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Gestão baseada em resultados amplia recursos destinados a projetos da OMS

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Nos últimos cinco anos, o Special Programme for Research and Training in Tropical Diseases (TDR), da Organização Mundial de Saúde (OMS), teve seu orçamento bienal elevado de U$ 50 milhões para U$ 100 milhões. Segundo informações da Fundação Oswaldo Cruz, mudanças no modelo de gestão do órgão e bons resultados agradaram a novos e antigos doadores, ampliando o volume de recursos destinados à pesquisa e ao desenvolvimento de produtos para enfermidades tropicais, como esquistossomose, malária e doença de Chagas. O coordenador dessa experiência bem sucedida é o ex-diretor do TDR e ex-presidente da Fiocruz Carlos Morel, que acaba de retornar à Fundação como responsável pelo Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS). “Montamos uma administração mais dinâmica e exigente interna e externamente, aumentando a confiabilidade. Com isso, nosso orçamento, que vinha caindo há dez anos, recuperou-se e atingiu seu nível mais alto”, explica Morel.
Um dos primeiros passos para aumentar o dinamismo do TDR foi o desenvolvimento de um sistema de gestão baseado em resultados. Os projetos passaram a ser acompanhados por um coordenador de doença e um coordenador de função, que analisam o andamento das atividades quatro vezes ao ano. Além disso, consultores externos avaliam anualmente o trabalho dos grupos de pesquisa e desenvolvimento. Caso um projeto seja interrompido, os recursos que seriam destinados a ele são realocados.
Paralelamente, Morel comandou a mudança nas normas de captação de recursos, acabando com o teto que limitava a quantidade de verba que podia ser alocada em um único projeto e criando um piso, para evitar a desestruturação de pesquisas menos atraentes aos olhos dos doadores. Além disso, também foi facilitada a entrada de doações rotuladas, destinadas a projetos ou áreas específicas. As restrições no recebimento desse tipo de dinheiro criavam problemas para governos e instituições que só ofereciam verbas rotuladas, como os EUA. No entanto, a liberdade na aceitação de recursos gerou o temor de que os doadores passassem a dirigir o órgão.
“Para evitar isso, passamos a oferecer um menu de projetos pré-aprovados aos financiadores, que escolhem dessa lista os destinatários de suas doações. Depois disso começamos a pegar dinheiro grande. Só a Fundação Bill e Melinda Gates deu U$ 10 milhões”, conta. Segundo ele, esse montante foi usado na criação da Medicine for Malaria Venture, uma entidade autônoma voltada para o desenvolvimento de medicamentos contra a malária, que atua em conjunto com o TDR nas pesquisas sobre a doença.
Outra mudança que gerou aumento nas doações foi a aproximação dos setores de pesquisa e controle de endemias, necessidade sinalizada desde a terceira revisão externa do TDR, feita em 1998. “As duas áreas trabalhavam em direções opostas, com brigas que quase chegavam a tapas”, lembra.
Depois de algumas reuniões de avaliação, chegou-se à origem do problema: uma orientação da segunda revisão externa indicou a necessidade de definição clara e separação de responsabilidades nos trabalhos realizados pelo órgão. A pesquisa deveria desenvolver uma ferramenta de saúde pública até mostrar sua eficácia. Só então a equipe de controle implantaria o novo instrumento nos sistemas de saúde. Entretanto, a transferência dessas ferramentas do laboratório para o hospital é delicada e pode ser dificultada por questões econômicas, políticas e culturais. Para minimizar esse problema, foi montada a área de pesquisa de implementação. Um grupo chefiado pelo professor Paul Farmer, da Universidade de Harvard, passou a analisar a causas da pobreza, suas relações com a saúde e como isso atrapalha a introdução de produtos desenvolvidos pelo setor de pesquisa.
“A distância entre a aprovação do princípio do remédio e a sua utilização no sistema de saúde é imensa. Aí você encontra um grande vácuo. Um exemplo é o mosquiteiro impregnado. Em alguns países africanos, as pessoas se recusavam a usá-lo porque o relacionavam ao véu que cobria os mortos nos funerais. É uma questão puramente comportamental”, exemplifica Morel.
As mudanças gerenciais e o aumento da quantidade de recursos permitiram que o TDR atingisse resultados animadores na pesquisa em doenças tropicais, área negligenciada por boa parte da indústria farmacêutica. O seqüenciamento do genoma do Anopheles, vetor da malária, e o registro da Miltefosine para o tratamento da leishmaniose são exemplos das conquistas obtidas no período. “O TDR assumiu a liderança na pesquisa e desenvolvimento de ferramentas para combate de enfermidades tropicais”, avalia Morel.

Mais informações no site da Fundação Oswaldo Cruz www.fiocruz.br/ccs

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