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Estudo alerta para falta de capacitação na área de saúde mental

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Um estudo desenvolvido na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aponta a necessidade de capacitar os clínicos gerais que atuam na rede básica de saúde, para que identifiquem melhor os problemas de saúde mental. Coordenado pelo pesquisador Dinarte Alexandre Prietto Ballester, médico especialista em Medicina Geral Comunitária e doutor em psiquiatria pela Unifesp, o trabalho envolveu 41 médicos generalistas, de Porto Alegre e Parobé, cidades do Rio Grande do Sul, e deu origem a uma tese de doutorado.

Os médicos passaram por testes de conhecimento sobre sete problemas de saúde mental. Todos foram avaliados antes e depois de passarem por um programa de capacitação e de receberem materiais de apoio, como um manual e um software que ajudam no aprendizado sobre diagnósticos e tratamentos de problemas mentais.

A conclusão do trabalho indicou que é recomendável investir em programas de atualização permanente, inclusive utilizando o ensino à distância. Segundo Sérgio Andreoli, especialista em saúde coletiva, professor da Unifesp e orientador da tese de doutorado, os médicos têm receio de atender pacientes com transtornos mentais e muitas vezes identificam o problema, mas não sabem o que fazer. Para Andreoli, a grande incidência de transtornos mentais na população tem estimulado a busca de soluções por parte de algumas instituições de ensino e assistência à saúde.
Antes do estudo verificou-se que os médicos generalistas encontravam dificuldades para diagnosticar e aplicar tratamentos efetivos para os transtornos mentais. Além disso, alegavam que o tempo para atendimento é muito curto e que não conseguiam dar a atenção necessária. Após o treinamento, alguns profissionais disseram estar olhando diferente para aqueles pacientes que sempre estão no Posto de Saúde.

Especialistas acreditam que a depressão, o transtorno obsessivo-compulsivo e a esquizofrenia estarão entre os dez principais problemas de saúde do mundo logo nas primeiras décadas deste novo milênio.

De acordo com estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS), (World Health Report 2001), seis distúrbios neuropsiquiátricos estavam entre as vinte principais causas de problemas na população: depressão, transtornos por uso de álcool, esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar, demência e enxaqueca.

Em Porto Alegre os diagnósticos mais freqüentes foram os transtornos causados pelo uso de substâncias psicoativas, incluindo o tabaco (24,6%), transtornos de ansiedade (23%) e transtornos afetivos (10,7%). A maioria destes pacientes é atendida pelas equipes de cuidados primários, constituindo cerca de 25% a 30% dos atendimentos.

Além da falta de capacitação médica na detecção de distúrbios mentais, a tese alerta para outro grande problema que é o abuso de tranqüilizantes. Segundo Andreoli enquanto uma parcela significativa da população ainda não tem acesso a tratamentos adequados, há uma tendência ao abuso de tranqüilizantes, inclusive pela automedicação, sendo os médicos generalistas aqueles que mais prescrevem estes medicamentos para pessoas com problemas mentais comuns.

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