Referências da Saúde Quem foram os premiados da edição 2016? Confira agora

Hepatite: país tem menos de 1% de indivíduos infectados

Publicidade

Um estudo realizado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) indica que a quantidade de pessoas infectadas pelas hepatites A, B e C é menor do que os números anteriormente divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Realizado para estimar a prevalência da hepatite do tipo A entre a população de 5 a 19 anos e das do tipo B e C entre as pessoas entre 10 e 69 anos de idade e identificar os grupos de maior risco à doença, o levantamento consumiu sete anos de trabalho e acabou por, segundo os critérios da própria OMS, classificar o Brasil como área de baixa prevalência da doença. Foram ouvidos moradores das 27 capitais brasileiras.
As informações anteriores apontavam para uma alta incidência da hepatite tipo B na Região Norte, onde a doença atingia até 8% da população. Nas demais regiões a infecção era vista como de média intensidade, acometendo entre 2% e 7% da população. Já com base nos novos dados, a coordenadora do estudo, Leila Beltrão Pereira, afirma que, na verdade, todo o país deve ser considerado de baixa prevalência para a infecção da hepatite B, pois a doença atingiria menos de 1% da população.
“O Brasil, hoje, tem menos de 1% de indivíduos infectados. Anteriormente, esse índice variava entre 2% e 7% nas regiões consideradas de endemicidade intermediária e de 8% na Região Amazônica”, disse Leila Beltrão durante a cerimônia de lançamento do novo protocolo com as diretrizes para o tratamento da hepatite tipo B, realizada nesta terça-feira (27), em Brasília.
De acordo com a coordenadora, ainda há locais onde a população está mais sujeita a contrair a infecção, em geral, bolsões de pobreza onde as piores condições de moradia e o menor nível de escolaridade se somam a fatores associados à doença. No geral, a Região Norte segue como a de maior incidência de casos do tipo B, com um percentual de 0,92% entre a população de 20 a 69 anos, seguida pela Região Centro-Oeste, com 0,76%, e a Região Sul, com 0,55%.
Quando divididos em dois grupos, os resultados apresentados ontem indicam que cerca de 27,4% das crianças entre 5 e 9 anos já foram infectadas pelo vírus da hepatite A. Entre os jovens de 10 a 19 anos, o índice sobe para 48,5%. No caso da hepatite B, entre os jovens de 10 e 19 anos, a doença acometeu 0,55% dos entrevistados, e 0,60% das pessoas entre 20 e 69 anos. O vírus da hepatite C infectou 0,94% dos jovens entre 10 e19 anos e 1,87% das pessoas entre 20 e 69 anos.
Ao considerar apenas a hepatite do tipo A, o novo mapa do contágio aponta para um quadro melhor do que o anteriormente divulgado pela OMS, com uma prevalência menor do que a que vinha sendo divulgada até agora. Nas regiões Sul e Sudeste menos de 25% da população tiveram contato com o vírus, o que as coloca entre as áreas de baixa endemicidade. Já as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste estão na fase intermediária (acima de 25%).
Segundo Leila Beltrão, a diferença entre os números anteriores e os atuais são fruto da maior amplitude de pessoas entrevistadas na atual pesquisa. Além disso, reforçam ainda mais o que já se sabia, embora não fosse levado em consideração nos levantamentos anteriores, que, de acordo com a coordenadora da pesquisa, priorizavam a pesquisa em localidades mais pobres.
“Todos os estudos prévios eram setorizados, feitos no que chamamos de bolsões de pobreza. Como a hepatite B é uma doença interiorana, encontrada principalmente entre as populações mais carentes, isso se refletia nos números totais. Agora nós pudemos avaliar o Brasil como um todo, demonstrando que a prevalência da doença é baixa. Além disso, há também o impacto da vacina, que desde a década de 1980 vem modificando esses números”, disse.
Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o estudo é importante por permitir que as autoridades da área avaliem a real situação da doença no Brasil. “Isso vai permitir planejar de maneira mais adequada as nossas políticas, além de abrir uma nova visão do problema. Com base nesses dados, acho que o mapa da doença no país, no qual a OMS nos classifica com base em estudos defasados, inexistentes ou empíricos, agora ganha uma base bastante distinta que, se não reduz a dimensão do problema, o coloca em seu devido lugar, nos permitindo atuar melhor”.
Novos Medicamentos
Três novos medicamentos passarão a ser distribuídos gratuitamente aos portadores da doença que, segundo o Ministério da Saúde, atinge pelo menos 12 mil pessoas a cada ano. Entre 5% e 10% de todos adultos infectados acabam por desenvolver a forma crônica da doença, transmitida pelo sangue, esperma e as secreções vaginais.
Segundo a diretora do Departamento DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, a incorporação dos três antivirais (tenofovir, entecavir e adefovir) aos dois que já vinham sendo distribuídos (lamivudina e interferon convencional), representa uma possibilidade dos médicos prescreverem a seus pacientes tratamentos mais efetivos e eficazes, com menos efeitos colaterais.
“Com a introdução de novas opções terapêuticas é possível para o médico fazer uma indicação e um tratamento sequencial, a exemplo do que já se faz com o HIV. Ou seja, à medida que se evidencia que [o organismo, habituado aos componentes do remédio] resiste [ao tratamento], você passa a usar outros medicamentos em combinação.”
Para a compra, com base na estimativa dos gastos que os estados previam fazer com a aquisição dos medicamentos, o Ministério da Saúde calcula gastar em torno de R$ 20 milhões. Valor que, de acordo com Mariângela, será “facilmente absorvido pelo orçamento do ministério”.
A intenção do ministério é, gradualmente, substituir a lamivudina. “Neste momento, a indicação é de que quem estiver usando alguma medicação permanecerá tomando o mesmo remédio até o fim do ciclo terapêutico e a realização de novos exames médicos”. Já o interferon continuará continuará sendo indicado.
Mariângela fez um apelo aos pais e às crianças e adolescentes para que se previnam contra a doença tomando a vacina, que é aplicada gratuitamente em postos de saúde.
“A hepatite B pode ser prevenida por vacinas. Temos a faixa etária de até 19 anos, preferencial para o uso da vacina, mas para a qual a vacinação ainda é muito baixa, principalmente a partir dos 11 anos de idade”, afirmou Mariângela, revelando que o ministério estuda as medidas para ampliar a faixa etária e melhorar a cobertura entre a faixa etária de 11 a 19 anos.
As principais formas de infecção são muito similares às da transmissão do vírus da Aids, ou seja, pode ocorrer pela relação sexual sem o uso de preservativo, pelo compartilhamento de objetos contaminados (lâminas de barbear, escovas de dente, alicates de unha, materiais para a colocação de piercing e para tatuagens) entre outros equipamentos e objetos, como por usuários de drogas injetáveis.
A vacina é uma das principais medidas de prevenção e, segundo o ministério, após tomar as três doses, mais de 90% dos adultos jovens e 95% das crianças e adolescentes ficam imunizados contra a hepatite B. Além da população até 19 anos, a vacina também é recomendada para os profissionais de saúde, independentemente da idade. O ministério promete intensificar as campanhas de prevenção durante o carnaval de 2010.
Você tem Twitter? Então, siga http://twitter.com/SB_Web e fique por dentro das principais notícias do setor.

Publicidade

Notícias como essa no seu e-mail

Faça como mais de 20.000 profissionais do setor de saúde e receba as últimas matérias no seu email.

Deixe uma resposta