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Especialista critica pressão por novas tecnologias

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A Tecnologia da Informação voltada para a saúde foi debatida durante o Congresso de Gestão em Saúde – Unidas. Um dos palestrantes -o médico cirurgião geral e diretor comercial da Medinsight-Evidências, Fernando Fernandes- fez críticas a aspectos que, em sua opinião, levam a perversões do sistema de saúde.

 
Segundo Fernandes, existe uma escassez de novas drogas efetivas, já que a invenção de medicamentos demanda fortunas e acabam causando pequena melhora, resultando em um baixo custo-benefício. O especialista citou como exemplo a antiga e simples ideia de lavar a mão, que demanda baixo custo e representou grande avanço. Como contraponto, ele cita o robô que auxilia em procedimentos cirúrgicos como uma ideia complexa, de alto custo e pouco avanço.
“Existe uma pressão por prescrição, devido à oferta excessiva. É um sistema sem processo eficiente de incorporação.”
Segundo ele, a implementação de novidades tecnológicas com embasamento científico ajudaria a conter desperdícios no setor. Assim, a ciência serviria para avaliar a sustentabilidade de cada inovação, por meio de revisão da literatura, estudos randomizados com grandes amostras, entre outros fatores. Para Fernandes, é preciso derrubar o mito de que tudo o que é novo é melhor: a tecnologia mais cara deve ser implementada desde que traga resultados concretos, com foco no paciente.
“Dá para pagar tudo, desde que não haja desperdícios.”
Anti-coronelismo
Fernando Fernandes foi ovacionado pela plateia quando defendeu o fim do coronelismo na saúde brasileira. Ele criticou grupos de médicos que monopolizam as atividades em cidades pequenas e operadoras que limitam bastante os tipos de práticas ou hospitais cobertos.
Fernandes também analisou o papel de algumas organizações que influem na gestão do setor. Ele elogiou o Conselho Federal de Medicina (CFM) por proibir os médicos de solicitar a marca do produto. No entanto, questionou a decisão do órgão de expor auditores no caso de negativas. “A não cobertura do plano de saúde por razões administrativas não são de responsabilidade do médico”, disse.
O diretor também criticou o Projeto Diretrizes da Associação Médica Brasileira (AMB). Segundo ele, esta foi uma boa iniciativa, mas feira sem embasamento.
Quanto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Fernandes criticou o fato de que medicamentos proibidos continuam no mercado e de que faltam registros dos principais OPMEs – Órteses, Próteses e Materiais Especiais- do País.
Já a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), na opinião de Fernandes, corrigiu distorções do setor, mas padroniza seu Rol de Procedimentos sem embasamento científico. Ele citou como exemplo a nova tecnologia conhecida como grampeador para hemorróida, que foi padronizada pelo órgão, mas depois se provou ser uma técnica recidiva. “Falta crítica”, disse o médico-executivo.
Também presente como palestrante, o agente de padronização da ANS, Antônio Carlos Endrigo, defendeu a instituição, dizendo que todos os procedimentos que constam no Rol “têm evidencias científicas e que as críticas devem ser levadas diretamente para lá.”
Endrigo citou como desafios globais da saúde a disparidade do acesso, os custos dos medicamentos, a disponibilidade do conhecimento e a prevenção de doenças. O agende falou sobre a necessidade técnica e organizacional no cuidado, já que sistemas baseados em papel não suportam o compartilhamento de informações.
“Técnicas modernas para atender necessidades de pacientes levam a ganhos de produtividade”, disse Endrigo. Ele completou que o desejável é a interoperabilidade total e harmônica do setor, mas reconhece que esse é um ponto distante de ser alcançado.
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