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Como o Haiti está enfrentando um grave surto de cólera ?!

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Caros,

Nesta véspera de Natal, num momento que o Brasil viveu um recorde de fusões e aquisições na área de saúde, com um enorme valor criado para os acionistas e a sociedade; me deparo com este artigo publicado no dia 23 de Dezembro no jornal Valor Econômico e de autoria de Ban ki-moon, secretário geral das Nações Unidas. O artigo descreve como a epidemia de cólera está se alastrando pelo Haiti e como a comunidade internacional tem se mobilizado para ajudar. Infelizmente, após as últimas eleições no país, um grande clima de incerteza se instalou no país, o que dificulta o trabalho dos organismo de ajuda internacionais. Sem dúvida alguma, o empreendedorismo e a inovação são imprescindíveis na saúde, mas a cooperação, mobilização política e trabalho governamental  são fundamentais para que epidemias e/ou pandemias sejam combatidas e controladas eficazmente.

Boas festas,

Fernando Cembranelli

Equipe EmpreenderSaúde

Fonte: Valor Econômico

O momento do Haiti

23/12/2010
Texto:A +A

A sorte não tem sido gentil com o Haiti. A dor e o sofrimento decorrentes do terremoto do ano passado já eram enormes. Desde então foram acrescidos pelo furacão Tomas e por um surto de cólera. Agora reina uma tensão crescente em torno da eleição recém-concluída.

A epidemia se alastrou para todos os dez departamentos do país, bem como para a capital, Porto Príncipe. O ministério haitiano da Saúde Pública reporta que o número de mortes está se aproximando de 2 mil e o de infecções superando os 80 mil.

Considerando que muitas pessoas não têm acesso fácil a hospitais e consultórios, essas avaliações são estimativas rudimentares, na melhor hipótese. As equipes das Nações Unidas temem que o número real de mortes e de infecções efetivas possa na verdade ser o dobro desse número.

Claramente, a epidemia continuará se disseminando. Ela decorre de uma cepa particularmente virulenta de cólera e temas subjacentes: um frágil sistema de saúde nacional, condições sanitárias deficientes e escassez de água limpa e outros serviços básicos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) estimam que o surto possa afetar cerca de 400 mil pessoas.

À medida que a comunidade internacional se mobiliza para reagir, temos duas prioridades: primeira, reduzir a taxa de mortes por acidente através de tratamento efetivo; e, segunda, informar a população sobre como cuidar de si, das suas famílias e suas comunidades.

Há uma notícia positiva, por mais sombrio que seja o quadro geral. Embora as estatísticas epidemiológicas sejam alarmantes, a taxa de mortalidade caiu nas últimas semanas, de 7,6% para 3,6%. O governo haitiano, as agências da Organização das Nações Unidas (ONU) e a comunidade de serviços humanitários estão se mobilizando rapidamente para providenciar tratamentos e medidas preventivas. Eles estão fornecendo materiais de purificação de água, promovendo campanhas de informação pública em larga escala e ajudando a construir vários centros de tratamento.

A ONU e suas muitas parceiras internacionais ajudarão o país a se restabelecer. Mas, no fim das contas, os haitianos só poderão se firmar por sua própria conta. é necessário um governo forte e legítimo para superar os desafios à frente.

Uma coisa, porém, está clara. Por mais admiráveis que sejam esses esforços coletivos, eles simplesmente não são suficientes. Sem uma resposta internacional maciça e imediata, as vidas de centenas de milhares de pessoas estarão em perigo. Depende de nós agir, com o máximo de velocidade e total posicionamento de recursos.

De forma mais imediata, há uma necessidade urgente de mais centros de tratamento das vítimas de cólera. É necessário mais pessoal médico e não médico para administrar essas instalações. A OPAS e a OMC estimam que serão necessários 350 médicos, 2 mil enfermeiras e 2,2 mil pessoas de suporte adicionais nos próximos três meses;

Aproximadamente 30 mil agentes comunitários e voluntários de saúde também serão necessários para ajudar a suprir quadros para cerca de 15 mil pontos de re-hidratação oral. Outros mais são necessários para educar e promover melhores condições de higiene nos campos e comunidades. É fundamental que o povo haitiano em todas as comunidades esteja plenamente informado sobre como lidar com essa doença e que entenda que a cólera é curada em pouco tempo quando diagnosticada e tratada rapidamente.

Medicamentos e materiais essenciais estão em falta: pastilhas de purificação de água, desinfetantes de cloro, antibióticos, latas de gasolina, sabão, reservatórios de água e material para a construção de latrinas. As provisões de sais para reidratação oral precisam ser constantemente reabastecidas.

Não surpreende que a incidência de cólera seja mais alta nas favelas e zonas rurais do Haiti, onde as pessoas estão mais distantes da assistência. Nos campos onde cerca de 1,3 milhão se refugiaram após o terremoto deste ano, ironicamente, a incidência é relativamente baixa. O motivo: estamos lá com o que é preciso – assistência médica, saneamento e água limpa.

Para ajudar o Haiti a se ajudar, precisamos ampliar o nosso alcance. Isso explica porque a ONU e suas parceiras elaboraram a Estratégia de Resposta Interssetorial à Cólera para o Haiti, um apelo para a provisão de recursos no valor de US$ 164 milhões para apoiar as iniciativas da comunidade internacional de conter o surto. Até agora, apenas 20% dos fundos foram supridos.

Esta não será uma crise de curto prazo, portanto não podemos pensar apenas no curto prazo na formulação da nossa resposta. Milhões de pessoas dependem da comunidade internacional para a sua sobrevivência imediata. Ao mesmo tempo, nossa resposta deve ser vista no âmbito do contexto mais amplo da recuperação e desenvolvimento de longo prazo. O investimento em infraestrutura básica é crítico – água limpa, saneamento, assistência médica, educação e abrigo duradouro.

Ao longo do caminho, precisamos ajudar a fortalecer as instituições haitianas. O Haiti necessita de um governo forte e legítimo para superar os desafios adiante. As eleições recentes foram um marco histórico no longo e muito árduo curso do país. Mas as irregularidades agora parecem ser muito mais graves do que se pensou inicialmente. As tensões estão aumentando. Os líderes políticos precisam colocar o interesse nacional à frente das ambições pessoais e partidárias.

A ONU e suas muitas parceiras internacionais ajudarão o Haiti a se restabelecer. Mas, no fim das contas, os haitianos só poderão se firmar por sua própria conta. Como um povo, eles são extraordinariamente resistentes e corajosos. Eles precisam, e merecem o nosso apoio. Mas eles também precisam, e merecem uma forte liderança nacional. Este é o momento do Haiti.

Ban Ki-moon é secretário-geral das Nações Unidas.

Copyright: Project Syndicate, 2010.

www.project-syndicate.org

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