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Gestão ambiental pode reduzir 30% dos custos da operação hospitalar

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Mais do que desempenhar bem o seu papel social, que prover cuidados à população, os hospitais precisam também assumir outra responsabilidade social que é cuidar do meio ambiente. Para o presidente da Fundação Unió, de Catalunha, Boi Garcia, criar uma governança de gestão ambiental e desenhar um planejamento estratégico para esse fim, com objetivos e processos estabelecidos, são ações que já deveriam ser adotadas pelas instituições de saúde. “O meio ambiente é mais um paciente do qual o hospital precisa cuidar”.

Nos 65 hospitais que integram a fundação, o impacto ambiental é avaliado em todas as atividades desempenhadas, tanto assistenciais como as de suporte e operacionais. “Antes de desenhar um planejamento estratégico ambiental, é preciso avaliar as atividades sob três aspectos: mensurar a gravidade do impacto ambiental, sua magnitude e a freqüência com que acontece. A partir daí tem-se uma diretriz para o projeto”, ensina.

Além da preservação do meio ambiente, as medidas para o desenvolvimento sustentável das instituições também têm impacto direto no cuidado com os pacientes, no ambiente de trabalho para os funcionários e na eficiência financeira das instituições. De exemplos, o professor demonstrou a redução de 15% no tempo de internação de pacientes, em um hospital da Coréia, que adotou uma iluminação ambiente nos quartos; o Hospital de Bronson, em Michigan, EUA, também reduziu o tempo de internação e a rotatividade de enfermeiros em 7% adotando um sistema de ventilação mais adequado e uso de música ambiente no prédio.

A maior preocupação que os hospitais precisam ter ao adotarem um projeto de sustentabilidade é a eficiência energética. Garcia aponta que na Espanha os hospitais são responsáveis pela utilização de 3% de toda energia elétrica do país, e cada unidade gasta por ano de 2 a 5 milhões de euros com energia elétrica. A área mais dispendiosa é a da climatização, responsável pelo uso de 65% da energia do hospital. “Existem alternativas que exigem investimentos altos. O mercado de energia precisa inovar, assim como a indústria de equipamentos, que precisam desenvolver aparelhos de baixo consumo”, salienta.

A escolha de fornecedores que estejam alinhados com as medidas sustentáveis do hospital, assim como a eliminação seletiva dos resíduos, e adoção da “eco-construção”,  são iniciativas que podem trazer um impacto significativo na gestão ambiental de cada instituição.

Para se ter um planejamento eficiente, processos e métodos de avaliação também são necessários. Garcia destaca algumas metodologias que podem orientar a gestão ambiental das instituições, como a SDU, adotada pelo Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), e HQE. Em certificações, o executivo destaca a ISO 14000, o HQE e EMAS para processos, e a certificação Leed para estrutura.

Os hospitais verdes ou sustentáveis, que estão totalmente de acordo com as normas de sustentabilidade ambiental, conseguem alcançar resultados eficientes, tanto em termos de impacto no meio ambiente como econômico. Essas instituições conseguem reduzir em 30% o consumo de energia,  em 40% o consumo de água, em 35% a emissão de CO², e em 70% os resíduos sólidos.

Na visão de Garcia, é preciso haver uma discussão ampla no setor para a adoção de gestão ambiental nas instituições e nas políticas de saúde. Entre os benefícios dessa medida estão a segurança do paciente, uma melhor relação com a comunidade, eficiência econômica, além da preservação do meio ambiente. “Esse é um compromisso moral com a sociedade”, enfatiza

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