, por depender da localização da placenta. Após o útero ter sido aberto, a equipe de cirurgiões opera o bebê. Em seguida, o líquido amniótico é recolocado no interior do útero e todas as camadas abertas são fechadas conforme técnicas cirúrgicas utilizadas rotineiramente.
Este tipo de cirurgia pode ser usada para tratar problemas no coração, pulmão, cérebro, entre outros. O feto operado no Hospital São Paulo tinha diagnóstico (constatado por ultrassom) de meningomielocele (defeito no fechamento da coluna vertebral), que tem como principal seqüela a hidroencefalia (acúmulo de água no cérebro), que causa distúrbios no funcionamento do cérebro. Até então o tratamento para este problema só era feito após o nascimento e consistia na colocação de uma válvula, na cabeça, para atuar como um dreno. Com a cirurgia a “céu aberto” se torna possível evitar que o defeito na coluna comprometa o cérebro, além de reduzir as chances da criança desenvolver problemas motores e cognitivos, como retardo mental e dificuldade de aprendizado.

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