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Hospitais investem no controle dos centros cirúrgicos

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Como parte das iniciativas para melhorar o nível de gestão, os hospitais estão introduzindo mudanças sensíveis na rotina de seus centros cirúrgicos, com a finalidade de adotar indicadores de qualidade e métricas de consumo. Pela complexidade das atividades ali realizadas e pelas inúmeras variáveis a serem controladas, não é possível modificar os procedimentos rapidamente. Mas, aos poucos, os centros cirúrgicos de grandes hospitais brasileiros mudam a forma de trabalhar. A intervenção não é simples. Trata-se de uma área que, na maioria das vezes, funciona 24 horas por dia, o ano inteiro, e em torno da qual gravita um exército nervoso formado por médicos, equipe de enfermagem, auxiliares, técnicos e pacientes. Sem contar as situações de emergência, o processo começa com o agendamento das cirurgias. Atualmente, a maioria das instituições conta com sistemas informatizados que ajudam nessa rotina. A distribuição é feita de acordo com o número de salas de cada complexo e o tempo requerido para cada intervenção.
Esses programas também funcionam como ponto de partida para uma série de providências que devem ser tomadas. Conhecendo a especialidade e o tipo de intervenção, a equipe de apoio do centro cirúrgico prepara dois kits ? um com o material usado pelos anestesistas e outro para os cirurgiões. Concluída a operação, além de cuidar para liberar o paciente, a equipe de apoio deve computar o que foi usado de material e de medicamentos. Só depois disso, a sala é liberada para que entre o pessoal da limpeza. A rotina é praticamente a mesma em todos os hospitais. O que vem mudando é o nível de controle que cada hospital adota para seus complexos cirúrgicos.
Os esforços têm sido canalizados para controlar melhor o consumo de materiais, reduzindo custos, refinando a montagem das caixas cirúrgicas em conformidade com aquilo que o médico usa, e tornando mais rápida a liberação das salas. Além disso, o centro cirúrgico funciona associado à central de esterilização e à chamada farmácia-satélite, áreas que também têm recorrido a metodologias mais modernas de administração.
Dedicação ao paciente
O Hospital Nove de Julho está entre as instituições, cujo centro cirúrgico não pára. ?A agenda quem faz é o cirurgião de acordo com sua necessidade?, afirma Lea Pereira de Sousa, gerente do departamento bloco cirúrgico, composto pelas 14 salas cirúrgicas, pelas centrais de recuperação anestésica e de esterilização. Nesse complexo, trabalham 124 pessoas, entre as equipes de enfermagem e de apoio. Lea assumiu o cargo em meados de 2003 com a missão de mudar o perfil da área. O hospital foi acreditado em Nível 2, enquanto o centro cirúrgico foi recomendado para Nível 3 de acreditação. Nesse nível, é preciso trabalhar com indicadores de qualidade.
Para indicar a qualidade da assistência dada ao paciente no centro cirúrgico, foi criada uma ficha em quatro folhas que traz um checklist com tudo o que foi feito no paciente ? se colocou sonda nasogástrica, se a veia foi puncionada, esse tipo de informação. Basta ir ticando os itens impressos na folha. Antes os procedimentos eram escritos pelas enfermeiras, em meio a agitação própria do final de uma cirurgia. Desde o mês passado, esse é um dos principais instrumentos utilizados pelo corpo de enfermagem. ?Implantamos um quadro de enfermagem voltado à assistência direta ao paciente. A função administrativa continua a existir, mas hoje só é realizada por uma das cinco enfermeiras que ficam no plantão?, esclarece a gerente.
O atraso nas cirurgias é outro indicador que o setor começou a acompanhar, com a meta de reduzir as falhas. ?Hoje, temos um índice entre 30 e 32% de atraso cirúrgico por diferentes motivos?, explica Lea. A demora pode ocorrer por razões internas, como a sala não ficar pronta a tempo ou a caixa cirúrgica não estar adequada, ou falta de pessoal. Também podem haver motivos que fujam ao controle do centro cirúrgico, como atraso da equipe médica, o paciente não ter sido internado ou demorou para ser preparado. ?Nossa meta é que o índice geral de atraso caia para 16%. E, dentro disso, no que diz respeito ao centro cirúrgico, nossa meta é colocar o indicador em zero?, ressalta a gerente. Todo mês o indicador é avaliado e são tomadas medidas para corrigir possíveis falhas.
