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Conheça uma empresa bem sucedida em saúde populacional

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Há 12 anos que a AxisMed, empresa voltada para a gestão de saúde populacional e pioneira na implementação do GDC (Gerenciamento de Doenças Crônicas) no Brasil, tem como um de seus pilares a mudança comportamental. Hábitos como exercício regular, boa alimentação,  gerenciamento de estresse entre outros fazem parte das abordagens dos programas oferecidos pela empresa. Podemos dizer então, que a AxisMed é um “case” real de uma empresa no Brasil que realmente cultiva e aplica o conceito revolucionário de “Medicina de Estilo de Vida,” o “Lifestyle Medicine,” desenvolvido pelo Dr. Edward M. Phillips nos EUA.

O Fábio Abreu é um dos fundadores e atual CEO da AxisMed assim como idealizador e fundador da ASAP – Aliança para a Saúde Populacional. Foi gerente geral de Planejamento e Recursos Humanos da Interclínicas Planos de Saúde e diretor executivo da NeoData Informática e Organização Empresarial Ltda. É graduado em Administração de Empresas pela EAESP-FGV, com MBA em Administração pela EAESP-FGV/University of Southern Califórnia (EUA).

Além disso, o Fábio será o palestrante convidado no treinamento com o Dr. Edward Phillips no Brasil no final de Novembro para servir de modelo local da aplicação do conceito – sim, é possível tratar e gerenciar doenças através de mudança comportamental. Na entrevista abaixo, ele compartilha um pouco sobre a missão da AxisMed, a importância da mudança comportamental e da educação, o alto investimento na capacitação de sua equipe e seus resultados.

Para começar nossa entrevista, você poderia, por favor, compartilhar conosco um pouco sobre a criação da AxisMed. Como era o modelo inicial de intervenção? Quais eram os objetivos das intervenções?

A necessidade de reduzir custos com saúde nas empresas estimulou, em 2002, a criação da AxisMed, após um ano de estudos de mercado e desenvolvimento dos seus serviços. A companhia trouxe ao Brasil técnicas e conceitos pioneiros de Gestão de Saúde Populacional (GSP), com a meta de reduzir internações e ajudar os gestores de saúde a obter economia de custos de até 40%.

Nossa proposta é apoiar os participantes de nossas soluções (podem ser oriundos de planos de saúde ou empresas) a assumir o controle de sua saúde através de orientação sobre hábitos, abordagens educacionais quanto a sua condição de saúde, suporte constante, na realidade 24×7 e no fortalecimento do relacionamento com seu médico. Esse modelo de trabalho era inexistente até então.

Como a introdução e avanço na área de prevenção e promoção de saúde, que agora esta sendo introduzido até na área médica como conceitos de mudanças no estilo de vida como tratamento de patologias, conceito conhecido como “Lifestyle Medicine”, influencia as abordagens adotadas pela sua empresa?

A prevenção e promoção de saúde é um tema que ganha evidência entre toda a sociedade nos últimos anos, e ganhando corpo até na área médica. Isso facilita muito nosso trabalho, pois quando implantamos as práticas de Gestão de Saúde Populacional nas empresas associadas, muitas vezes o assunto já é familiar para as pessoas e os resultados positivos acabam vindo naturalmente, de uma forma mais rápida e eficaz.

No nível do relacionamento com o paciente, percebemos uma lacuna entre o relacionamento do profissional na efetividade da sua abordagem clínica e sua orientação para mudança comportamental. Ainda hoje predomina a cultura da abordagem prescritiva  “você deve…; você tem que…”, quando é necessário entender o paciente, sua vida e suas motivações enquanto indivíduo, para encontrar a real motivação para a mudança e   assim incentivar e  apoiar o processo de  mudança.  À medida que os profissionais de saúde evoluem em sua abordagem tenho certeza que o avanço da prevenção e promoção de saúde será maior. Nesse sentido a “Lifestyle Medicine” terá um papel cada vez mais importante.

Baseado na sua experiência com Gerenciamento de Doenças Crônicas, quais são as principais causas de doenças? Você concorda com o Dr. Edward M. Phillips, fundador do Institute of Lifestyle Medicine (ILM) e professor da Harvard Medical School, que as principais causas estão nos hábitos de estilo de vida (ex. tabagismo, sedentarismo, má nutrição, etc)?

O estresse da vida moderna, o sedentarismo e os maus hábitos alimentares aumentaram consideravelmente a incidência de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, especialmente entre funcionários e colaboradores de empresas – que estão entre as principais contratantes de planos de assistência privada à saúde.

