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Em vigor lei que assegura mamografia a mulheres

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Desde ontem (29), todas as mulheres com mais de 40 anos podem fazer o exame da mamografia gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), com o início da vigência da Lei nº 11.664 de 2008. Até agora, a rede pública de saúde tinha que assegurar a realização do exame para aquelas acima dos 50 anos.
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Outra mudança prevista na lei é que as mulheres com diagnóstico de câncer de mama passam a ter direito a assistência integral no SUS, o que inclui prevenção, detecção, tratamento e controle da doença. Antes, a assistência só ia até a fase de detecção.
O diretor da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), RobertoVieira, disse que a entrada em vigor da lei vai ajudar a mudar o quadro brasileiro de câncer de mama. Para ele, o quadro de tantas mulheres morrendo da doença “é vergonhoso”.
Segundo Vieira, a cidade do Rio de Janeiro quase não apresentava casos de câncer de mama. Hoje, o município lidera o quadro no país, com cerca de 4 mil casos, desbancando Porto Alegre. A capital  gaúcha era a primeira do ranking até há bem pouco tempo e agora registra somente 800 casos.
De acordo com o médico, é preciso reverter isso, sensibilizando as entidades públicas e privadas e também as mulheres a fazer a mamografia,  para que, em vez de a paciente descobrir um câncer avançado, ela possa detectar ainda em estágio inicial, com possibilidade de cura. Roberto Vieira esclareceu que o câncer é impalpável. E quando uma mulher, por meio do exame manual, constata a presença de algum nódulo, “ele talvez já exista há 15 anos”.
Por isso, recomendou que quanto mais cedo a mulher detectar, maior é a possibilidade de cura. “E não precisa fazer um tratamento tão agressivo. O câncer de mama é de bom prognóstico”. Ele disse que nos Estados Unidos, há 1 milhão de mulheres tratadas e curadas desse tipo de câncer.
A  Sociedade Brasileira de Mastologia informou que a  previsão é de que surjam 50 mil novos casos da doença este ano no Brasil, com 10 mil mortes anuais. “Se juntar, por exemplo, aids, febre amarela e tuberculose, morrem 5 mil mulheres no Brasil por ano. Só o câncer de mama mata 10  mil. O câncer de colo uterino mata 5 mil”. Segundo o secretário-geral da SBA, o câncer de mama é o que mais mata mulheres no país e “é um problema de saúde pública”.
Isso ainda ocorre muito por conta da desinformação das mulheres e da falta de organização, afirmou Roberto Vieira. Ele reclamou da ausência de planejamento. Disse que se for somado o número de mamógrafos disponíveis na rede pública e privada de saúde, o atendimento às mulheres poderia ser bem melhor.
“Mas, o problema é que só 20% da população têm seguro-saúde, enquanto 80% estão nas mãos do SUS. Se houvesse um planejamento em que esse dinheiro fosse repassado para essas firmas, a mulher teria um acesso melhor para fazer a sua mamografia”. Vieira enfatizou que não adianta apenas comprar mamógrafos. É preciso que haja técnicos para efetuar o exame, salas apropriadas com proteção contra a radiação, além de médico preparado para ler os laudos. “Então, não adianta ficar comprando mamógrafos. Tem que  planejar o que existe, com os especialistas que  há no país”.
  
 

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