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Crédito: desempenho anticíclico dos bancos públicos

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Os dados divulgados hoje pelo Banco Central do Brasil dão a indicação mais segura, até aqui disponível, que de fato o crescimento do crédito dos bancos públicos durante a crise teve determinante anticíclico e não corresponde por si só a uma elevação estrutural da participação dessas instituições no crédito global.

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Nos últimos três meses até setembro, impulsionadas pelo dinamismo da economia brasileira, as operações de crédito do setor privado, sobretudo nacional, mas também estrangeiro, cresceram (frente ao mês imediatamente anterior) num ritmo superior àquelas das instituições públicas. Ademais, em setembro, a diferença de evolução foi ainda maior: as taxas (em termos reais) foram de 2,1% no caso dos privados nacionais, 1,3% no grupo estrangeiro e 0,9% no âmbito dos bancos públicos. O melhor desempenho do crédito privado na margem se traduziu no distanciamento menor entre a evolução do crédito do setor público e do setor privado, que se abriu na crise e tende a ser fechar nos próximos meses, já que o comportamento dos bancos privados é inerentemente procíclico.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, embora sustentem taxas reais de expansão superiores relativamente aos dois grupos privados, os empréstimos concedidos pelas instituições públicas desaceleraram (de 24,9% em junho para 18,1% em setembro), enquanto as operações dos dois grupos privados ganharam impulso (10,1% para 13,3% nos nacionais e de 1,8% para 7,6% nos estrangeiros, no mesmo período). Esses números autorizam a conclusão de que, efetivamente, o aumento do crédito pelas instituições públicas, que sofreu duras críticas por parte do mercado financeiro, respondeu a um processo anticíclico.
Vai ao encontro das observações acima a evolução do crédito da instituição mais criticada devido ao seu ganho de participação na oferta de crédito interno na fase mais grave do contágio da crise, o BNDES. Há quatro meses as operações de repasses dessa instituição por meio dos bancos (que atuam como agentes financeiros) evoluem num ritmo real muito superior, na margem, do que o crédito concedido diretamente pela instituição, sinal de que as instituições bancárias voltaram a participar muito mais do financiamento de longo prazo no País, abrindo caminho para o relativo encolhimento das operações diretas. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, enquanto em dezembro de 2010 essas operações cresciam num patamar de 40% contra 18% dos repasses, em setembro os respectivos percentuais foram de 13,4% e 40,6%.
De resto, os resultados da evolução do crédito no Brasil mostram a continuidade no mês de setembro da trajetória de expansão do crédito global, que pelo quinto mês consecutivo avançou num patamar superior a 1% frente ao mês anterior (em termos reais), alcançando 46,7% PIB (contra 46,2% no mês anterior e 43,9% em setembro de 2009). No que diz respeito às condições das operações de crédito, os destaques são o crescimento no prazo médio das operações com pessoas físicas e jurídicas pelo quinto mês consecutivo (de 425 dias corridos em abril para 458 em setembro) e o comportamento muito favorável da inadimplência. Os atrasos superiores a noventa dias recuaram tanto nas operações com pessoas físicas como nas relativas a pessoas jurídicas, alcançando 6% e 3,5%, respectivamente.
Resultados Gerais. O saldo total das operações de crédito do sistema financeiro alcançou R$1.612 bilhões em setembro, ao avançar 1,8% no mês e 19,6% em doze meses. Do ponto de vista setorial, as operações destinadas à indústria expandiram 2% frente ao mês anterior, atingindo um saldo de R$346,6 bilhões, destacando-se os ramos de agronegócios, construção e indústria têxtil. Os créditos destinados aos “Outros serviços”, refletindo maior demanda das atividades vinculadas a transportes e telecomunicações, somaram R$ 276,6 bilhões, registrando expansão mensal de 1,9%. Os recursos para o comércio cresceram 2,1% no mês, totalizando R$159,9 bilhões, com destaque para os setores automotivo, de lojas de departamentos e têxtil.
Entre as modalidades do crédito referencial para taxas de juros, os financiamentos para aquisição de veículos sustentaram um ritmo acelerado de crescimento, com evolução de 4,3% no mês e de 42,5% em doze meses, alcançando saldo de R$125,3 bilhões. O crédito pessoal alcançou expansões de 1,8% no mês e de 24,5% em doze meses. No que diz respeito às operações destinadas a pessoas jurídicas, os percentuais foram de 2,8% no mês e de 24,5% em doze meses. Por sua vez, os empréstimos lastreados em recursos externos recuaram 1,4% no mês, devido aos efeitos contábeis da apreciação cambial no período e a liquidações de operações de repasses externos.
Taxa de Juros. A taxa de juros média das modalidades que compõem o crédito referencial situou-se em 35,1% a.a. em setembro, com acréscimo de 0,1 ponto percentual no mês. O spread bancário teve queda 0,2 p.p em relação ao mês anterior, acumulando, no entanto, recuo de 1,9 p.p. comparativamente a agosto de 2009. Nas operações contratadas pelas famílias, o custo médio dos empréstimos caiu 0,5 p.p., atingindo 39,4%, o patamar mais baixo da série histórica iniciada em julho de 1994.
Inadimplência. A inadimplência do crédito referencial, considerados os atrasos superiores a noventa dias, apresentou queda em setembro, situando-se em 4,7%, considerando retração de 0,1 p.p. no mês, com queda de 1,1 p.p. em relação ao mesmo período do ano anterior. Os atrasos recuaram tanto nas operações com pessoas físicas, quanto nas relativas a pessoas jurídicas, alcançando 6,0% e 3,5%, respectivamente, em setembro deste ano.
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