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ESPERANÇA NUCLEAR PARA A MEDICINA

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Elementos com radiação beta mostram-se eficazes no

tratamento de determinadas doenças, agindo sobre as células comprometidas e preservando as áreas saudáveis

Por algumas décadas, a medicina nuclear foi vista como recurso diagnóstico – com exceção do tratamento com Iodo-131, usado desde 1970 para combate ao câncer de tireóide e também para o hipertireoidismo. Na virada do milênio, o quadro se modificou, com a sedimentação das Terapias com Radioisótopos. “Consiste em uma modalidade de tratamento que usa elementos que emitem radiação beta. Embora concentrem alta energia, esses elementos radioativos atuam quase que apenas sobre os tecidos doentes”, explica Dr. Gustavo Gomes, do corpo clínico do Grupo Núcleos Medicina Nuclear.

As chamadas terapias-alvo mostraram-se altamente eficazes onde antes a medicina encontrava limitadores. No caso dos tumores neuroendócrinos não-operáveis ou metastáticos, é utilizado o Octreotato-177Lu, com relevantes resultados. O protocolo consiste em quatro doses do radiofármaco, aplicadas em ambiente hospitalar com intervalo de 6 a 10 semanas. Estudos mostraram que cerca de 50% dos pacientes obtiveram resposta completa (desaparecimento da doença) ou parcial (redução maior ou igual a 50% do tamanho das lesões, acompanhada de melhora dos sintomas). Além disso, foi identificado um ganho de sobrevida de 40 a 72 meses. “Nos casos conduzidos por nossa equipe, as estatísticas foram similares”, comenta Dr. Gustavo.

A Hidroxiapatita- 153Sm é outro radiofármaco com importante atuação terapêutica. O tratamento, chamado de radiosinoviortese visa combater a dor, o edema e restaurar a mobilidade de pacientes que sofrem de artrite reumatóide. “É padrão-ouro no caso artropatia hemofílica”, destaca Dr. José Calegaro, médico do Núcleos. As aplicações intra-articulares são feitas em ambulatório.

PALIATIVO

Outra terapia de grande impacto é realizada para dores ósseas decorrentes de metástases. “Nesse caso, usamos o EDTMP-153Sm, aplicado de maneira intravenosa, também ambulatorialmente”, descreve Dr. Gustavo. O especialista esclarece que os pacientes com indicação para o tratamento chegam a relatar redução na Escala de Dor (mínimo 0 e máximo 5) da seguinte ordem: iniciam a aplicação com 4-5, alcançam 2 na primeira semana, 1 na segunda semana e 0 na terceira.

“Embora paliativo, resgata a qualidade de vida, devolvendo para muitos a autonomia perdida em decorrência das complicações do câncer metastático. Sua duração varia de dois a seis meses e pode ser repetido”, complementa. As contra-indicações são consideradas tomando por base o estado geral do paciente, através do Índice de Karnovsky. Para efeitos de compreensão, pode se afirmar que os efeitos colaterais são bem menores que os da quimioterapia.

PERSPECTIVAS

Uma das promessas é o tratamento com anticorpo radiomarcado para linfomas não Hodgkin (LNH) refratários à quimioterapia, já aplicado nos Estados Unidos e em países da Europa e que se encontra em fase de estudo clínico no Brasil. “A potencialidade da radioimunoterapia já foi confirmada cientificamente. Nesse caso, os anticorpos específicos são geralmente marcados com o material radioativo Ítrio-90”, conclui Dr. Gustavo.

Carla Furtado

AthenaPress | Unidade do Grupo Athena

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