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Fiocruz desenvolve método de diagnóstico com saliva para hepatite A

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Principal causa de hepatite aguda no Brasil, a hepatite A acomete principalmente crianças e jovens. Para confirmar o diagnóstico, é necessário coletar uma amostra de sangue na fase aguda da doença para testes de laboratório. A coleta do sangue, feita com agulhas descartáveis, costuma ser um procedimento traumático para crianças. Além disso, quase 90% das crianças menores de 6 anos de idade, quando infectadas pelo HAV, não apresentam sintomas. Pesquisa feita no Instituto Oswaldo Cruz (IOC), da Fiocruz, mostra que, nos testes para diagnóstico da hepatite A, a amostra de sangue pode ser substituída por uma de saliva. A saliva é um material bem mais fácil de ser coletado em crianças pequenas. Embora a maioria das crianças infectadas não apresentem sintomas, elas liberam 100 milhões de partículas virais por grama de fezes e podem, assim, transmitir o vírus para os irmãos, para outras crianças na escola e para os adultos em casa. A via de transmissão é fecal-oral, de uma pessoa a outra e pela ingestão de água e alimentos contaminados.
A hepatite A costuma ser mais grave nos adultos, que quase sempre apresentam sintomas como mal-estar, náusea, cansaço, dor de cabeça e febre, além de pele e olhos amarelados. Em pacientes com mais de 49 anos, 17 em mil falecem em decorrência da doença. Antes dos cinco anos de idade, apenas 3 em mil casos evoluem para o óbito. Diferente das hepatites B, C e D, a hepatite A não se torna crônica.
Estima-se que a hepatite A represente mais de 60% dos casos de hepatites virais. Quem já teve a doença adquire imunidade duradoura, assim como quem foi vacinado. A vacina contra a hepatite A é eficaz, mas tem um custo elevado para um programa mais amplo de vacinação. O Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, disponibiliza essa vacina apenas nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (Crie).
No diagnóstico clássico, a detecção de anticorpos contra o HAV no sangue indica que o paciente está ou já esteve infectado. A Fiocruz adaptou o teste para o uso da saliva, bem mais simples de ser coletado.
Nos países pobres, que carecem de saneamento básico, as crianças se infectam com o HAV logo nos primeiros anos de vida, e a maioria dos adultos, por já ter sido infectada na infância, fica imune à doença. Esse quadro se inverte nos países mais desenvolvidos, onde as crianças raramente se contaminam e, assim, se tornam adultos suscetíveis. Estes, quando viajam para áreas endêmicas, correm o risco de contrair o HAV e desenvolver sintomas mais graves. Já nos países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, onde as condições sanitárias têm melhorado, a tendência é que haja menos crianças doentes e mais adultos suscetíveis, o que aumenta o risco de ocorrência de surtos epidêmicos.

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