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Dirce Perissinotti e o Centro de Dor do 9 de Julho

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Embora no Brasil não existam dados precisos sobre o número de doentes com câncer, estima-se que daqui a 20 anos o País terá mais de 15 milhões de novos casos. A estimativa de vida mais longa e o avanço da tecnologia contribuem para o desenvolvimento dessa e de outras patologias. Para falar sobre o assunto e amenizar o sofrimento – crônico ou agudo – dos que vivem esse drama, a coordenadora e psicóloga do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho, Dirce Perissinotti, apresenta um estudo, que revela impactos emocionais da dor crônica em mulheres.

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Realizado em 2008 com 173 portadoras de dores crônicas, o trabalho mapeou os principais fatores que influenciam a qualidade de vida dessas mulheres, relacionadas ao trabalho, família e vida social. Desse total, 60% das mulheres informaram que um dos fatores de maior relevância da dor é a falta de apoio familiar; 49,09% reclamaram da falta de atenção e valorização de seus problemas, carência especialmente nos momentos de crise. As mulheres também relataram (89,19%) limitações para realizar tarefas simples do dia-a-dia – limpar a casa, caminhar ou subir escadas; 74,55% afirmaram que a depressão aumenta a dor, e 50,91% das mulheres responderam que a prática de exercícios diminuiu a intensidade da dor.  Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) mais de 10 milhões de pessoas, por ano, no mundo são diagnosticadas com algum tipo de câncer. Dos adultos em tratamento, 2/3 estão em estágio avançado da doença com dor. Nas crianças, o quadro é similar.

InvestNews – O que é o Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional?

Dirce Perissinoti – Criado há oito anos, o Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional é um espaço dentro do Hospital 9 de Julho que oferece um completo serviço para o tratamento da dor, dos tumores cerebrais, dos movimentos involuntários e da espasticidade – acometimento neurológico que causa déficit motor, comprometendo a realização das tarefas diárias e a funcionalidade dos membros afetados. Ela surge de um acidente vascular cerebral, paralisia cerebral, lesões medulares, neoplasias, trauma crânio-encefálico, doenças heredodegenerativas e desmielinizantes, entre outras. O serviço reúne 40 especialistas de diversas áreas como fisiatria, fisioterapia, odontologia, psicologia, enfermagem, neurologia e fonoaudiologia para oferecer tratamento multidisciplinar e integrado aos seus pacientes. O centro de dor não deve nada aos centros mais avançados do mundo. Somos um centro de referência.

InvestNews – Quem foi o idealizador do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional?

Dirce Perissinoti – Claudio Fernandes Corrêa, especializado no tratamento da dor e neurocirurgia funcional. É uma das principais referências no Brasil e também no Exterior – por reconhecer ao longo de sua jornada profissional a importância deste sintoma, que responde por mais de 80% das consultas médicas em todo o mundo.

InvestNews – Qual o objetivo do centro de dor?

Dirce Perissinoti – Desenvolver um método de intervenção eficaz no atendimento dessas patologias. Existem vários instrumentos que podem ser aplicados pelos especialistas. Geralmente, esses instrumentos ficam dispersos e os doentes precisam de um rol de intervenções que possa resultar em eficiência no tratamento. O objetivo de Cláudio Fernandes Corrêa congregou esses métodos de intervenção e profissionais para melhor intervir nesses quadros. O Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho é estruturado de forma a oferecer desde uma simples consulta até os mais complexos procedimentos cirúrgicos. Atua com uma visão sistêmica de interligação de suas especialidades, potencializando as oportunidades de resultados do tratamento aplicado a cada paciente. Procuramos mostrar às pacientes, principalmente com dor, o que podem fazer sozinhas por elas para aliviar a dor, a depressão e a carência, normalmente transferida para familiares.

InvestNews – O centro de dor foi fundado então em 2000. Quais foram os principais investidores?

Dirce Perissinoti – Os recursos – que não podem ser divulgados – vieram do próprio especialista Claudio Fernandes Corrêa com apoio do Hospital 9 de Julho. Atualmente, o centro de dor funciona com recursos recebidos dos pacientes atendidos pelos convênios e clientes particulares. Uma parte desses recursos é revertida para pagamento dos profissionais por produtividade individual e a outra para investimentos no avanço e aprimoramento de técnicas revertidos para os próprios clientes.

