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Fiocruz inaugura Unidade de Transgênese em Salvador

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A Fundação Oswaldo Cruz inaugurou hoje, o Banco de Embriões de Camundongos e a Unidade de Transgênese do Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz (CPqGM), unidade da Fiocruz em Salvador, informa a assessoria de imprensa da Fiocruz. O Banco de Embriões garantirá auto-sustentabilidade na geração de animais de laboratório, indispensáveis para o estudo experimental de inúmeras doenças, enquanto a Unidade de Transgênese vai instalar a tecnologia necessária para o desenvolvimento de novas linhagens de camundongos geneticamente modificados, fundamentais para o teste de novos medicamentos, o estudo da resistência a doenças e, sobretudo, para o avanço nos estudos da terapia gênica. Com a implantação do Banco de Embriões e da Unidade de Transgênese, a Fiocruz passa a ter a mesma infra-estrutura que os mais avançados institutos de pesquisa no mundo.
Coordenados pelos imunologistas Ricardo Ribeiro dos Santos e Milena Botelho Pereira Soares, o Banco de Embriões e a Unidade de Transgênese são resultado da cooperação dos doutores Jean-Louis Guénet e Charles Babinet, do Instituto Pasteur, de Paris. Charles Babinet é um dos pioneiros nas técnicas de transgênese na França e um dos maiores especialistas em desenvolvimento de mamíferos no mundo, responsável pela direção do Laboratório de Desenvolvimento Biológico do Instituto Pasteur. Jean-Louis Guénet foi diretor científico do instituto francês, é um dos maiores especialistas em genética de animais de laboratório e atualmente coordena a Unidade de Genética de Mamíferos do Instituto Pasteur. A colaboração com a Fiocruz é parte de um programa de cooperação tecnológica entre o Instituto Pasteur e os países do Mercosul que teve início em 2001, o Programa AMSUD/Pasteur, voltado para o desenvolvimento de pólos tecnológicos regionais em saúde pública e para a formação de recursos humanos de alto nível técnico-científico.
Dotado de toda a infra-estrutura de congeladores de células, lupas e micromanipuladores necessária para a criopreservação, o Banco de Embriões permitirá a estocagem tanto de linhagens de camundongos isogênicos, aquelas de indivíduos geneticamente idênticos usadas em biotérios convencionais, quanto de linhagens de camundongos geneticamente modificados, que possuem características fisiológicas ou imunológicas específicas. “A criação de animais de experimentação é cara, laboriosa e conta com o risco de contaminação genética ou infecciosa”, Milena Soares avalia. “Além disso, está comumente associada à diminuição da taxa de fertilidade entre os animais. Estes entraves, aliados ao fato de que a maioria dos biotérios existentes no Brasil e no exterior não tem a capacidade de manter um grande número de linhagens diferentes, motivaram a criação do Banco de Embriões”, resume. A pesquisadora explica que a estocagem de embriões congelados permite a manutenção de uma variedade de linhagens de camundongos que seria inviável nas tradicionais colônias de criação. Além de atender as demandas das linhas de pesquisa da Fiocruz, o Banco de Embriões poderá favorecer outras instituições brasileiras através do fornecimento de matrizes.
Paralelamente ao Banco de Embriões, a Unidade de Transgênese permitirá o desenvolvimento de novas linhagens geneticamente modificadas que são interessantes para o estudo das bases genéticas, dos mecanismos de resistência a doenças, da terapia gênica e ainda para o teste de novos medicamentos. Equipada com microscópios estereoscópicos, microscópios invertidos com micromanipuladores e microforja para a confecção de pipetas para a manipulação genética dos embriões, a Unidade de Transgênese poderá beneficiar inúmeras linhas de pesquisa desenvolvidas na Fiocruz, como os estudos de cirrose, doença de Chagas e malária, além das terapias inovadoras com células-tronco de medula óssea. Para a formação de profissionais competentes para o trabalho que será desenvolvido na Unidade de Transgênese está sendo realizado, entre 15 e 26 de março, o curso de Genética de Roedores de Laboratório com ênfase em genética de camundongos. Coordenado pelos doutores Jean-Louis Guénet e Ricardo Ribeiro dos Santos, o curso vai qualificar 25 cientistas.

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