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Falência dos hospitais?

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“As operadoras pensam que pagam o preço justo e os prestadores de serviços pensam que recebem pelo serviço que prestam. Ambos estão enganados e se este círculo vicioso continuar levará, em curto prazo, a falência de todos”. É assim que diretor superintendente do Hospital São Vicente, de Curitiba, Marcial Ribeiro, classifica a atual situação no setor de saúde suplementar. O caso é que no SUS o atendimento sofre com a alta demanda enquanto as operadoras de planos de saúde enfrentam um alto custo per capita pela incorporação de novas tecnologias que encarecem o processo diagnóstico.

Ribeiro vai além e critica a ação das operadoras de planos de saúde, que tem como norma as glosas. “Essa atitude [das glosas sem justificativas] prejudica o orçamento dos hospitais porque não podem cumprir o que é planejado e assim não conseguem equilibrar suas contas”. Em contrapartida, o diretor presidente da Unimed Curitiba, Sérgio Ioshii, rebate a provocação e afirma que a cooperativa já trabalha no quesito de diminuir a glosa por meio de um ambiente com grupo de colaboradores que fazem relacionamento discutindo itens contraditórios que são passiveis de ocorrer a glosa. “O que tem em termos de glosa são erros humanos de preenchimento de documentos e repasse de informação, por exemplo. Daí a divergência! O que se fala de erros e glosas é tudo decorrente de um item essencial que é um investimento em TI, não tem isso ainda em que um sistema operacional converse entre eles permitindo transferência imediata de recursos. No ambiente tecnológico a quantidade de glosas e erros operacionais vão diminuir intensamente”.

Um estudo desenvolvido pelo Hospital São Vicente revela a relação de desconfiança entre operadoras e hospitais resultando em contabilidades fictícias. A partir de então, ambas as partes passaram a se reunir para encontrar uma proposta de trabalho que permita estabelecer uma nova forma de remuneração para os serviços prestados pelos hospitais e um padrão de atendimento para os segurados das operadoras. “A proposta é que juntos nós tenhamos um único auditor que poderá, com transparência, avaliar toda a documentação apresentada”, explica Ribeiro.

As reuniões, já em andamento, também preveem a criação de uma tabela de procedimentos, com a participação da Agência Nacional de Saúde Suplementar, baseada em protocolos médicos, incluindo órteses e próteses, que seriam adotadas por todos. De acordo com Ribeiro, os prestadores e operadoras entenderam que existem parâmetros a serem revisados.  “As operadoras têm que credenciar profissionais qualificados, aparentemente custa caro mas a sua qualificação leva a um melhor resultado. Há muitas razões para haja mudanças”, relata o diretor superintendente do Hospital São Vicente, Marcial Ribeiro.

A Unimed Curitiba, assim como hospitais filiados a Associação Paranaense de Instituições Hospitalares e as operadoras de saúde Amil, Bradesco Seguros, Fundação Copel e Geap, esteve presente no primeiro encontro como forma de obter um relacionamento mais próximo dos prestadores.

A primeira abordagem da reunião foi sobre a remuneração diferenciada, considerada por Ioshii uma ideia possível de ser acatada. “Não está nada decidido, mas há possibilidades de remunerar de acordo com a performance e o serviço, desde que haja mecanismos regulatórios e auditoria independente permitindo qualificação diferencial. Atualmente, no nosso ambiente o que rege é o contrato atual que é baseado no tipo de acomodação e procedimento”.

Além disso, Ioshii afirma seu incentivo por uma remuneração melhor. “Para que isso realmente aconteça é preciso um ambiente de confiança, mas nós entendemos que o core business dos hospitais é a hotelaria e qualidade de atendimento e não o ganho com materiais e medicamentos”. O executivo da Unimed Curitiba afirma que esta é uma nova realidade já passada para o grupo de valorização de hotelaria e deixado num ambiente de participação que seja negociado com preços justos. “Isso tudo com confiança mútua, porque deixar de ganhar num item acreditando que vai ganhar no outro é complexo”.

Uma preocupação apontada pelo presidente da cooperativa, Sérgio Ioshii, é a melhoria da sua gestão profissional, “uma peculiaridade dos prestadores é que tem um número significativo que é de gestão com características familiares, não é negativo mas precisa ser revisto porque os riscos da gestão familiar são maiores que os da gestão técnica”. Ioshii ressalta que nos últimos 6 anos a Unimed Curitiba tem investido na profissionalização de equipes técnicas e mercado, possibilitando uma reestruturação de forma adequada a ponto de a cooperativa ter sido liberada pela ANS do plano de recuperação. “Há 8 anos a Unimed Curitiba, decorrente de decisões do passado, passou por dificuldades financeiras e o plano previa a recuperação econômica e conseguimos terminar esse processo”.

Depois de ter participado da reunião, Ioshii conclui que esses parâmetro a serem reparados não são fatais para os hospitais, com a justificativa de que prestadores e operadoras não vivem um sem o outro. “Por melhor que seja a qualidade da população ainda teremos pessoas adoentadas e observamos que os hospitais estruturados dificilmente apresentam taxa de ocupação menor que 80%. A maioria dos grandes hospitais tem lista de espera para internamento”, argumenta.

Ioshii apenas clama por um resultado de parceria não judicial, como antigamente. “Isso cria ainda mais insegurança e não é construtivo para seguranças inovadoras”, conclui.  

Hoje, 79,5% da população brasileira dependem do Sistema Único de Saúde e os outros 20,5% tem plano de saúde complementar. Dados de 2005, apontam que o primeiro gasta R$ 32 bilhões para atender 143 milhões de pessoas e o segundo, R$ 24 bilhões para dar atendimento a 37 milhões de brasileiros, conforme informação do Hospital São Vicente.

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