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Falta de recursos provoca fechamento de hospitais

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CUIABÁ (MT) – A situação dos hospitais privados e filantrópicos de Mato Grosso, que enfrentam sérias dificuldades financeiras, foi discutida na última quinta-feira, 19, em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa. Muitas unidades, em especial do interior, deixaram de prestar atendimento à população, contribuindo para o aumento da falta de leitos, um dos grandes gargalos da saúde no Estado.

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De acordo com o vice-presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, deputado Guilherme Maluf “a cada dia um hospital deixa de funcionar. O governo precisa entender que ser parceiro de um hospital particular custa menos do que construir uma nova unidade”.

Uma das várias cidades que passam por crise na saúde privada é Nortelândia. O prefeito Neurilan Fraga, presente à audiência, disse que o único hospital da cidade corre o risco de fechar. “Ambulância não resolve o problema. Todas as vezes que precisamos trazer um paciente a Cuiabá, ele está perdendo horas de vida”, declarou o prefeito, acrescentando que a superlotação no Pronto-Socorro de Cuiabá pode aumentar ainda mais com o fechamento de hospitais no interior.

Segundo o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Hospitalares de Mato Grosso, José Ricardo Melo, existem hoje no Estado cerca de 70 hospitais da rede particular, “a maioria com riscos de fechar as portas”. Ele diz que a grave situação se deve pela falta de investimentos no setor e pelos altos impostos.

“O problema é que, em muitos municípios, o hospital privado é único na cidade e depende basicamente do convênio com o Sistema Único de Saúde e com a Prefeitura, que na maioria das vezes não têm recursos para custear os tratamentos mais complexos”. José Ricardo explica que o repasse do SUS não cobre todas as despesas do hospital, que muitas vezes precisa arcar sozinho com os gastos dos pacientes, além da demora no pagamento.

Segundo Guilherme Maluf, todos os hospitais particulares da Capital já romperam o convênio com SUS, devido à tabela defasada. No entanto, por força de medidas judiciais têm sido obrigados a realizar os procedimentos cirúrgicos sob a sanção de serem punidos por desobediência e omissão de socorro. “O curioso é que existem liminares para obrigar o hospital a realizar o atendimento, mas não tem liminar para obrigar o pagamento”.

Durante a audiência pública foi sugerida a criação de um grupo de trabalho formado por representantes do Ministério Público, Judiciário, Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Secretaria de Estado de Saúde e Sindicato para auxiliar os trabalhos da comissão de Saúde na Assembléia e levar a questão ao conhecimento do Governo do Estado e ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

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