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Compra da Sanofi muda forças no mercado de genéricos

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A aquisição da Medley pela Sanofi-Aventis, na última semana, muda a composição de forças no mercado brasileiro de genéricos . Com a compra, fechada pelo valor de ? 500 milhões, o grupo farmacêutico francês assume a liderança do segmento na América Latina, atingindo uma participação de 12% no Brasil. Assim, amplia a presença do capital estrangeiro no mercado local de genéricos – ao lado da Sandoz/Novartis – área até agora dominada por empresas brasileiras como EMS, Eurofarma e Aché.
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“Isso mostra a força do setor e também que o processo de inovação não está assim tão promissor”, diz o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró-Genéricos), Odnir Finotti. Segundo ele, com o vencimento de muitas patentes em um ritmo maior do que se consegue repor, muitos laboratórios se movimentam mais rapidamente para fazer aquisições na área de genéricos.
Recentemente, a Sanofi também comprou uma fabricante mexicana de genéricos, os laboratórios Kendrick,e adquiriu por US$ 2 bilhões a produtora tcheca de medicamentos genéricos Zentiva, pulando da 23 para 11 posição entre os maiores fabricantes desse tipo de remédio no mundo.
“Esse movimento já era esperado até porque empresa de genérico é geradora de caixa”, afirma o sócio da Mussolini Assessoria em Negócios, Nelson Mussolini.
Para Mussolini e Finotti, exatamente por isso, o mercado de genéricos deve assistir a novas aquisições como esta. São esperados movimentos das gigantes mundiais, como a israelense Teva e da indiana Ranbaxy, que, segundo fontes do mercado, estuda expansão no mercado brasileiro. Tudo isso pode tornar cada vez mais distante o sonho do governo de criação de uma grande farmacêutica nacional. “Agora, o governo pode ajudar empresas nacionais a buscar oportunidades lá fora para ter acesso à novas tecnologias”, diz Finotti.
“Essa aquisição satisfaz dois objetivos estratégicos: por um lado permite à Sanofi se fortalecer no segmento de medicamentos vendidos sob receita e por outro amplia consideravelmente a presença da empresa em um país emergente de rápido crescimento”, disse o analista da corretora CM-CIC, Arsene Guekam
A Medley é a terceira maior farmacêutica do mercado brasileiro e líder em genéricos, com faturamento de R$ 458 milhões, dos quais mais de dois terços provenientes de sua atividade de genérico. Com um portfólio de 127 produtos, o laboratório brasileiro se preparou para acompanhar o vigoroso crescimento desse mercado, que só em 2008 registrou alta de 18,9%, com a comercialização de 277,1 milhões de unidades frente as 233 milhões do ano anterior. Juntas, as indústrias do segmento movimentaram US$ 2 bilhões no período, crescimento de 33% em relação a 2007, quando as vendas somaram US$ 1, 522 bilhão, conforme dados da Pró Genéricos. A avaliação de ? 500 milhões incluiu a dívida de ? 170 milhões, segundo um porta-voz da Sanofi, em Paris. Representantes da Medley e da Sanofi no País alegaram que não poderiam comentar a aquisição.
Marketing esportivo
A venda da Medley deve ter impacto também no cenário esportivo. Com uma intensa atuação – tendo patrocinado clubes de volei, volei de praia e, principalmente, mantendo uma equipe na Stock Car – a farmacêutica vinha encolhendo seus investimentos desde 2008. Segundo o responsável pela comunicação na área esportiva, Marcio Fonseca, o patrocínio ao volei já havia sido cancelado e a Stock Car, onde corre o filho do ex-proprietário da Medley, Xande Negrão, deve ser mantida até o final do ano. “Esperamos que os novos donos continuem com o patrocínio, boa parte da força da marca junto ao consumidor foi conquistada nas pistas”.

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