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Desospitalização e mudança no modelo de cuidado dos pacientes

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A mudança no modelo de cuidado dos pacientes despertou a atenção do público presente no HIS-Healthcare Innovation Show . “Esse é o próximo grande tema da saúde”, na opinião de Luiz Augusto Carneiro, superintendente executivo do IESS. “É fundamental repensarmos o atendimento dos pacientes, tanto do ponto de vista de efetividade do cuidado, quanto de racionalidade do sistema, de modo a garantir a melhor e mais eficiente prestação de serviços de saúde. O foco está no paciente e onde ele terá o melhor cuidado preventivo e a melhor assistência em sua jornada”, destaca.

Nesse sentido, uma das medidas mais prementes, de acordo com os palestrantes, é romper com o modelo do “hospitalocentrismo” aplicado, historicamente, no setor de saúde. Um trabalho árduo não só do ponto de vista operacional, mas, também, cultural. “O médico ainda é formado com o modelo “hospitalocêntrico” na mente e as famílias acham que paciente bem tratado é aquele internado. Isso não é, necessariamente, uma verdade. Temos um processo de conscientização bastante longo pela frente”, expôs Euro Palomba, CEO da Global Care Health Solutions (empresa focada em serviços de pós-hospitalização, como home care e unidades de cuidados contínuos).

A boa notícia, na opinião da professora Ana Maria Malik, coordenadora do Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da FGV, é que a sociedade parece estar dando os primeiros passos no sentido de desenvolver uma atenção à saúde de forma individualizada. “Até bem pouco tempo, a desospitalização era encarada de forma negativa, como se o hospital estivesse dispensando um paciente que precisaria permanecer internado. Hoje, temos opções com muita qualidade para pacientes que realmente receberão os melhores cuidados em outros centros médicos”, afirmou.

A posição foi corroborada por Mauro Figueiredo, CEO da DaVita Health International. “Os desafios estão mais claros e sabemos que precisamos mudar.”

No processo de desospitalização, o CEO da Dealmed, Roberto Tolomei, apontou que além da correta destinação de pacientes que não precisam permanecer internados nos hospitais tradicionais, onde estão mais sujeitos a infecções hospitalares e outros problemas, também há mais serviços de saúde que podem ser melhor prestados em outros ambientes. “Assim como os exames já são, cada vez mais, realizados em centros de diagnóstico especializados, fora dos hospitais, também outros serviços precisam passar por essa transição”, citou. “Nos Estados Unidos, por exemplo, quase 70% das cirurgias de baixa e média complexidade não são feitas em hospitais.”

Apesar dos alertas e das propostas apresentadas, está claro que ainda há um longo caminho pela frente. Inclusive para estabelecer o assunto como prioritário entre os envolvidos com a gestão de saúde no Brasil.

Fonte: IESS

       
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