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Hospitais beneficentes discutem alternativas

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A aliança entre sustentabilidade e proposição de alternativas para elevar a eficiência da gestão dos hospitais filantrópicos pautaram o primeiro dia do 19º Congresso da Fehosp (Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo).

Um dos temas do dia foi o projeto que define alternativas para os hospitais de pequeno porte (HPP) na rede do SUS do interior do Estado de São Paulo, que será apresentado na próxima segunda-feira (26) ao Conam (Conselho de Municípios da Alta Mogiana).

Três membros da comissão técnica que acompanha o trabalho e esteve na Espanha e Portugal para conhecer modelos aplicados por lá fizeram as apresentações: Paulo Carrara, professor assistente do Departamento de Medicina Social da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) e membro do Centro de Estudos Augusto Leopoldo (Cealag), Maria Fátima da Conceição, gerente técnica da Fehosp, e Aglaé Neri Gambirasio, assistente técnica do coordenador de saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP).

O projeto HPP é voltado à região da cidade de Franca (SP), formada por 22 cidades que somam cerca de 650 mil habitantes (50% deles de Franca), 9% dos quais idosos e assistidos essencialmente pelo SUS, refletindo o panorama nacional. O cenário nos nove hospitais de pequeno porte da região é: leitos sobrando, com taxa de ocupação abaixo de 50%, sendo que 53% das internações poderiam ser evitadas.

Foi pensando em alternativas que permitissem a viabilização da rede e, ao mesmo tempo, a oferta de serviços até então indisponíveis à população local, apoiada em qualificação e humanização da assistência, que, desde o ano passado, a Fehosp investe em estudo.

A viagem permitiu ao grupo conhecer as experiências das santas casas europeias, que enfrentaram cenário semelhante há oito anos e chegaram ao modelo atual nomeado Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), dividido nos seguintes grupos: convalesça, média duração e reabilitação, longa duração e manutenção, cuidados paliativos e equipe domiciliares.

“Segundo a proposta, alinhada ao que avaliamos para o interior de São Paulo, os hospitais trabalharão de forma integrada, em rede. As equipes de alta hospitalar identificarão os pacientes que necessitam de cuidados prolongados, tipo de atendimento especial de que não dispomos hoje. As coordenadorias regionais indicarão qual o tipo de unidade que deve recebê-los para o devido encaminhamento”, explica Paulo Carrara.

No modelo europeu, os cuidados oferecidos visam a um processo terapêutico aplicado por equipe multidisciplinar e forte apoio da família. “Assim, atua-se não somente sobre o estado de saúde, prevenindo o agravamento e promovendo a reabilitação, mas também na integração do paciente e no restabelecimento da autonomia”, acrescenta.

Nas unidades da Espanha e Portugal, além de leitos que inspiram conforto, há salão de cabeleireiro, refeitório para os pacientes fazerem as refeições em conjunto, sala de convívio, fisioterapia e terapia ocupacional. Na época da visita do grupo, os pacientes preparavam as fantasias para as festas de Carnaval, o que prova o compromisso com a interação social entre eles.

“O que mais nos chamou a atenção foi o investimento na capacitação dos profissionais, mais que a própria infraestrutura. Interessante observar o trabalho das equipes que programam previamente a alta e os cuidados que o paciente irá receber, além do prontuário único, entregue antes mesmo de o paciente ser internado”, destacou Maria Fátima da Conceição.

Em fase de apresentação aos municípios, a iniciativa aguarda aprovação no curto prazo para inicio da implementação.

Outras atividades – Com a proposta de oferecer um panorama da relação entre saúde e sustentabilidade, o professor do departamento de Medicina Preventiva da USP, Nelson Gouveia, abriu o pré-congresso com análise do contexto da população que vive os impactos provocados no meio ambiente. “Não falo da Amazônia nem da extinção dos animais silvestres. Mas sim dos problemas enfrentados por 90% da população, que está nos centros urbanos”, afirmou. É o caso da exposição à poluição, que eleva os riscos de desenvolvimento de problemas cardiovasculares e dos riscos, especialmente para as crianças, de terem doenças infecciosas e parasitárias ocasionas por exposição a riscos ambientais.

Carlos Eduardo Figueiredo, gerente de relações com prestadores de serviços da ANS, abordou as necessidades de os hospitais cumprirem com a regulação no que atinge a relação hospital x operadoras de saúde.

*Com colaboração de Carla Fornazieri, da Assessoria Online

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