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Estudo aponta falta de preparo de profissionais de saúde na prevenção da Aids em bebês

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Um estudo da Escola de Enfermagem da USP, organizado pela enfermeira Regiani Nunes Oliveira, apontou que os profissionais de saúde apresentam insegurança no trato de questões ligadas à DST/Aids e sua relação com a gravidez. Cerca de 86% das crianças de zero a 13 anos notificadas com Aids, na cidade de São Paulo, têm como causa da doença a transmissão vertical, que pode ocorrer em três fases: durante a gestação, pela placenta, no contato do bebê, com o sangue da mãe contaminada no momento do parto, ou ainda por intermédio do aleitamento materno. De acordo com o estudo, estes riscos poderiam ser diminuídos em 2% a cada ano (o equivalente a 23 casos) se políticas de prevenção à transmissão da Aids em gestantes fossem aplicadas com maior regularidade e por profissionais melhor preparados. A enfermeira visitou sete unidades básicas de saúde da região de Santana, onde entrevistou 79 gestantes e profissionais dos serviços de pré-natal. Seu trabalho defende não só o constante treinamento dos profissionais de saúde, mas também a necessidade da presença de uma equipe multiprofissional, formada por ginecologistas, psicólogos, pediatras e enfermeiros.
As unidades básicas de saúde, cujo antigo nome era “postos de saúde”, funcionam como primeiro contato com o paciente. É a partir delas que os casos mais simples são tratados e os demais, redirecionados para profissionais específicos. Ao procurar orientação para o pré-natal, a gestante, muitas vezes, é indicada ao teste de HIV sem saber para quê se destina o exame. “Não há um esclarecimento para a voluntariedade do teste e, quando ele é realizado, o resultado pode demorar até cinco meses para ser entregue, impossibilitando um tratamento mais eficiente”, declara a pesquisadora. Da mostra analisada, 91% das mulheres fizeram o exame. Destas, apenas duas realizaram voluntariamente e somente 13% receberam o resultado em até um mês após a coleta.
Quanto mais cedo for detectada a presença do HIV, mais rápido será seu combate com anti-retrovirais, medicamentos específicos usados na doença. O tratamento inicia-se a partir da 14ª semana de gestação, fazendo com que a criança tenha chance menor de 2% de nascer soropositiva. “O que está em jogo não é a competência do profissional, mas a falta de recursos e capacitação freqüente. Muitos casos poderiam ser evitados se tanto o médico quanto a paciente obtivessem as informações necessárias”, salienta.
Ações conduzidas por uma equipe multiprofissional tornariam o atendimento mais eficaz. Enfermeiros e psicólogos poderiam atuar junto à grávida quanto ao seu pré-natal e também quanto à sua saúde sexual, mas a falta de um programa conjunto implica ainda mais na desinformação da usuária do sistema público de saúde.
Entre 2001 e 2002, com a retomada do Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade de São Paulo, os casos de crianças infectadas caíram de 75 para 43 casos. Segundo dados do Boletim Epidemiológico do município de São Paulo de 2003, Santana é a quarta região com maior incidência de Aids entre mulheres, perdendo apenas para as áreas da Sé (Centro), de Brasilândia e de Cachoeirinha (ambas na Zona Norte). Desde 2001, a pesquisadora atua junto a uma equipe da Secretaria de Saúde e vem implantando medidas para o enfrentamento da transmissão vertical em toda cidade, especialmente nas regiões mais periféricas, onde os índices são mais elevados.

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