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Cresce investimentos em remanufaturados

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Orçamento apertado, alta do dólar e linhas de crédito menos acessíveis. Foi com este cenário que os principais fornecedores de equipamentos de diagnósticos encerraram 2002. Com a queda de vendas dos equipamentos novos, os fabricantes investiram nos remanufaturados cuja demanda amenizou as perdas do setor.
As apostas e planos de divulgação para esse segmento têm seus motivos. Só no ano passado, por exemplo, a Philips Medical Systems atingiu a marca dos US$ 2 milhões com a venda dos recondicionados, o que representa 10% do faturamento total da empresa. A previsão para esse ano é expandir essa receita. ?O mercado brasileiro está sofrendo muito com a pressão do dólar. A proposta do equipamento recondicionado é uma das mais viáveis hoje, porque oferece garantia, qualidade de novo e custo benefício ideal. São equipamentos que permitem upgrades, podendo chegar até a modalidade dos novos, mas com a cara antiga?, observa Fábio Montico, gerente responsável pelo programa da Philips.
As fabricantes de equipamentos como de tomografia computadorizada, ressonância magnética, hemodinâmica e medicina nuclear, as mais cotadas para o sistema de upgrade, compram os usados de filiais ou parceiras comerciais que trocam de tecnologia de forma mais constante, como os Estados Unidos, Alemanha, e outros. A compra é realizada direto do cliente, ou seja, a instituição de saúde, que geralmente possui isenção de tributos fiscais. O equipamento chega ao Brasil com abatimentos significativos, chegando a custar metade do valor do novo. Esse é o caso da Philips Medical, que tem base de 1200 equipamentos no mundo com atividades comandadas por duas unidades globais, uma na Irlanda e outra nos Estados Unidos. ?Os tributos fiscais para indústrias são altos, mesmo sendo para equipamentos médicos, o que dificulta a ampliação da área de diagnósticos de alguns hospitais. Negociando direto com o cliente final o produto chega mais barato, o que nos permite repassar esse desconto. Em alguns casos, considerando um equipamento de diagnóstico de grande porte, esse valor em moeda nacional pode chegar a R$ 500 mil?, afirma Montico.
Outra empresa que tem investido neste setor é a Siemens Medical que desde 2001 expandiu suas atividades em equipamentos para diagnóstico por imagem e terapia e incluiu esse tipo de solução em seu Business Plan. Para Carlos Vallejos, gerente-geral de vendas e marketing estratégico, o interesse por esse tipo de aquisição cresceu já que os equipamentos passam pelo controle de qualidade da linha de produção normal dos recém lançados. ?Os sistemas são remanufaturados de acordo com os mesmos padrões de qualidade da linha de produção standard. As unidades (equipamentos) são remanufaturadas seguindo as especificações das agências reguladoras internacionais. A limpeza e desinfecção geral dos equipamentos; pintura, quando necessária; substituição de partes e peças que o sistema/ equipamento necessite para garantir performance assim como toda a documentação necessária de acordo com as boas práticas de manufatura, são algumas das vantagens que a empresa oferece a seus clientes na cadeia de valor agregado?, explica o executivo.
Uma das vantagens apontadas pelos gestores hospitalares que adotam esses sistemas é poder ter acesso à tecnologia com menor investimento. Comparado com um equipamento novo o valor chega de 30% a 50% mais barato para o hospital ou clínica. ?A maior vantagem é que o produto vem direto da fábrica, com garantia e são equipamentos que o cliente já conhece, não trará surpresas ou será sub-utilizado. Temos mais de 100 equipamentos desse tipo instalados no mundo inteiro e estamos investindo cada vez mais. A tendência é crescer porque esses equipamentos que vão saindo de linha podem ser revendidos com qualidade e garantia. Consideramos o programa muito mais do que uma segunda opção porque a grande maioria dos equipamentos tem apenas três anos de uso, foram lançados e adquiridos por empresas que foram substituindo, e colocamos no mercado novamente. São equipamentos de alta tecnologia, e bem recentes, pois não podemos ter equipamentos com mais de dez anos. O custo é menor, com uma ótima qualidade?, destaca Montico, da Philips.
A GE Sistemas Médicos, que investe em recondicionados há cinco anos, justifica os investimentos acreditando que os usados atendem um outro perfil de cliente, diferente do público que adquire sistemas topo de linha. ?Em países como o Brasil, existe uma demanda de máquinas usadas por parte de clínicas e hospitais localizados em regiões mais distantes do centro-sul e grandes capitais que querem ter acesso às tecnologias de ponta, mas não dispõem de muitos recursos para tais investimentos ou trabalham com baixo volume, e ou preço dos procedimentos. Equipamentos usados podem portanto atender a este perfil de cliente?, afirma Claudia Goulart, diretora da GE Sistemas Médicos para o Brasil.
Considerada como tendência, o mercado dos remanufaturados, que busca desenvolver acima de tudo a demanda local, acumula a expectativa de crescimento em até 15% ao ano, e se tornou solução para gestores, com os problemas de cortes de gastos, e empresas que sofreram com a instabilidade econômica.

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