InvestNews – Quantos leitos tem o centro de dor? Há também UTI?

Dirce Perissinoti – O centro de dor é ambulatorial. Não possui leitos, mas se serve dos leitos do Hospital 9 de Julho para alguns procedimentos, especialmente neurocirúrgicos. Usamos os leitos do hospital destinados a esse tipo de paciente. Da parte destinada ao tratamento da dor, a taxa de ocupação é 80%. O hospital tem um corpo médico e assistencial altamente capacitado, com cerca de 1,5 mil colaboradores e 3.600 médicos cadastrados. O complexo hospitalar possui mais de 26 mil metros quadrados e 260 leitos, sendo 50 leitos nas Unidades de Terapia Intensiva, um centro cirúrgico com capacidade para até 14 cirurgias simultâneas e realiza mais de 7 mil atendimentos por mês no Pronto-Socorro.

InvestNews – Quantas pessoas em média são atendidas por dia no centro de dor?

Dirce Perissinoti – São atendidos 800 pacientes por mês, sendo que 80% são atendimentos por planos de saúde.

InvestNews – O centro de dor está lançando uma campanha: Viva sem dor. Como é essa campanha? Qual o objetivo?

Dirce Perissinoti – A campanha deste ano – Viva sem dor – tem como objetivo atender o paciente com câncer com dor. Nem todo paciente que tem câncer desenvolve dor, mas muitos dos pacientes com câncer sofrem muito de dor, inclusive por falta de informação. Pois existem recursos que podem amenizar esses sintomas. A dor em si é um sinal de alerta e leva o indivíduo a perceber que está correndo risco. Mas na situação de câncer existem vários fatores que se conjugam para o desenvolvimento dessa dor. Tanto os fatores biológicos quanto os psicológicos têm que ser vistos de maneira peculiar porque o paciente que desenvolve um tumor, uma neoplasia pode não sentir dor na lesão. Muitas dores não têm relação direta objetiva com a localização do tumor, mas pode estar desenvolvendo situações paralelas que levam as pessoas a sofrer muito. A neoplasia em si pode estar situada numa região na qual não seja possível existir a dor, mas o comprometimento periférico à lesão muito facilmente leva ao desenvolvimento dela. Temos outras situações que não são biológicas, mas que são relacionadas ao sofrimento da perda da capacidade do trabalho, à perda do lugar na família, à crença e mitos que ainda existem sobre o câncer. Essa situação de incapacidade de sofrimento aumenta a propensão ao desenvolvimento da dor. A campanha é aberta à população. Ocorrerá em média uma vez por mês. Não tem como objetivo uma abrangência nacional, mas com certeza terá uma ampla repercussão.

InvestNews – Qual a incidência de câncer no País atualmente? Atinge mais o homem, a mulher, a criança ou aos velhos?

Dirce Perissinoti – Não existem dados precisos sobre isso aqui no Brasil. Mas os tipos de câncer mais preponderantes nas mulheres são os de mama e colo. Nos homens, os de pulmão e próstata.

InvestNews – Como funciona o modelo de assistência do centro de dor?

Dirce Perissinoti – Em geral, o modelo é multifuncional e por isso envolve alguns diferentes procedimentos, dependendo de cada patologia. Muitos pacientes podem precisar de várias intervenções conjuntas como, por exemplo, uma assistência psicológica ou fisioterapêutica ou acupuntura. E alguns planos de saúde, especialmente os ligados a algumas seguradoras, não têm condições de manter esse atendimento por ser uma assistência custosa. Mas algumas empresas que mantêm esses planos de saúde para seus funcionários já começam a ter um envolvimento maior com o centro de dor. Há até alguns acordos. Estabelecemos, inclusive, alguns pacotes de intervenções – um conjugado de diferentes modalidades terapêuticas, conforme cada situação clínica. Assim, dependendo da situação, haverá um modelo específico de intervenção. Observamos também que ultimamente tem sido muito mais fácil conseguir junto a empresas que mantêm planos de saúde para seus funcionários esses pacotes multiprofissionais do que com as seguradoras. Estamos em contato com essas seguradoras para conseguirmos viabilizar esse plano de assistência mais integrada porque o doente com dor crônica ou mesmo com câncer precisa de um rol de intervenções.

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