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Estudo revela que pacientes com Delirium têm risco de morte três vezes maior

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Delirium é uma fonte frequente de morbidade nas Unidades de Terapia Intensiva. Trata-se de uma perturbação da consciência acompanhada por uma alteração na cognição, que não pode ser atribuída à demência preexistente ou em evolução. É uma síndrome clínica e orgânica de etiologia múltipla e frequentemente mal diagnosticada. E mais grave: pode levar ao óbito.

No dia 29 de maio, o médico intentivista Dr. Jorge Salluh participará do VII Fórum Internacional de Sepse, que ocorrerá em Búzios, no Hotel Pérola, no estado do Rio de Janeiro. Na ocasião, apresentará os resultados do Estudo Multicêntrico de Delirium na América Latina. O objetivo da pesquisa foi avaliar a epidemiologia do Delirium em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

Na pesquisa, o Delirium foi associado à gravidade da doença aguda, diagnóstico de sepse (infecção generalizada), presença de disfunção orgânica múlltipla, uso de medidas de suporte invasivo e administração de midazolam (tipo de sedativo). “Selecionamos pacientes de 102 Unidades de Terapia Intensiva da América Latina, uma da Espanha e uma dos Estados Unidos. Ao todo, foram 497 pacientes avaliados, sendo que, desses, 32% apresentaram Delirium”, explica Dr. Jorge Salluh.

Segundo os dados revelados, pacientes com Delirium tiveram mortalidade maior (na UTI e no hospital) e tempo de internação prolongado, se comparados a pacientes sem Delirium. O estudo também confirma o que já havia sido apresentado em pesquisas anteriores. “O uso de benzodiazepínicos, em especial em infusão contínua e prolongada, está associado a maior frequência de Delirium e à disfunção cognitiva de longo prazo. Ressalto que esse aspecto não foi avaliado em nosso estudo, mas há fortes evidências na literatura”, afirma Dr. Salluh.

O estudo revela, ainda, que a tendência é utilizar menos sedativos. De forma geral, estratégias que reduzam a exposição do paciente a sedativos, em especial aos benzodiazepínicos, indicam estar associadas a menor morbidade. A alternativa, segundo o médico Dr. Jorge Salluh, é a substituição por sedativos de outras classes terapêuticas que garantem a sedação superficial, mantendo o paciente sempre alerta, como alfa-agonistas, opioides ou propofol. Tais substâncias apresentaram resultados significativos na redução na incidência de Delirium e outras complicações, consequentemente, o índice de mortalidade e morbidade devido ao Delirium.

É preciso também humanizar as UTIs. “Garantir silêncio, ciclos de luz para dia e noite, atenção às demandas individuais dos pacientes, terapia ocupacional e presença de familiares na UTI são fundamentais. Obviamente, tudo isto deve estar aliado a uma forte aderência da equipe às ‘boas práticas de sedação’, escolhendo drogas e doses de forma adequada tendo como meta redução de Delirium e da duração da ventilação mecânica”, reforça Dr. Salluh.

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