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Fiocruz lança livro sobre a saúde dos povos indígenas

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Muito pouco se conhece sobre a saúde dos povos indígenas no Brasil, além do fato de que as doenças infecciosas foram cruciais no processo de subjugação frente ao expansionismo ocidental. O livro “Epidemiologia e saúde dos povos indígenas no Brasil”, recém-lançado pela Editora Fiocruz, tenta mostrar as condições de saúde nas tribos indígenas no Brasil de hoje, com intensas transformações tanto nos perfis epidemiológicos como na estrutura do sistema de atenção. O texto alerta para o fato de que, apesar de as doenças infecciosas continuarem a ocupar um papel central no perfil epidemiológico indígena no país, surgem rapidamente outros agravos importantes, que incluem as doenças crônicas não transmissíveis diabetes mellitus, hipertensão arterial, neoplasias, alcoolismo e obesidade. Trata-se de uma seleção de 12 textos e experiências discutidos durante uma oficina de trabalho realizada no V Congresso Brasileiro de Epidemiologia, em Curitiba. Os autores são de diversas áreas da saúde coletiva, como antropologia, biologia, enfermagem, farmácia, medicina, nutrição e odontologia e abordam morbi-mortalidade, organização dos serviços de saúde e análise das políticas públicas.
A situação da saúde dos povos indígenas no Brasil é frágil. E o pior é que não há dados representativos sobre essa situação. Em um documento do Ministério da Saúde de 2002, citado no livro, lê-se que ?Embora precários, os dados disponíveis indicam, em diversas situações, taxas de morbidade e mortalidade três a quatro vezes maiores que aquelas encontradas na população brasileira geral. O alto número de óbitos sem registro ou indexados sem causas definidas confirmam a pouca cobertura e baixa capacidade de resolução dos serviços disponíveis?.
Segundo dados do Instituto Socioambiental (ISA), mencionados no livro, há aproximadamente 216 povos indígenas no país, totalizando cerca de 350 mil indivíduos, menos de 0,5% da população brasileira (ver http://www.socioambiental.org). Desde 1999 vem ocorrendo a implantação dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei), de norte a sul do País (atualmente há 34 deles). Um dos grandes desafios é consolidar o modelo, envolvendo centenas de milhares de usuários e agências governamentais e não-governamentais, sem perder de vista a imensa sociodiversidade indígena, bem como a heterogeneidade de perfis epidemiológicos.

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