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Gestão sustentável de energia

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As novas tecnologias utilizadas na construção de hospitais vêm colaborando cada vez mais para práticas sustentáveis, como a redução no consumo de energia elétrica por parte das unidades de saúde. Estes avanços variam desde o projeto arquitetônico do hospital, que pode contemplar a utilização de recursos voltados para a redução do consumo de energia, a novos equipamentos de suprimento, mais econômicos em termos de consumo e manutenção.

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Gerenciar o consumo e geração de energia em uma instituição de saúde não tem apenas o viés de contribuir com o meio ambiente, mas também em reduzir custos e aumentar a segurança na manutenção da eletricidade para o hospital. “O ponto de partida para a gestão energética é a confiabilidade e segurança nos sistemas de geração e distribuição de energia”, considera o gerente de cogeração e climatização da Comgás, Alexandre Breda.

De acordo com o executivo, um dos maiores vilões para a conta de luz dos hospitais é o sistema de ar condicionado, responsável por 30% de todo o consumo de energia. Outra consideração feita pelo executivo é a variação nas tarifas de eletricidade em determinados horários. “No período de geração de ponta (horário de pico), que ocorre entre 17h30 e 20h30, é cobrada uma tarifa diferenciada pela operadora que pode custar até sete vezes mais do que o valor normal para os hospitais”.

Uma das soluções encontradas por algumas instituições de saúde para diminuir este gasto foi a utilização de sistemas de ar condicionado movidos a combustível nesses horários. Esta solução reduziu em 70% os custos com eletricidade no período de geração de ponta. Mesmo movidos a combustível – gás natural ou diesel – a relação custo/ benefício destes sistemas fazem com que eles sejam fortes aliados na redução de custos, não só com eletricidade mas, também com infraestrutura de rede elétrica, além de alguns modelos, já utilizados no mercado nacional, aquecerem e resfriarem a água utilizada nos hospitais.

Estas outras duas atividades fazem com que o ar condicionado assuma a função de aquecedor e refrigerador de água, além de seu propósito inicial, que é controlar a temperatura do ambiente e garantir a circulação de ar.

Existem dois modelos que atendem estas necessidades, o Shiller e o Gas Heat Pump (GHP). Este primeiro modelo, já utilizado em 13 hospitais paulistas, possui um sistema flex e pode ser abastecido com diesel ou gás natural. O equipamento, além de cumprir suas funções de ar condicionado também resfria a água que é distribuída para toda a unidade de saúde. “O valor do equipamento é o mesmo de um ar condicionado comum, porém ele possui um custo operacional 15% menor e se utilizado com gás não agride o meio ambiente”, completa Breda.

O GHP ou bomba de calor a gás possui função similar ao Shiller, porém, ao invés de resfriar a água ele a aquece, substituindo caldeiras e reduzindo ainda mais o custo operacional da instituição. O Gas Heat Pump é modular, e pode ser expandido de acordo com a demanda do hospital. “Hoje o GHP, de fabricação japonesa, é utilizado em todos os hospitais da Ásia e em parte da Europa”, complementa Breda.

Uma terceira opção, ainda não aplicada no Brasil é o equipamento de cogeração de energia. Simultaneamente este equipamento, também movido a gás natural ou diesel, pode gerar energia, calor e refrigeração para aquecer ou resfriar a água do hospital e também vapor. Segundo a Comgás, o aparelho de cogeração de energia possui um custo operacional 30% menor que os geradores disponíveis no mercado e seu retorno financeiro é de quatro a cinco anos.

De olho neste mercado, com um potencial de consumo de 20 milhões de m³ (Mês???) apenas para São Paulo, a Comgás vem fomentando o uso dessas tecnologias no setor hospitalar prestando consultorias, mediando a compra de equipamentos, e, em alguns casos, até oferecendo uma ajuda de custo para que a instituição de saúde possa adquirir o equipamento.

Gestão

Para o sócio e consultor em planejamento energético da Fiorentini Arquitetura Hospitalar, Domingos Fiorentini, o planejamento energético de um hospital começa na planta, e deve ser conduzido por especialistas no assunto. “É fundamental que o projetista tenha domínio cientifico sobre os processos de utilização de energia, caso contrário o profissional jamais terá condições de fazer um projeto voltado para este objetivo”, diz Fiorentini.

De acordo com o arquiteto, se o gerenciamento energético de um hospital for rigorosamente seguido levando em consideração princípios arquitetônicos como disposição de ambientes para melhorar a circulação de ar, o aproveitamento de luz e os recursos tecnológicos, como materiais que evitem a retenção de calor no interior das construções, pode-se economizar até 40% de energia.

Segundo o diretor da empresa Engenharia Clínica, Lucio Flavio de Magalhães, outro passo para o consumo adequado de eletricidade é o dimensionamento de cargas que deve ser realizado nos hospitais, ou seja, a quantidade de kilowatts que um equipamento médico consome. “Com o dimensionamento de carga conseguimos mapear o consumo de todos os aparelhos utilizados no hospital e dessa forma mensurar a quantidade de energia que será gasta, reduzindo o índice de desperdício”, afirma o engenheiro.

Outra medida que pode ser adotada pelas instituições para controlar o desperdício de energia é o mapeamento de consumo. Por meio desse mapeamento, feito por medidores instalados nos equipamentos, a unidade de saúde terá um panorama sobre o destino de toda a energia utilizada no hospital. “Para um monitoramento eficiente, é ideal que sejam instalados medidores em cada centro de custo do hospital, dessa forma fica mais fácil fazer o rateio das despesas com energia na hora em que a conta de luz chegar”, considera Magalhães.

A instalação de geradores movidos a combustíveis fósseis também são uma alternativa para a redução na conta de luz dos hospitais, mas nesse caso devem ser levadas em consideração as questões ambientais e de infraestrutura da unidade para abrigar tais equipamentos.

Outro ponto levantado por Magalhães que afeta diretamente o orçamento dos hospitais é o contrato de fornecimento de eletricidade com a operadora de energia. “Caso o planejamento de consumo não seja feito, um hospital pode consumir mais energia do que o previsto pelo contrato e pagar multas bem altas pelo excesso de energia consumida”, completa Magalhães.

O engenheiro ressalta que a revisão de consumo de energia deve ser sistemática, indo da simples conferência da conta de luz até o mapeamento de consumo nos aparelhos.

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