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Desafios para a Saúde em 2011 !

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Caros,

É com grande alegria, que desejo a todos um Excelente 2011! Gostaria de desejar boa sorte à presidente eleita Dilma Roussef, que nos orgulha por ser a primeira mulher eleita presidente e que terá um enorme desafio pela frente.

Ao voltar ontem de viagem, fiz uma leitura dinâmica das notícias dos últimos dias e uma me chamou muito a atenção. O Jornal Valor Econômico no dia 17 de Dezembro publicou um caderno especial com diversos indicadores sobre os oito anos de governo Lula. De fato, é impressionante ver o quanto se avançou no campo econômico e social nos últimos oito anos de governo. A taxa de desemprego de 12,9% em Março de 2002 foi a 6,1% em Outubro de 2010. A inflação (IPCA) de 12,53% em 2002 deverá fechar 2010 em 5,85% e o crescimento do PIB de 2,66% em 2002 para 7,61% em 2010. Além disso, em 2010, 58% dos lares brasileiros possuem computador, enquanto esta fatia em 2009 era de 34,7%, segundo a Apsos.

Contudo, enquanto a TV em cores está presente em quase 96% dos lares brasieiros, a rede pública de esgotos chega a apenas 52,53% deles; e a taxa de anafalbetos funcionais é de 20,3% entre os brasileiros com 15 anos ou mais.

Enquanto a água encanada já está disponível em 85% dos domícilios brasileiros, técnicos do IBGE observam que “em geral, nas Unidades da Federação com os maiores números de internações, o acesso aos serviços de saneamento é menor e vice versa”.

“Na região Norte, onde apenas 11,5% dos moradores têm acesso a esgoto, o número de internações hospitalares derivadas de doenças relacionadas `a falta de saneamento adequado é de 654,1 por 100 mil habitantes”, enquanto no Brasil é de 308,7 internações por 100 mil habitantes. No Nordeste, o  Piauí apenas 4,1% da população é atendida por rede coletora de esgotos, o que leva a 660,9 internações (por 1000.000 habitantes em 2008).

No Pará, onde apenas 4,9% da população é atendida por saneamento ambiental adequado, há 914,9 internações hospitalares (por 100 mil habitantes em 2008), por doenças como diarréias (equivalentes a 80% ou mais das internações hospitalares), febre amarela e leptospirose.

Assim, como gestores em saúde devemos ter o compromisso de buscar inovação não apenas para o sistema privado, mas também para o sistema público, que ainda lida com desafios epidemiológicos típicos de um país subsaariano.

Muita inovação em 2011,

Fernando Cembranelli

Equipe EmpreenderSaúde

Fonte: Valor Econômico

Qualidade de vida: Enquanto TV em cores está em quase 96% dos lares, rede de esgoto chega a apenas 52,5% deles

Consumo cresce, mas falta estrutura social

Cynthia Malta | De São Paulo

17/12/2010

O brasileiro conseguiu comprar mais conforto nos últimos oito anos. O aumento da renda, com efeito imediato na expansão do consumo, proporcionou casas mais equipadas, com televisão, fogão, geladeira, telefone móvel e computador. Mas o investimento público em áreas fundamentais como saúde e educação, apesar de ter apresentado avanços, não mostrou o mesmo vigor. Trata-se de um cenário de aumento acelerado do consumo privado e de investimento insuficiente na infraestrutura social, além da física.

O governo da presidente Dilma Rousseff começa em 2011 enfrentando um cenário desafiador: a TV em cores está em quase 96% dos lares brasileiros, mas a rede pública de esgoto chega a apenas 52,53% deles; e a taxa de analfabetos funcionais, que mal sabem ler e escrever e não conseguem interpretar um texto, é de 20,3% no grupo de brasileiros com 15 anos ou mais.

Água encanada e tratada, o poder público já consegue levar a quase 85% dos domicílios brasileiros, mas a falta de uma rede coletora de esgoto está diretamente relacionada a um maior número de brasileiros doentes. Enfermidades como diarreias (equivalentes a mais de 80% das internações em hospitais), febre amarela, leptospirose e micoses são as mais comuns. A dengue, que a cada verão traz risco de contagiar mais brasileiros, também tende a proliferar em áreas com saneamento deficiente.

Técnicos do IBGE observam, no estudo Indicadores de Desenvolvimento Sustentável -2010, divulgado em setembro, que, “em geral, nas Unidades da Federação com os maiores números de internações, o acesso aos serviços de saneamento é menor e vice-versa”. É o que se verifica no mapa publicado nesta página.

Na região Norte, onde apenas 11,5% dos moradores têm acesso à rede pública de esgoto – a menor taxa dentre as cinco regiões do país -, o número de internações hospitalares derivadas de doenças relacionadas à falta de saneamento adequado é de 654,1 por 100 mil habitantes – o mais alto do território brasileiro. No Nordeste, a situação também é preocupante. Os Estados que mais sofrem com essa situação, com a grande maioria dos habitantes sem acesso à rede de esgoto e grande número de doentes, são Piauí, Pará, Maranhão, Rondônia, Paraíba e Bahia.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se preocupou em aumentar a renda dos brasileiros mais pobres, com efeitos benéficos sobre as regiões mais carentes do país, iniciou, em julho de 2008, com a aprovação da Lei Nacional de Saneamento Básico (a de número 11.445/07), discussões para melhorar o saneamento básico no país. Mas o seu governo termina sem que as discussões tenham sido concluídas.

