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Hospitais do Rio negam fraude em compra de material

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Os diretores hospitais de Ipanema, da Lagoa, do Andaraí e de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, negaram que tenha havido desvio de recursos destinados à compra de materiais nas instituições que representam.
Eles participam de audiência pública da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle sobre denúncia de que a empresa Extencion Comercial Ltda. não entregava materiais supostamente vendidos para hospitais do estado, conforme reportagem publicada no mês passado. Outros diretores de hospitais ainda serão ouvidos.
De acordo com coordenador do Núcleo Estadual do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, Oscar Berro, a maior parte dos desvios estava relacionada à suposta compra de micro-molas empregadas no bloqueio de aneurismas cerebrais.
O diretor do Hospital de Ipanema, Geraldo Di Biasi Filho, afirmou que o hospital nunca comprou nenhum produto da Extencion. O diretor do Hospital do Andaraí, João Marcelo Ramalho Alves, informou que seu hospital já comprou da Extencion produtos que foram utilizados em cirurgias cardiovasculares. Segundo ele, a seleção da empresa foi feita por meio de pregão eletrônico. O diretor administrativo do Hospital da Lagoa, Rogério de Castro, também disse que a unidade não adquiriu nenhum material de neurocirurgia da empresa. “Nos últimos cinco anos, o hospital comprou da empresa apenas um único filtro de veia cava”, garantiu. Já o diretor do Hospital de Jacarepaguá, Paulo Roberto Fernandes, assegurou que a instituição não fornece nenhum serviço de neurocirurgia. “Nos últimos cinco anos, foram adquiridos dessa empresa apenas agulhas e balões para cirurgia vascular”, disse.
Representantes do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e do Hospital Geral de Bonsucesso também afirmaram há pouco que suas instituições não participaram de esquema de desvio de recursos públicos destinados à compra de materiais cirúrgicos.
O diretor do Into, Geraldo da Rocha Motta Filho, afirmou que a única compra feita da Extencion ocorreu em 2005. Na época, segundo ele, foram adquiridos R$ 9,5 mil em materiais hospitalares repassados para o Hospital Souza Aguiar, que estava sob intervenção. Já o diretor do INC, Marco Antônio de Mattos, garantiu que a instituição nunca comprou nada da Extencion. O coordenador do Inca, André Tadeu de Sá, por sua vez, afirmou que o instituto adquiriu da Extencion apenas próteses de esôfago, entre 2004 e 2006. Segundo ele, esses materiais custaram R$ 140 mil.
Segundo a denúncias, as fraudes consistiam principalmente na simulação de venda de espirais de platina usadas em casos de aneurisma cerebral.
Apenas diretora do Hospital Geral de Bonsucesso, Sandra da Silva Azevedo, afirmou que a instituição adquiriu esse produto da empresa, mas negou que tenha havido fraude. Segundo ela, a compra foi feita por meio de pregão eletrônico, e o material foi utilizado em 29 cirurgias desde 2007.
Fraude
A Operação Hipócrates, da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Saúde Pública, desbaratou um esquema em que médicos do Salgado Filho, no Méier, participariam de fraudes na compra de espirais de platina em troca de propinas de 15% a 25% do valor da nota fiscal. O pagamento era feito por Jorge Figueiredo Novaes, dono da Extencion, que fornecia o material. Cinco pessoas – entre elas, o médico Carlos Henrique Ribeiro, chefe do Serviço de Neurocirurgia do Salgado Filho e ex-presidente da Sociedade de Neurocirurgia do Rio – foram indiciadas.
Segundo O Globo, de 2004 a 2010, a Extencion teve um forte aumento nas vendas para a União. Um levantamento com base nos dados do Portal Transparência, do governo federal, revela que 11 unidades hospitalares no Rio, ligadas aos ministérios da Saúde e da Defesa, pagaram à empresa R$ 50,5 milhões em material de consumo. As unidades militares, como o Hospital do Exército, que concentrou a maior parte das compras, repassaram à h2h4Extencion de R$ 42,6 milhões, mais de 80% dos recursos pagos. No período, os desembolsos para a empresa quintuplicaram.
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