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Executivos não vêem gastos com saúde como investimento futuro

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O conflito de interesses entre as operadoras de saúde, estado, prestadores e médicos, além de empresas contratantes, no sétimo mercado de saúde privada no mundo e segundo em volume populacional, desestabilizou toda a cadeia produtiva do setor. A saúde está em crise no Brasil. Segundo o consultor Luiz Fernando Figueiredo, da CRC Consultoria e Administração em Saúde, com o cenário atual é ?difícil às companhias brasileiras gerenciarem em prol da coletividade?. Em 1994, o foco era dado às receitas, seguidas posteriormente pelas despesas, processos administrativos, utilização, chegando em 2004 nos riscos. ?Se esgotaram os processos de utilização, até pela própria intensificação na regulação, a decisão na escolha da empresa é tecnocrática?, explica. O cliente brasileiro usa quase duas vezes mais seu plano de saúde que o preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 7, 8 consultas por ano, enquanto a OMS recomenda cinco visitas ao médico anuais.

Cerca de 80% dos clientes atendidos no sistema suplementar são provenientes de planos empresariais, segundo dados deste ano da Agência Nacional da Saúde Suplementar (ANS). A General Motors anunciou recentemente que perdeu US$ 1,1 bilhão no primeiro trimestre devido ao aumento de custos com saúde. No Brasil, o cenário não é diferente. Em fevereiro deste ano, a Petrobrás divulgou um rombo de R$ 13,3 bilhões ? 5.01 bilhões são relativos ao benefício saúde.
As empresas não querem arcar mais com o benefício e buscam repassar uma parcela significativa dos custos para os funcionários. ?Os executivos não vêem gastos com saúde como investimento futuro, por isso muitas empresas ou passam a responsabilidade para o funcionário ou buscam formas de diminuir esses custos, como a auto-gestão?, afirma.
O conflito de interesse fica claro. ?O que representa custo para as operadoras, significa remuneração para os prestadores de serviços. Não dá para amenizar essa relação com o modelo vigente no mercado supletivo brasileiro?, explica. O pagamento por serviços, o chamado ?fee for service?, estimula fraudes e intervencionismos no sistema, além de obrigar a adoção de controles rígidos e constantes auditorias e fiscalização, o que acresce os gastos totais.
O consultor explica que o modelo de remuneração ainda é o principal problema da saúde suplementar brasileiro. ?É necessário mudar pagamento por produção para critérios de qualidade e eficiência?, afirma. Alternativas como pagamento por ?captation? (pacotes de procedimentos) e modelos de remuneração variável são algumas possibilidades em estudo.

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