Da mesma forma, a equipe acompanha o tempo que o paciente permanece na unidade de recuperação anestésica ? não pode ficar menos de 30 minutos, nem mais de duas horas. ?No momento, estamos medindo o percentual de desvios em relação ao que é preconizado?, explica Lea.
Reduzir o tempo de liberação da sala cirúrgica também faz parte dos objetivos da equipe do Nove de Julho. ?Vamos parametrizar o sistema para que o tempo de marcação entre uma cirurgia e outra seja baseado em estatísticas reais e não supostas?, acrescenta a gerente. Atualmente, o setor leva de 35 a 40 minutos para limpar a sala, após a saída do paciente. A meta é baixar esse tempo para 30 minutos. As ações que vão levar a essa redução estão em estudo.
Para dar apoio ao centro cirúrgico, a farmácia satélite, que fica subordinada à área de suprimentos, também adotará medidas revitalizadoras. O plano é que todo o material que sai dali para abastecer as salas de operação, como materiais descartáveis e medicamentos, já saia cobrado por meio de código de barras identificado a partir de uma leitora óptica. Após o término da cirurgia, se algum item retornar, o valor será estornado. ?De modo que quando o processo termina, a gente já tem a conta do paciente, no que diz respeito ao centro cirúrgico, fechada?, salienta Lea. A cobrança é feita por item unitário, cobra-se uma ampola ou uma agulha, e não por kit, como em geral acontece. Hoje, esse o controle de custo é manual e feito pelo auxiliar de enfermagem da sala que, então, será liberado para se concentrar assistência ao paciente.
O novo modelo será implantado a partir de janeiro quando a farmácia-satélite e a central de esterilização passarão a usar carros, onde serão montados todos os materiais empregados pela equipe médica na cirurgia. Haverá o carro do anestesista, carregado pela farmácia, e do cirurgião, que virá da central de esterilização. Os 51 carros comprados pelo hospital ? 21 para anestesistas e 30 para cirurgiões ? foram desenvolvidos pelo fornecedor nacional Lanco, de acordo com as especificações do Nove de Julho.
Racionaliar processos
O Hospital Sírio Libanês também utiliza o sistema de carros para anestesistas e cirurgiões. Ao todo, são 44 unidades ? 17 carros para anestesistas, divididos em vermelhos (os mais simples) e azuis (mais completos), e 27 carros para cirurgiões. ?No nosso caso, quando o carrinho vai para a sala de cirurgia vai praticamente debitado?, explica Edson Colonello, coordenador dos suprimentos do center cirúrgico e da central de esterilização de materiais do HSL. A rotina de montagem desses carros é orientada em função do cirurgião e da especialidade, e o controle é feito por itens que contam com códigos de barra. Além de facilitar a cobrança, o sistema ajuda a controlar os níveis de estoque, operado no modelo mínimo e máximo, orientando a reposição efetuada pelo almoxarifado central.
Vigilância e controle
Desde 2003, com a nova gestão, o Instituto Central do Hospital das Clínicas de São Paulo, o maior do complexo com 33 salas de cirurgia concentradas no mesmo andar e mais dez descentralizadas para intervenções ambulatoriais, iniciou um período de mudanças que envolvem toda a organização, por onde circulam 30 mil pessoas por dia. Da relação com os fornecedores, mantendo os pagamentos em dia e exigindo preços de mercado e qualidade, à instalação de câmeras de segurança pelos corredores, o instituto adotou outros mecanismos de controle.
?Para pagar os fornecedores em 30 dias, como estou fazendo hoje, foi preciso aperfeiçoar a gestão de estoque, verificando como adquiriu, quem pediu, como chega, como entra, quem usa, quanto usou e disseminando essas informações para os serviço

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