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Fiocruz reduz preço de diagnóstico de Aids

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A produção de dois testes de detecção do vírus da Aids está entre os principais projetos do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) da Fiocruz. O principal objetivo da empreitada é a redução em até 50% do atual preço dos testes para a rede pública. “Além disso, a longo prazo pretendemos aplicar a mesma tecnologia desses produtos para a fabricação de testes para diagnosticar outras doenças, como dengue, leptospirose, hepatite e leishmaniose”, afirma o chefe do Laboratório de Reagentes de Bio-Manguinhos, Antônio Ferreira. Segundo a assessoria de imprensa da Fiocruz, o projeto para a fabricação dos testes tornou-se possível graças a dois acordos tecnológicos feitos por Bio-Manguinhos: o primeiro com um laboratório americano e o outro com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com os americanos, Bio-Manguinhos fechou um convênio de incorporação de tecnologia para produzir kits com testes rápidos para a detecção do HIV1 e HIV2 (dois tipos de vírus da Aids) no sangue. Com a universidade carioca há o desenvolvimento em conjunto para a elaboração de um teste para a verificação da carga viral também do HIV1 e HIV2 no corpo humano.
Os testes rápidos para o vírus da Aids caracterizam-se por levar, em média, apenas três minutos para verificar se um paciente está infectado ou não, sendo de suma importância para diagnósticos prematuros, como em grávidas que não fizeram pré-natal ou em recém-nascidos, evitando assim que estes sejam infectados pela mãe que estiver doente. Para produzi-los, Bio-Manguinhos comprometeu-se a comprar, por ano, um mínimo de 300 mil testes junto ao laboratório americano. Em contrapartida, os estrangeiros ensinarão, no decorrer de três ou quatro anos, todas as etapas para a fabricação dos kits. “Ao final do período previsto, Bio-Manguinhos já estará apto a produzir por conta própria os testes e por apenas US$ 1,50, metade do preço atual”, assegura Ferreira.
Quando um indivíduo está infectado com o HIV, para seu tratamento faz-se necessário monitorar constantemente a quantidade do vírus presente no seu organismo. Só assim os médicos podem receitar corretamente qual medicação será tomada para o enfrentamento adequado da doença. “Esse monitoramento é feito com testes de carga viral comprados junto à iniciativa privada e com um custo estimado em US$ 20 por unidade”, diz Ferreira. Como alternativa, a UFRJ já desenvolveu seu próprio teste e em conjunto com Bio-Manguinhos pretende que o produto substitua o utilizado atualmente, com o custo reduzido pela metade. “Esperamos aplicar esses testes em três dos 60 laboratórios que o usam hoje no Brasil e desejamos que em 2004 toda a rede pública utilize apenas essa tecnologia que é bem mais barata”, diz Ferreira.
Os dois produtos a serem fabricados por Bio-Manguinhos trazem vantagens claras: por saírem pela metade do preço, representam uma economia imediata de milhares de reais para os cofres públicos e sua produção por uma estatal permite que o Brasil não fique à mercê da variação do dólar, que regula os preços dos testes produzidos pela iniciativa privada. Finalmente, a incorporação da tecnologia envolvida em sua fabricação abre perspectivas para a produção de kits para outras doenças.

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