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Sendo uma das principais operadoras de saúde dos EUA, detendo 4% do mercado de planos de saúde, a Kaiser Permanente desponta como modelo de gestão de recursos e busca pela qualidade. Em visita ao Brasil à convite da Federação das Unimeds de Minas Gerais, a diretora de treinamento, Molly Porter, e o senior advisor do Care Management Institute (CMI), Paul Wallace, falam sobre o envolvimento do paciente na gestão de saúde e quais são as tendências para o futuro do setor.

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SBW: Manter o paciente saudável e fora do hospital implica em conscientizá-lo e esperar que ele administre bem sua condição de saúde. Como a Kaiser Permanente atua para tornar as pessoas mais autônomas em relação à gestão de sua saúde?

Molly: Temos um uma publicação chamada Healthwise Handbook, disponível em inglês e espanhol, que mandamos para o correio para todos que se tornam membros da Kaiser Permanente. O livro é um guia de auto-cuidado, que ensina as pessoas a identificarem sintomas e tomar algumas providências sozinhas. É um trabalho de empowerment com nossos novos associados, que traz resultados como a redução do número de consultas e até mesmo de ligações para tirar dúvidas. Fizemos pesquisas para medir os resultados e descobrimos que, depois de seis meses, 70% das pessoas já tinham usado o livro pelo menos uma vez e estavam mais satisfeitos com o plano por causa deste tipo de ação. Uma outra iniciativa está em nosso website, em que oferecemos orientações e programas para pessoas que decidem parar de fumar, por exemplo.

SBW: Com o papel cada vez maior que o paciente passa a ter na gestão de sua própria saúde, alguns estudiosos defendem que haja punições (como pagar mais pelo plano de saúde, por exemplo) por “mal-comportamento”, ou seja, para os casos de piora na condição clínica causada pela interrupção de um tratamento ou de um programa de qualidade de vida. Qual é sua opinião sobre este assunto, Wallace?

Wallace: Isso me preocupa. Com a evolução da ciência, poderemos ter, em breve, o mapeamento genético em larga escala. Se começarmos a estigmatizar e punir pessoas com uma certa condição de saúde, como obesidade ou diabetes, por exemplo, no futuro, podemos acabar discriminando pessoas por seu perfil genético.

Acho que a questão tem que ser outra: como engajar os pacientes no cuidado com sua saúde? Uma delas é estipular as regras do jogo, então, você sabe que precisa tomar uma determinada atitude para melhorar sua saúde e, se não fizer isso, está fora. O problema é que as regras foram feitas para serem quebradas. Então, o que vejo como solução passa pelo lado financeiro. Aumentar os impostos para cigarro, fazer com que as comidas gordurosas vendidas nas escolas sejam bem mais caras do que as saudáveis, etc.

Mas também temos que procurar formas de colocar o cérebro das pessoas no jogo, e não tratá-las como crianças e dar-lhes um tapa na mão cada vez que fazem algo errado. É preciso buscar uma mudança de comportamento, primeiro certificando-se que todos entendem as informações passadas e têm acesso a elas e depois com educação, troca de experiências, etc. É preciso ser claro e flexível. Nós ainda estamos aprendendo como fazer isso.

SBW: A Kaiser Permanente é acreditada pela Joint Commission e pelo National Committee for Quality Assurance (NCQA). O que a certificação trouxe de benefícios efetivos para a instituição?

Wallace: A acreditação cria confiança dos dois lados: o dos pacientes e o dos funcionários. Além disso, todos querem ser melhores uns do que os outros e estas certificações aquecem a competitividade. Todos buscam ser o farol, a referência do setor. Na minha avaliação, estas duas acreditações estão entre as melhores, porque focam no que é realmente importante e comprovado por evidência e não há nada frívolo.

Confira a entrevista completa na edição de novembro da revista Fonercedores Hospitalares

* Cylene Souza viajou a convite da organização do Curso Internacional por Imersão da Federação das Unimeds de Minas Gerais

 

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