Porém, se as patologias forem detectadas na fase inicial e o paciente seguir o tratamento com os medicamentos, controle de peso e dieta adequada, ele pode ter uma qualidade de vida semelhante à de uma pessoa saudável. Ao mesmo tempo, a empresa reduz o absenteísmo, presenteísmo e os custos com doenças de maior gravidade.

Porém, o principal é educar as pessoas, nos diversos níveis de risco, os saudáveis a adotarem um estilo de vida saudável, os crônicos recém-diagnosticados a entenderem que se mudarem seus hábitos para adotarem um estilo de vida saudável e monitorarem sua saúde podem estabilizar a sua doença e muitas vezes conseguir sua regressão – infelizmente essa informação ainda é muita pouco conhecida. Aqueles que já possuem a doença diagnosticada e com momentos de instabilidade, podem através de mudanças no estilo de vida e hábitos e comportamentos, gerenciarem melhor sua  saúde e obterem  mais qualidade de vida  e tranquilidade para sua família.

Acredito que o estilo de vida não é apenas a causa de doenças, mas a solução – essa é a mensagem que deveria ser mais divulgada para sociedade.

Como os profissionais de saúde que trabalham na AxisMed abordam os conceitos de “saúde” versus “doença”? Como isso afeta o tratamento de doenças crônicas?

Nossa missão é fazer com que os participantes de nossos programas atinjam o autocontrole de sua saúde para o seu bem estar. Nesse sentido, nossa ação é centrada nas pessoas e para nós sua história de saúde é tão importante quanto o seu histórico de doenças. Por isso, como trabalhamos com o conceito de saúde populacional, não enxergamos somente os pacientes crônicos, mas sim 100% da população com ações e intervenções de acordo com o risco identificado.

Tudo isso afeta o tratamento de doenças de forma dramática, pois o paciente passa a perceber possibilidades, caminhos e formas de viver com sua doença crônica sem crises e, por que não, até de forma mais saudável que antes por adotar hábitos de vida melhores.  Esse é o sucesso para nós.

Qual a importância de mudanças comportamentais no gerenciamento de doenças crônicas?

Ao longo dos anos descobrimos que a importância de mudanças comportamentais para as pessoas com doenças crônicas varia de acordo com a complexidade dos indivíduos.  Pode parecer uma afirmação que vai contra o senso comum, principalmente entre os profissionais de saúde, mas para nós é mais simples e requer menores investimentos monitorar um doente crônico de alta complexidade que um recém-diagnosticado ou de baixa complexidade.

A mudança comportamental é a ação que exige maior esforço e os gestores mais competentes porque não é simples. Por outro lado, os pacientes mais complexos necessitam de um foco maior em aspectos mais simples para obter resultados como adesão dos medicamentos conforme prescrição, orientação médica, realização de exames e observância de sinais e sintomas para o controle da doença.

Qual é a melhor forma para prevenir doenças crônicas?

Conscientização para saúde é a expressão chave. Existe na sociedade um paradigma muito forte que deve ser quebrado: acreditamos que a saúde é algo maniqueísta, binária, isto é, você tem ou não tem.  Enquanto você tem saúde você vive a sua rotina e é responsável por tudo que você faz ao seu corpo, quando você fica doente a responsabilidade é transferida para o médico e viramos pacientes.  Isso não é real. Nós perdemos saúde todo dia à medida que nos alimentamos de forma inadequada, seja na qualidade ou quantidade, que não mantemos uma pratica regular de atividade física, etc. Nessa situação, todo os dias perdemos “pontos de saúde” até que, em um dado momento, uma doença ganha força e se estabelece, apresentando sintomas – aí precisamos de um médico.

Portanto, a melhor forma de prevenção é assumir a responsabilidade, crescer e sermos responsáveis pela nossa saúde. Esse é o desafio da sociedade mundial e também da brasileira. É tudo cultural e por isso tão difícil de mudar – pois o que é cultural parece natural.

Um dos pilares da Medicina de Estilo de Vida é a educação de profissionais de saúde. Qual a importância da capacitação dos profissionais de saúde na AxisMed?

Esse é um ponto crítico.  A AxisMed é provavelmente a empresa que mais investe em treinamento e formação de seus profissionais em todo o sistema de saúde – público ou privado. São mais de 600 horas / ano por novo profissional e cerca de 250 horas / ano por profissional com mais de 1 ano na empresa.

Por que isto? A formação do profissional de saúde é prescritiva, ou seja, “push” que significa dizer ao paciente “você tem que fazer “x” por que….”.  O que todas as técnicas de mudança comportamental dizem é que isso não funciona, pelo contrário, irrita o paciente, pois a explicação é normalmente um (como disse um paciente nosso) “monte de coisas que todo mundo já está cansado de ouvir…” . Para mudar as pessoas você tem que trazer as pessoas para discutir seus hábitos, descobrir o que a motiva e trabalhar junto com ela para que possa mudar – completamente diferente do modelo “push”.

