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Como investidores avaliam oportunidades de negócios – Parte IV

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Se você está pensando em abrir um negócio e está pensando em atrair investidores, um dos passos mais importantes é entender a anatomia e fisiologia do cérebro dos investidores.

Em 2010 tive a grande honra de representar a UCLA Anderson School of Management em uma competição entre escolas de MBA dos EUA chamada Venture Capital Investment Competition (VCIC – http://www.vcic.unc.edu/). Nesta competição, cada escola compõe um time de 5 estudantes com diferentes experiências profissionais (saúde, tecnologia, finanças, etc), para que o time seja apto a analisar quaisquer tipos de negócios. Como parte da estratégia de preparação adotada pelo meu grupo, entrevistamos vários investidores (angels e venture capitalists) e coletamos informações em livros e artigos do gênero, com o objetivo de aprender a pensar como um investidor. Neste quarto artigo da série, disponibilizarei para os leitores do EmpreenderSaúde as respostas que obtivemos para a pergunta:

“Quais os tipos de análises financeiras você usa ao decidir se vale a pena investir em uma oportunidade?”

 

Robert Simon, diretor da Alta Partners e George Geis, professor da UCLA Anderson School of Management e investidor anjo respondem:

Para que investidores possam investir em uma oportunidade de negócios, os mesmos necessitam saber quanto vale o negócio em questão. Geralmente, os planos de negócios apresentados por empreendedores já vem com algum tipo de projeção financeira de receita, gastos e lucros para os próximos anos. Investidores avaliam os números apresentados pelos empreendedores, mais para saber se os mesmos têm senso de realidade e tino comercial; os números em si não são tão importantes, o que importa é como os empreendedores chegaram os mesmos. VCs em geral fazem sua própria análise financeira e compara com a feita pelos empreendedores. Robert Simon, da Alta Partners, analisa primeiro a projeção de gastos – quanto a empresa irá gastar até atingir o break even? Em relação às receitas, Robert faz o seu próprio modelo financeiro, pois os empreendedores tendem a ser excessivamente otimistas: faturamento de US$1milhão no primeiro ano, US$20milhões no segundo e US$100milhões no terceiro – são projeções um pouco fora do real. Muitas vezes, empreendedores também analisam a fatia do mercado que vão arrebatar a partir de um modelo “de cima para baixo” – primeiro veem o tamanho do mercado e depois chegam à percentagem do mercado que o negócio vai dominar. Esse método ajuda a ter uma idéia do tamanho do mercado, mas é muito difícil prever o faturamento futuro baseado na fatia de mercado que o negócio vai açambarcar. Robert faz as projeções financeiras utilizando o método “de baixo para cima”, ou seja, incluindo estimativas de quantas unidades do produto ou serviço em questão o negócio vai conseguir vender por ano, baseado em custos, canais de distribuição, mão de obra, etc. Muitas vezes, o faturamento obtido a partir deste método é apenas uma fração do apresentado pelos empreendedores que utilizam o método “de cima para baixo”.

Uma vez feita a análise do faturamento, custos e fluxo de caixa da empresa, investidores podem estimar quanto vale a empresa hoje, e qual a percentagem da empresa poderiam comprar com o investimento solicitado pelos empreendedores. Existem vários métodos para avaliar o valor de uma empresa. Um deles, mais acadêmico e utilizado mais por empresas maiores e em estágios mais desenvolvidos, é o fluxo de caixa descontado (discounted cash flow, ou DCF). VCs geralmente utilizam cálculos mais simplificados para chegar ao valor de uma empresa. Vários utilizam seus instintos, baseados em vários anos de experiência e muitos negócios fechados, para avaliar quanto o negócio vale e quanto querem pagar por ele. A fórmula utilizada pelo Prof Geis é a seguinte:

Percentagem requisitada pelo VC = I*[(1+r)^n]/VT

Onde:

r= retorno financeiro almejado

VT= valor terminal

N= anos até a saída do negócio

I=valor do investimento

 

Então, por exemplo, se o investidor acredita que o valor do negócio em 6 anos vai ser avaliado em 30 vezes o fluxo de caixa, que será  $5M, VT=$150M. Se o investidor quiser 40% de retorno e investir $4M, o numerador será 4*(1.4)^6 ou 30.1 e a percentagem requisitada pelo VC  é 30.1/150, ou 20.1% da empresa. O valor da empresa após o investimento, pode ser calculado através da fórmula: investimento/ percentagem requisitada pelo VC, ou $4/20.1%=$20M

No próximo artigo concluiremos a série “como investidores avaliam oportunidades de negócios”, respondendo a questão:  “Como você decide as estratégias de saída?”

Sobre a Alta Partners:

Desde a sua criação em 1996, Alta Partners investiu em mais de 120 empresas de saúde, biofarma, equipamentos médicos e tecnologia em estágios iniciais. Alta administra 7 fundos de US$1.5 bilhões. O foco geográfico da Alta é nos EUA e alguns na Europa. Em 2004, Alta levou 3 empresas a oferta pública (IPO), Corgentech, eyetech Pharmaceuticals e Renovis. Localizada em São Francisco, a Alta tem 10 profissionais com foco em ciências médicas e 4 em tecnologia da informação.

Sobre George T Geis, PhD:

Prof. Geis é professor adjunto da UCLA Anderson School of Management. Ele leciona empreendedorismo, sistemas de informação, finanças e contabilidade e é escritor e palestrante sobre novas tendências na economia digital e e-commerce. Recebeu o título de Professor Extraordinário do Ano na UCLA Anderson por 4 vezes. Fundador da empresa TriVergence e Alliance InfoGraphics, uma ferramenta baseada na web que rastreia e mostra investimentos e parcerias em tecnologia, e investidor anjo.

Fontes:

Elaine Horibe Song é médica cirurgiã plástica formada pela Universidade Federal de São Paulo, com Especialização em Administração Hospitalar pela Fundação Getúlio Vargas e MBA pela Universidade da Califórnia. Atualmente atua como consultora da Kaiser Permanente e de startups nos EUA.

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