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Diagnósticos inteligentes: Evolução x preço

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As evoluções em diagnóstico por imagem não devem parar tão cedo e levarão a uma especialização ainda maior em áreas clínicas. “Os incríveis avanços tecnológicos vão continuar. As principais tendências são ferramentas de visualização e que ajudem os radiologistas a ver imagens volumétricas, detecção assistida por computação (computer assisted detection – CAD) para ajudá-los a perceber anormalidades, e aplicativos de apoio às decisões, para ajudá-los a identificar o que veem, e  bases de dados, fontes e websites que os ajudem a encontrar o conhecimento que procuram”, diz o professor de Stanford.

O presidente da Comissão Científica da SPR acredita no desenvolvimento de software de pós-processamento especialmente em odontologia, para o planejamento de implantes dentários, em cardiologia, para estudo das coronárias pela tomografia, e em angiografias, com a obtenção de imagens de forma não invasiva pela tomografia ou ressonância. “São incontáveis os aplicativos de pós-processamento disponíveis atualmente na área de imagem, mas sempre existirão áreas do conhecimento que necessitem de um novo software.”

Entre as empresas, o aumento da capacidade de processamento e armazenamento, assim como a especialização cada vez maior, são os principais focos. “Isso é fundamental em função do avanço tecnológico. Na Siemens, também estamos investindo muito em automação do diagnóstico, para que os processos repetitivos, como o mapeamento correto do órgão, a reconstrução e até algumas definições da doença já sejam pré-determinados”, conta Goto.

Na Philips, times específicos trabalham em hardware e software para lançar novos conceitos. “Ainda há muito a fazer e estas não são áreas dissociadas. Um exemplo é o conceito Time of Flight, descoberto no meio acadêmico e que foi implantado no PET-CT. Não havia capacidade eletrônica e computacional para implantar o conceito de forma que pudesse ser comercializado. Com novos cristais, eletrônica e software, a tecnologia foi implementada em 2007 e foi considerada uma revolução”, relembra Cheade. “Os campos de desenvolvimento estão voltados aos exames moleculares e in-vitro, para deteção cada vez mais antecipada da alteração da condição de saúde do indivíduo. Por estes caminhos surgirão avanços da Philips”, adiciona o gerente de produtos e marketing da Philips Healthcare Informatics, Benvenuto Somera.

A premissa seguida pelo departamento de pesquisa da GE Healthcare é que os equipamentos inteligentes devem ser fáceis de usar e reconhecer características do corpo humano, para apoiar com mais precisão o trabalho do radiologista. “Uma grande tendência é o que chamamos de “one touch” (toque único). Inventamos e desenvolvemos algoritmos avançados de análise para reduzir o tempo de aquisição da imagem. Nos laboratórios da GE Research (o departamento de pesquisa da empresa), desenvolvemos a tecnologia “one touch” para diversos aplicativos de ressonância magnética. Também trabalhamos no uso de atlas, para que que o computador tenha ciência do significado de cada voxel (pixel 3D), conheça a anatomia do paciente e apoie o desempenho de diversos algoritmos, levando à quantificação ou visualização da imagem”, explica o gerente do Visualization and Computer Vision Lab (Laboratório de Visualização e Visão Computadorizada) da GE, Mark Grabb.

Para o radiologista do Fleury, as evoluções devem mesmo conjugar esforços em todas as áreas. “Não adianta ter um motor novo em um carro velho. Vejo lançamentos da indústria nos dois sentidos. Quanto mais o software evolui, mais demanda do hardware. No caso da colonoscopia virtual, foi necessário também aprimorar a capacidade de outro equipamento, a workstation.”

O custo se torna, agora, um novo desafio. “Este dilema existe. Vemos uma avanço rápido do mundo de TI com qualidade de imagem e custo menor, como é o caso do valor por megapixel nas câmeras digitais. Além disso, a distribuição destas imagens se tornou mais simples e as soluções de armazenamento, aliadas ao uso da internet, favoreceram o crescimento das soluções. O médico atua com mais segurança e poupa em filme e negatoscópio. Porém, a análise de custo x qualidade é subjetiva na realidade brasileira. Há soluções acessíveis, mas sem a adoção de padrões como o Dicom e sem segurança no armazenamento de imagens. É preciso ter regulamentação para que a redução do preço não afete a garantia de qualidade e a adoção de padrões mínimos para a realização de diagnósticos precisos”, defende o gerente da Siemens.

