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DASA se reinventa com Dr. Romeu Côrtes Domingues e passa a focar em imagem e relacionamento médico !

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Apesar de ser um indubitável sucesso no mercado de ações, a DASA já vem há algum tempo sendo fortemente criticada pela classe médica, em função da qualidade do exame, o que levou muitos profissionais a não aceitar exames feitos em seus laboratórios, principalmente entre os médicos mais exigentes. A fim de reverter este cenário e crescer no mercado de imagem, o laboratório revê sua política de relacionamento com o corpo clínico, tirando os radiologistas da Central Única de Laudos que havia sido implantada e o transformando num líder da Unidade em que trabalha.

Contudo, não consigo entender como uma Central Única de Laudos pode prejudicar a qualidade do resultado dos exames, apesar de entender a importância de ter médicos líderes nas Unidades. Também gostaria de entender melhor como a classe médica vai passar a confiar novamente no Laboratório, porque este contratou médicos expoentes para liderar ou trabalhar em alguns setores.

Finalmente, considero triste esta afirmação “Em primeiro lugar, o médico vai fazer o exame de acordo com a suspeita da doença. Isso diminui o tempo do procedimento e melhora a qualidade”, diz Dr. Romeu Côrtes Domingues. Como pode a maior empresa de Medicina Diagnóstica do Brasil e uma das maiores do mundo declarar que  o médico vai fazer o exame de acordo com a suspeita da doença ?  O exame estava sendo feito baseado em quê antes? O que é que se perdeu durante o processo de crescimento da empresa?

Atenciosamente,

Fernando Cembranelli

Equipe EmpreenderSaúde

Dasa troca DNA

seis meses, a Dasa vive o processo de integração de suas operações com a MD1, holding de laboratórios do Rio de Janeiro, com a qual se associou no fim do ano passado.

A vida da empresa sempre foi marcada por grandes mudanças. De companhia familiar, abriu o capital, depois transformou-se em uma empresa sem controle definido, até que um grupo de fundos de investimento se uniu para assumir o seu conselho de administração, o que levou à saída dos fundadores.

Mas a mudança mais intensa, na avaliação de seus comandantes, ocorre atualmente: é a que vai alterar o seu DNA.

A empresa que originou a Dasa foi criada por dois médicos, Caio Auriemo e Humberto Delboni, com tradição no ramo de análises clínicas. Agora, a companhia quer voltar o foco para os exames de imagem.

O ponto primordial para essa virada é a valorização dos seus médicos, considerada essencial para obter reconhecimento na área, inclusive acadêmica.

A mudança no perfil está sendo comandada pelo diretor-presidente, Marcelo Noll Barboza, e pelo presidente do conselho de administração, o radiologista Romeu Côrtes Domingues. Ele é um antigo sócio de Edson Bueno, dono da Amil, no Rio, e trará para a paulista Dasa, da qual passou a ser acionista, a experiência da administração dos laboratórios cariocas.

Foto: Romeu Côrtes Domingues, presidente do conselho de administração, e Marcelo Noll Barboza, diretor-presidente: troca de equipamentos e volta dos médicos às unidades, com salário atrelado ao desempenho

“A Dasa era focada em análises clínicas, por conta dos fundadores e principais executivos. Com a MD1, passamos a ter um DNA muito mais forte em imagem”, afirma Barboza.

A presença de Domingues na empresa representa a volta de um médico para a companhia, dois anos depois de Auriemo ter vendido a sua participação.

Em janeiro, ele assumiu a vice-presidência de imagem. Em abril, por indicação dos próprios fundos que continuam acompanhando a gestão da empresa, foi para a presidência do conselho. Nesse período, visitou unidades e constatou que a Dasa precisava valorizar o médico e, em particular, melhorar a qualidade de sua área de imagem.

Domingues explica que a área de análises clínicas e de imagem são dois negócios distintos.

“Em análises clínicas, é preciso ter as máquinas, uma boa logística e um bom sistema de tecnologia de informação. Praticamente uma unidade fabril”, diz Domingues. Na imagem, em particular em exames mais sofisticados, como ressonâncias e tomografias, ele explica, a presença do médico é fundamental.

“Em primeiro lugar, o médico vai fazer o exame de acordo com a suspeita da doença. Isso diminui o tempo do procedimento e melhora a qualidade”, diz.

Além disso, Domingues observa que a Dasa nunca teve máquinas “top” de linha. Até o fim do ano, todos os equipamentos deverão ser trocados para versões mais modernas.