O desafio é grande, a necessidade de mudança está na Matriz Curricular e nas instituições de saúde de forma geral.

Quais são algumas abordagens teóricas e ferramentas utilizadas pelos profissionais de saúde na AxisMed?

Os “maus hábitos” adquiridos ao longo da vida demandam grande esforço para serem modificados, motivo pelo qual tantas promessas de início de ano caem no esquecimento em pouco tempo. Possuir o conhecimento desta psicologia sobre a mudança comportamental e utilizá-lo na prática em suas abordagens, é o que permite à AxisMed eficientes resultados na gestão de saúde populacional junto a beneficiários de planos de saúde e funcionários de grandes empresas brasileiras. Por isso, nos inspiramos nos seis estágios do Modelo Transteórico, no Modelo Health Belief Model e ferramentas de apoio como Entrevista Motivacional, Psicologia Positiva e construção de metas baseadas em modelos SMART.

O Modelo Transteórico, desenvolvido por um dos mais influentes psicólogos comportamentais da atualidade, Dr. James Prochaska, quando devidamente aplicado, é uma ferramenta central para compatibilizar o atendimento e o acompanhamento de públicos contemplados em programas de gestão de saúde populacional e seus resultados.

Qual é o maior desafio na gestão de saúde populacional? Por quê?

O maior desafio da GSP está em promover e executar conceitos e ações proativas (palavra que em saúde é sinônima de prevenção) que possam melhorar a qualidade da saúde em sua forma mais abrangente. Significa criar metodologias e ferramentas, bem como aprimorar as já existentes, de modo que contribuam ou solucionem os desafios que a gestão populacional de saúde encara diante do atual cenário assistencial fragmentado, com informações pontuais perdidas em prontuários de organizações assistenciais (que deveriam ser longitudinais, acompanhando a vida das pessoas), pouco foco em prevenção e muito pouco investimento na conscientização da responsabilidade de cada um com sua saúde.

Outro componente importante da Medicina de Estilo de Vida é o relacionamento entre o profissional de saúde e seu cliente/paciente. Qual é a relevância do relacionamento entre um profissional de saúde e seu cliente/paciente no processo de tratar uma doença?

A simpatia em um primeiro momento e o vínculo e confiança acabam sendo fatores importantes nessa relação. É a velha questão: qual o melhor profissional para tratar um diabético? O endocrinologista ou o clínico geral? A resposta é aquela que o paciente escolher e seguir suas orientações.  Nesse sentido a qualidade do relacionamento é o primeiro e talvez, dependendo do caso, o principal componente do tratamento. Quando falo relacionamento não é um relacionamento qualquer, é especificamente um relacionamento de respeito mútuo onde cada um ouve os pontos e colocações do outro. É um grande desafio.

Como engajar um cliente/paciente no processo de tratar e/ou prevenir a sua doença?

A principal ação é reconhecer a sua individualidade e ouvi-lo, somente assim ele vai responder da mesma forma. Outro ponto crítico é o suporte, estar presente quando ele precisa, seja para uma dúvida ou para uma crise 24×7. Nesses dois pontos que a AxisMed mostra toda sua força, com mais de 200 profissionais atuando diretamente com os participantes de seus programas.

Você poderia, por favor, compartilhar resultados que a AxisMed obteve em programas de mudanças comportamentais no gerenciamento de doenças crônicas?

Atualmente temos em nossos programas de saúde cerca de 8.600 participantes com ganhos na mudança de estilo de vida, destes 79% já concluíram o processo de mudança para alguns dos hábitos ou comportamentos que demonstraram interesse em trabalhar. 16% estão em processo de mudança e 5% estão em fase de conscientização para a mudança. Dentre os principais hábitos e comportamentos que recebemos demanda de apoio para o processo de mudança destacamos: redução de peso, prática de atividade física, cessação de tabagismo, adoção de hábitos alimentares saudáveis para controle de hipertensão, diabetes e colesterol.

Ressalto, contudo, que num programa de Gerenciamento de Doenças Crônicas, as mudanças que as pessoas precisam implementar em suas vidas, vão além das clássicas, pois muitas vezes precisam adotar comportamentos como: ter um acompanhamento médico regular, uso correto de medicamentos prescritos, realização de exames e monitoramento de sinais e sintomas que na grande maioria das vezes são adquiridos ao longo do programa.

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