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Empresas atrelam o preço do medicamento ao desempenho

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Pressionadas pelas seguradoras, algumas fabricantes de medicamentos estão começando a ajustar o preço que cobram pelos medicamentos, baseadas nos benefícios que os produtos trazem para a saúde dos pacientes. Em um acordo anunciado na quinta-feira passada, a Merck concordou em vincular o valor que a seguradora Cigna paga para os medicamentos de diabetes Januvia e Janumet ao sucesso que os pacientes de diabetes tipo 2 alcançam no controle do nível de açúcar no sangue.
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E há duas semanas, duas empresas, que juntas vendem o medicamento para osteoporose Actonel, concordaram em reembolsar a seguradora Health Alliance pelos custos do tratamento de fraturas sofridas pelos pacientes que tomaram o medicamento.
“Estamos defendendo nossos produtos”, disse Dan Hecht, gerente geral da divisão farmacêutica norte-americana da Procter & Gamble, que vende o Actonel junto com a Sanofi-Aventis. “Estamos dispostos a colocar nosso dinheiro nisso”.
Alguns especialistas saúdam esses acordos como passos bem-vindos na direção da assistência à saúde que premia os bons resultados para os pacientes.
“Veremos crescimento nas garantias de resultados para os laboratórios farmacêuticos, e é muito saudável”, disse Robert Seidman, um consultor que antes era diretor-executivo da seguradora WellPoint.
Tradicionalmente, os descontos e abatimentos que as fabricantes de medicamentos oferecem para as seguradoras baseiam-se no uso do medicamento, não no bem que proporcionam para os pacientes. Mas os novos contratos baseados nos resultados vão – em teoria – alinhar melhor os incentivos das seguradoras, das fabricantes de medicamentos e dos patrões que oferecem cobertura de saúde na direção da melhora da saúde das pessoas.
Esses contratos, que permitem pagar de acordo com o desempenho, começaram a criar raiz há alguns anos em países com sistemas nacionais de saúde, nos quais o governo pode efetivamente impedir que um medicamento seja usado se o custo for muito alto.
A Johnson & Johnson estabeleceu o que é considerado o acordo protótipo em 2007 com o sistema nacional de saúde britânico, que provisoriamente decidiu não pagar pelo medicamento Velcade, para o tratamento de câncer. Para evitar essa decisão, a empresa ofereceu essencialmente uma garantia de dinheiro de volta. Se o Velcade não encolher os tumores de um paciente depois de um tratamento experimental, a empresa reembolsa o sistema de saúde pelo custo do medicamento desse paciente.
Nos Estados Unidos, onde as seguradoras não têm monopólios nacionais – e onde o programa Medicare, por lei, não pode negociar os preços dos medicamentos – as seguradoras têm menos poder de influência com as fabricantes de medicamentos. Mesmo assim, elas podem dar tratamento favorável para certos medicamentos, reduzindo os co-pagamentos necessários, por exemplo.
Conforme o acordo com o medicamento Actonel, se um paciente segurado pela Health Alliance sofre uma fratura não espinhal apesar de tomar o Actonel regularmente, as fabricantes do medicamento ajudarão a pagar pelo tratamento médico – gastando US$ 30 mil por quadril fraturado, por exemplo, e US$ 6 mil por pulso fraturado.
Isso claramente reduz o custo do medicamento para a Health Alliance, uma pequena seguradora de Illinois e Iowa. Mas a Procter & Gamble e a Sanofi-Aventis podem se beneficiar também. O acordo pode reduzir a pressão sobre a seguradora para convencer os pacientes a substituírem o Actonel, que custa perto de US$ 100 por mês, por versões genéricas menos caras do Fosamax. E a seguradora manteve o Actonel em uma classe de sua lista de medicamentos que requer um co-pagamento menor do que para o Boniva, o medicamento concorrente de marca.

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