Dividindo seu tempo entre Rio e São Paulo, o radiologista decidiu reverter a decisão da empresa de tirar os médicos das unidades para transferi-los para uma central de diagnósticos. Eles voltarão para o dia a dia dos estabelecimentos.

“Da própria experiência no Rio, já vimos que isso não funciona. A avaliação era que colocando todos juntos haveria mais produtividade. Mas isso é um engano, uma falsa eficiência.”

O novo modelo prevê o médico como responsável pelas unidades e tendo na composição de seu salário, inclusive, um percentual das receitas daquela que comanda. “Como se fosse uma franquia, o médico vai tomar conta daquele negócio. Vai olhar desde a cordialidade do atendimento, a limpeza, a qualidade e a produtividade”, diz.

“Vai se certificar de que o paciente foi bem atendido e acompanhar os exames, entrando em contato, inclusive com o médico que referenciou o doente, para discutir os resultados.”

A ideia, conta Barboza, é que ele seja uma espécie de sócio.

“Na Dasa, o médico nunca teve valorização. Nosso desejo agora é que eles tenham mais força, mais poder de decisão e se sintam mais valorizados”, diz.

Mais presente nos negócios, é o médico interno quem vai tornar fiel o paciente e mudar a imagem da Dasa com o médico externo”, afirma Domingues. “Médico fideliza médico.”

Os dois executivos estão fazendo reuniões constantes com os médicos que trabalham na empresa.

Nesse formato, a exemplo do que já aconteceu no Rio, ele acredita que a Dasa conseguirá um crescimento sólido.

“Dependendo de como está a economia ou os planos de saúde, a receita poderá crescer mais ou menos. Mas crescerá sempre.”

Em São Paulo, das 24 megaunidades da Dasa, 20 já têm um médico atuando.

Com a valorização do médico, a gestão espera ter também o reconhecimento da classe, trazendo lideranças para os seus quadros. Sem divulgar os nomes, pois eles ainda não se desligaram de seus atuais empregos, ele conta que já fechou as contratações “do melhor médico nuclear do país, da melhor médica de ultrassonografia de São Paulo e de uma das maiores especialistas na área de mama”.

“Nós temos hoje quase 2 mil médicos e pelo menos 10% deles terão de ser líderes nas cidades.

Segundo Domingues, eles terão de ser formadores de opinião. Simpósios com estrangeiros já foram organizados e serão promovidas aulas tanto para os médicos internos quanto para os referenciaados.

“A classe médica vai perceber que estamos trazendo qualidade para as marcas Delboni e Lavoisier. Nosso objetivo é que os profissionais tenham orgulho de trabalhar na Dasa”, diz.

Na visão dele, a desmotivação dos médicos – que estavam isolados numa central, trabalhando com máquinas que precisavam ser trocadas, à parte do processo da empresa – prejudicou não apenas a imagem, mas a qualidade efetiva dos exames de imagem que a companhia realizava.

No caso de análises clínicas, ele afirma que os equipamentos são de primeira linha e a empresa possui certificações. Se nesse segmento existia alguma percepção ruim em relação à Dasa, a justificativa seria mais por problemas depois da realização dos exames, como por exemplo, um resultado que demorava para ser entregue.

Nesse caso, explica, o problema é de tecnologia da informação e não da qualidade da execução do exame.

A MD1 também está transferindo para a Dasa a sua área de tecnologia. Antes a empresa trabalhava com vários sistemas, que serão integrados. “A integração vai melhorar muito nossa eficiência e produtividade.”

Segundo o executivo, a marcação do exame precisa ser muito bem feita no ramo de imagem. “São procedimentos que, por exemplo, exigem autorização do plano de saúde e preparação do paciente. Se ele chega ao laboratório sem esses pré-requisitos, não poderá realizá-lo. Isso significa uma perda de espaço na agenda de um exame que custa mais de R$ 3 mil. A marcação tem de ser eficiente para que isso não aconteça”, afirma.

Domingues conta que em algumas unidades, equipamentos de ressonância estavam realizando 300 exames por mês. A máquina, diz, tem capacidade de realizar entre 800 e 900.

“Quando você aumenta a produtividade, a eficiência, a margem de contribuição aumenta muito. Mesmo que você pague um pouco mais para o médico, você tende a ter um ganho maior porque ele também vai trabalhar para aumentar o número de exames.”

Fonte: Ana Paula Ragazzi, Valor Econômico, 25/07/2011

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