 “Com uma equação bem balanceada entre hardware e software, é possível fazer o diagnóstico precoce, evitar procedimentos invasivos e aumentar a produtividade, o que traz ganhos financeiros aos hospitais e centros de medicina diagnóstica”, pondera Cheade.

“Se a adoção do software pelo mercado não é grande, então é sinal de que é caro. Com a capacidade destes softwares modernos de ajudar na visualização e interpretação de imagens, eles deveriam ser largamente adotados. Se não são, é hora de perguntar se os preços são apropriados”, provoca Rubin.

E o impacto financeiro não está só na adoção do software, mas também no aprimoramento dos profissionais, na adaptação dos espaços e, por vezes, na necessária troca de hardware para a realização de novos exames. “Os médicos saem da especialização estrita em diagnóstico e precisam também conhecer TI, já que a radiologia é uma área muito técnica e exige o uso destas ferramentas. Além disso, com a telerradiologia, que permite a realização do laudo sem a presença física do profissional, o radiologista precisa se especializar cada vez mais, ou numa modalidade ou numa área clínica. As mudanças também acontecem na estrutura dos centros de diagnóstico. Os negatoscópios começam a ser aposentados e dão lugar a soluções de reconhecimento por voz e instalações de estações de trabalho. A radiologia está cada vez mais entrando na TI”, explica Meirelles.

“As estações de trabalho passaram a ser os locais mais concorridos dos departamentos de radiologia. São muitas vezes os maiores ?gargalos” para o desenrolar  da rotina. Praticamente todas as subespecialidades já têm pacotes e mais pacotes de software de pós-processamento. Na medida em que estas soluções e suas licenças fiquem mais baratos, poderão ser oferecidos em um número maior de estações de trabalho. Por enquanto, em alguns lugares, o transtorno chega a ser grande”, relata Mendonça.

No que tange o hardware, o equipamento em si, não há ilusões: por mais que o software aprimore as características do equipamento, sozinho, não é capaz de conferir novas capacidades às máquinas. “Por melhor que seja o software, ele não gera novas informações que estejam além da capacidade do equipamento. Ele consegue atualizar este equipamento, melhora o armazenamento e tratamento das imagens, mas não amplia as funcionalidades”, diz Goto.

“A indústria de diagnóstico por imagem persegue a evolução das funcionalidades clínicas para deteção do estado de saúde do indivíduo. Este objetivo traz demandas tanto para a área de software quanto hardware e frequentemente atingimos limites dos componentes”, explica Somera.

Com experiência prática, Mendonça concorda. “Embora existam circunstâncias em que um upgrade de software consegue ampliar a gama de aplicações de um equipamento, dificilmente isto é significativo em uma máquina low end. Também existem limitações para qualquer upgrade. A evolução da tecnologia é tão célere que é muitas vezes mais fácil e mais barato trocar de equipamento do que tentar atualizá-lo. Em algumas poucas situações, talvez estes softwares adicionem valor a um equipamento limitado”, diz Mendonça.

A boa notícia é que hoje os departamentos de pesquisas das empresas utilizam tecnologia não só para tornar as funcionalidades mais avançadas, mas também para tornar seus produtos mais acessíveis. “Com a invenção de tecnologia em pontos de preço baixo, estamos encontrando novas formas de trazer melhorias para nossos produtos high end. Isso se chama inovação reversa. Além disso, a inovação de hardware requer a criação de scanners de baixo custo. Tirar custos de um design existente é um processo de evolução buscado por qualquer fabricante, em qualquer indústria. Atingir radicalmente um ponto de preço baixo requer novas ideias e novos desenhos. A necessidade de software clínico high end está claramente em ascendência, também”, analisa Grabb.

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