O Plano Nacional de Saneamento Básico, sob coordenação do Ministério das Cidades, deve conter metas nacionais e regionalizadas, de curto, médio e longo prazos; e articular os planos do governo federal com Estados e municípios. Seu objetivo é abastecer a população com redes de água, esgoto e de manejo de lixo e até banheiros para pessoas de baixa renda. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há 8 milhões de brasileiros sem acesso a banheiro e mais de 40 milhões sem abastecimento de água tratada.

O Plansab é considerado pelo Ministério das Cidades “o instrumento central da ação governamental para cumprir a Lei de Saneamento Básico e das Metas do Milênio”. Essas metas foram acordadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e no que se refere a saneamento, o Brasil deveria levar rede de esgoto a 70% da população até 2015 e reduzir pela metade o número de pessoas sem acesso a água tratada.

O horizonte do Plansab é de 20 anos, com revisão a cada quatro. O fato do Plansab não ter sido terminado leva especialistas a duvidarem que o Brasil consiga atingir as metas acordadas na ONU, em 2000. Há estimativas de que o objetivo estipulado pelo Brasil para a coleta de esgoto, mantido o atual ritmo de investimentos, seria alcançado em 40 anos e não em cinco.

“Nós gostaríamos de ter finalizado o Plansab, mas não foi possível”, diz Viviana Simon, diretora de Articulação Institucional da Secretaria de Saneamento Ambiental, do Ministério das Cidades. O período eleitoral atrapalhou, explica a diretora, e quando o estudo preparatório para o Plansab estava quase pronto, o IBGE divulgou novos números, em setembro, foi preciso revisar tudo. O Panorama do Saneamento Básico do Brasil, um estudo de 13 volumes, deve ser finalizado em março de 2011, segundo Viviana. O Plansab, estima ela, deve ser enviado à Casa Civil entre abril e maio.

A situação é também preocupante em relação à taxa de mortalidade infantil, indicador fundamental para avaliar a qualidade de vida de um país. Ela caiu de forma significativa nos últimos anos – de 47 por mil nascidos vivos, em 1990, para 24, em 2008, uma queda de 49%. Mas os técnicos do IBGE assinalam que uma taxa de 23,3 não pode ser considerada baixa, segundo os padrões da Organização Mundial de Saúde (OMS), e está bem acima das registradas por outros países da América do Sul como Colômbia (18,9), Argentina (11,4), Uruguai (11,3) e Chile (7,7). Em países mais ricos, as taxas são bem menores, como no Canadá (5), Suíça (4,2)e França (3,3).

No território brasileiro, o quadro de desigualdades regionais, no qual as regiões Norte e Nordeste apresentam indicadores piores do que o Centro-Sul do país, persiste para as áreas de saúde e educação. O estudo Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, do IBGE, informa que, no que se refere à mortalidade infantil, “temos dois Brasis: um representado pelas regiões Nordeste e Norte, que em 2008 apresentavam taxas mais elevadas do que a média nacional, de 34,4 e 24,2, respectivamente; e um outro Brasil, que abrange as regiões do Centro-Sul do país, com taxas inferiores a 20, embora ainda com necessidade de redução”.

O esforço para reduzir o analfabetismo ainda não chegou perto de 100% dos brasileiros com 15 anos ou mais. Desde 2007, a taxa de analfabetos se mantém em torno de 10%, correspondendo a aproximadamente 14,2 milhões de pessoas.

Mas, o que mais tem preocupado os estudiosos em educação e as empresas de forma geral, que vêm demandando, cada vez mais, mão de obra qualificada, com, no mínimo, o ensino médio completo, é o alto contingente de analfabetos funcionais, com 15 anos ou mais. Esta taxa é de 20,3% e retrata aqueles brasileiros que mal conseguem ler e escrever e não são capazes de entender, interpretar um texto.

Para aqueles brasileiros que estão na escola, o maior problema é a qualidade do ensino. Segundo estudo divulgado em setembro pela entidade suíça Fórum Mundial de Economia, a qualidade do ensino primário coloca o Brasil na 127ª posição, num ranking de 139 países.

Numa comparação com alguns países da América Latina, publicada pelo IBGE no estudo Sínteses de Indicadores Sociais deste ano, o Brasil apresenta resultados pouco favoráveis quando se avaliam taxas de aprovação, reprovação e abandono no ensino fundamental e no médio.

Chile e Paraguai mostraram taxas de aprovação de alunos superiores a 90% nos níveis de ensino fundamental e médio. O Brasil apresentou índices menores, de 85,8% e 77,0%, respectivamente.

A avaliação do ministro da Educação, Fernando Haddad, é de que a qualidade pode melhorar se houver uma valorização dos professores, que deveriam ser melhor remunerados. O Plano Nacional de Educação (PNE), que deve começar a tramitar no Congresso Nacional nas próximas semanas, prevê aumento do investimento em educação dos atuais 5% do PIB para 7% do PIB até 2020, segundo o PNE.

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